Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Cálculo e sobrevivência na sucessão presidencial

Por ora, a primeira radiografia pós-crise sinaliza para o enfraquecimento de Flávio, mas não em intensidade que permita a Zema, Caiado e Renan Santos sonhar

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Projetando estratégias diferentes, Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) acompanham os desdobramentos do escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Todos os três pré-candidatos à Presidência da República concorrem na mesma faixa do eleitorado e são “sufocados” pelo desempenho do filho 01, que para além do eleitorado “bolsonarista raiz”, também converge para si os eleitores não bolsonaristas antipetistas, mantendo o protagonismo no campo que enfrenta o lulismo.

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O caso já afeta o teto de crescimento da candidatura de Flávio Bolsonaro, o que já se evidencia na primeira pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 19. Por ora, a primeira radiografia pós-crise sinaliza para o enfraquecimento de Flávio Bolsonaro, mas não em intensidade que permita a Zema, Caiado e Renan Santos sonhar com a possibilidade de alcançarem o segundo turno contra Lula, onde todos apresentam similar patamar de competitividade.

Para Zema, Caiado e Renan Santos, o adversário no primeiro turno não é Lula. Embora mirem e disparem contra o petista para reiterar ao seu campo político que têm um “adversário comum”, os três sabem que dependem do esvaziamento de Flávio Bolsonaro para que tenham espaço de crescimento. Ao serem divulgados os áudios de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, Zema saiu na frente. Atirou, indignando aliados de Flávio Bolsonaro, mas somando pontos na preferência do eleitorado: saiu de 3,1% das intenções de voto em abril para 5,2% em maio – portanto crescimento de 70% em um mês –, segundo a Atlas/Bloomberg.

O ex-governador de Minas, que já havia ganhado visibilidade em embate com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, reiterava a sua narrativa de personagem “impoluto”. Recebeu o contragolpe de Eduardo Bolsonaro, que acusou o Novo de Minas de ter recebido R$ 1 milhão, na campanha de 2022, de Daniel Vorcaro. Houve também ameaças do PL de romper a coligação com o Novo, em vários estados do Sul.

Zema em princípio recuou, falando de sua indignação diante do fato inesperado, que seria “página virada”. Contudo, voltou a carga na terça-feira, 19, em viagem a Santa Catarina: “É um fato lamentável o que nós estamos vendo mais uma vez, um fato muito grave (...) Ter credibilidade é fundamental para poder governar um estado ou país”. Nesta quarta-feira, em Brasília, em evento da Marcha dos Municípios, Zema reiterou que as explicações de Flávio Bolsonaro sobre áudios enviados para Daniel Vorcaro “não foram convincentes o suficiente”. Ele sabe que perdeu o PL em Minas no palanque de seu candidato à reeleição, o governador Mateus Simões (PSD). Procura agora se afastar do bolsonarismo, assim, se protegendo da eventualidade de que surjam novos fatos.

Renan Santos dispara a metralhadora à esquerda e à direita bolsonarista, de olho no eleitorado independente e da direita não-bolsonarista e antipetista. O fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) viu no novo fato, a oportunidade para voltar a se diferenciar: “O bolsonarismo é o traidor da causa que se aproveita disso para levar as moedas de prata. O judas e o capeta precisam ser detonados”. Por mais de uma vez ele disse querer “prender” o senador. Oscilou positivamente na pesquisa de 5,3% em abril para 6,9% das preferências em maio.

Em princípio com mais moderação, Ronaldo Caiado cobrou explicações, sem juízo de valor. Mas, na pesquisa oscilou negativamente de 3,3% para 2,7%. Adota a estratégia de quem busca se tornar alternativa viável para a “família”, na hipótese de desistência de Flávio Bolsonaro. Entretanto, a menos que surjam novas revelações, esse é cenário pouco provável.

O campo anti lulista se movimenta. Sem a possibilidade de ter Tarcísio de Freitas (Republicanos), descartado por Jair Bolsonaro para manter o controle do campo em sua família, o Republicanos chega, agora, a considerar lançar o senador Cleitinho (Republicanos) à Presidência da República. Já no PL e no Centrão, aliados do bolsonarismo miram, como alternativa, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro. Essa, contudo, não seria opção aceita pelo patriarca e filhos. A eles, sorriria Maquiavel: “Aquele que determina o poder de outrem, trabalha para a sua própria ruína”.


Anfitrião

O ex-prefeito de Patos, Luís Eduardo Falcão (Republicanos) foi o anfitrião no gabinete do senador Cleitinho (Republicanos) dos prefeitos mineiros que participaram em Brasília da XXVII Marcha em Defesa dos Municípios, organizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Nas conversas com prefeitos, Falcão reafirmou que Cleitinho será candidato e ele, vice na chapa. A se confirmar, o ponto de interrogação é como ficará a composição com o PL, que já anunciou em Minas a aliança com Republicanos, em que indicaria a posição de vice e um dos senadores na chapa?

Ziguezague

Com o abalo sofrido pela candidatura de Flávio Bolsonaro, o Republicanos estuda lançar o senador Cleitinho (Republicanos) à Presidência da República. Vai que cola.

TCE

Os seis candidatos colocados na eleição interna da Assembleia Legislativa para a terceira vaga do Tribunal de Contas do Estado (TCE) pediram ao presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB) que abra o processo antes do recesso parlamentar de julho. A informação é do deputado estadual Tito Torres (PSD), um dos nomes da disputa. Os parlamentares querem entrar nas convenções partidárias com a clareza se serão candidatos à reeleição ou se vão repassar as bases para tomar posse na Corte de Contas. Além de Tito Torres, concorrem à vaga Ione Pinheiro (União), Sargento Rodrigues (PL), Ulysses Gomes (PT), Thiago Cota (PSD) e Doutor Wilson Batista (PSD). Tadeu Leite vai tentar evitar a disputa, estimulando a busca de convergência.

De volta à cena

Diante da expectativa da direita não bolsonarista de um possível espaço para uma terceira via, tucanos e tradicionais aliados estão em campanha para convencer o deputado federal Aécio Neves (PSDB) a entrar na sucessão presidencial. No fim de semana, Bruno Araújo, presidente nacional do PSDB, ligou para o deputado federal Paulo Abi-Ackel, presidente estadual do partido e reclamou: “Não posso crer que o PSDB presidido por Aécio Neves não estará no debate para a presidência da República”. Nomes tradicionais do tucanato engrossaram o coro ao longo da semana. Aécio está na muda. Reflete.

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Com Kalil

Em Minas Gerais, a tendência de tucanos é de apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT). Nessa eventual composição, Aécio Neves avaliava concorrer ao Senado Federal. Agora ficou balançado com o movimento que vem de deputados de partidos antes próximos ao PSDB e também dos diretórios da estaduais da legenda para que se coloque na disputa nacional.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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