Depois de Pacheco, o PT à espera de Lula
Embora olhem em volta em busca de um "Plano B", lideranças do PT acreditam que há ainda uma pequena chance de que Lula convença o senador
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O PT de Minas já incluiu na coluna de “desfalques” a ausência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) na disputa ao Palácio Tiradentes. Não apenas a partir das conversas do senador com o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, mas também em manifestações junto a interlocutores em comum, Rodrigo Pacheco expôs que não pretende concorrer em decorrência de seu momento de vida e do contexto político. Nome dos “sonhos” do presidente Lula (PT) para encabeçar a chapa majoritária de seu campo político no estado, Rodrigo Pacheco aguarda a conversa conclusiva para se posicionar publicamente.
De modo muito realista, petistas avaliam que enquanto perdurar o afastamento político do presidente da República e do Congresso Nacional – que se agravou com a negativa do Senado Federal à indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) –, a tendência será de que a conversa seja empurrada para adiante. Embora olhem em volta em busca de um “Plano B”, lideranças do PT acreditam que há ainda uma pequena chance de que quando o encontro ocorrer, Lula convença o senador.
Exatamente por isso, quando indagados sobre os rumos da Federação PT-PV-PcdoB na corrida ao governo de Minas, as lideranças petistas afirmam que estão “esperando Pacheco”. Nas considerações, acrescentam: o nó de Minas está nas mãos de Lula. A ele caberá desatá-lo.
Para além daqueles que seguem “esperando Pacheco”, a se confirmar a negativa do senador que está também sendo monitorado de perto pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), o PT tem hoje três caminhos possíveis: o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), o ex-presidente da Câmara Municipal, Gabriel Azevedo (MDB) e um nome próprio do PT, que definitivamente não seria o de Marília Campos (PT).
A ex-prefeita de Contagem é a única da chapa majoritária confirmada para concorrer ao Senado Federal. Em outro momento houve tentativa de convencê-la a disputar o governo, mas esse já é um tema pacificado e encerrado no PT. Lançar um nome próprio é hipótese que para alguns limitaria a expansão de apoiamentos ao centro, o que pode se refletir negativamente sobre a campanha presidencial de Lula em Minas.
Alexandre Kalil é possibilidade defendida por um grupo como alternativa a Pacheco, mas desde que o ex-prefeito de Belo Horizonte assuma o palanque de Lula no primeiro turno. Há no PT a leitura de que Alexandre Kalil estaria “jogando parado”, à espera de que o partido, diante de um vazio interno de nomes competitivos, proponha a “aliança”.
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Nessa posição o PT não estaria em condições de demandar nada; apenas assentir às reivindicações de Kalil, que vez ou outra manifesta alguma resistência em apoiar Lula no primeiro turno. Tal movimento em direção a Kalil, contudo, se acontecer, deverá ser encabeçado por Lula, dizem as lideranças do PT ouvidas por esta coluna. “A primeira opção é Pacheco. Depois, estou no grupo que se Lula conversar e tiver a segurança que é o Kalil, não tenho objeção”, afirma o deputado federal Rogério Correia (PT).
Gabriel Azevedo é o terceiro caminho à frente do PT. É o nome que está sendo postulado abertamente por João Batista Mares Guia, quadro histórico do partido que retornou à legenda em 2024 a convite de Lula. Interlocutor do presidente, João Batista é enfático: “O debate está em aberto, mas reina a perplexidade: Pacheco é o candidato natural, mas ninguém sabe se será candidato. A maior probabilidade é de que não seja”.
Tal prognóstico encontra ressonância e é um dos raros consensos no PT de Minas. “Se Pacheco não vier, me dou a liberdade de declarar o apoio ao Gabriel Azevedo, candidato do centro democrático, coerente e tem programa de governo”, acrescenta João Batista, que está pronto a levar o nome do ex-vereador para a assembleia que o PT fará em Minas ainda em maio, destinada a discutir a mobilização para campanha de Lula.
Se no PT de Minas não há consenso em relação a nenhum dos três caminhos, vai se formando convergência em relação ao entendimento de que são pequenas as chances de o partido se fechar em torno do ex-procurador geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva. Ambos estão filiados ao PSB, são nomes sugeridos por Rodrigo Pacheco, mas estão sendo vistos, neste momento, com algum ceticismo. Três são as hipóteses para uma única realidade. O PT de Minas, que já não está esperando Pacheco. Espera Lula decidir.
Martelo batido
Parlamentares do PL estão elogiando a liderança do deputado federal Zé Vítor, que assumiu a presidência da legenda em 11 de maio: na mesma semana, o partido convergiu para a aliança com Republicanos na disputa ao governo de Minas, tendo o senador Cleitinho (Republicanos) na cabeça de chapa.
Indicações
Do PL, dois empresários são cotados para compor a chapa de Cleitinho: o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli. Ambos também são cotados para encabeçar a chapa, na hipótese de Cleitinho desistir da candidatura.
Benefícios fiscais
O Tribunal de Contas da União (TCU) fiscalizou os descontos e benefícios fiscais – renúncias de receitas tributárias – concedidos pelo governo em 2025. Em comparação aos valores relativos aos benefícios concedidos em 2024, os números de 2025 apresentam redução de 23 para 21 atos que instituíram as respectivas desonerações, assim como também no valor estimado para os benefícios: de R$ 45,1 bilhões (2025 estimado) para R$ 4,2 bilhões (2025 efetivo). No entanto, quando são levados em conta também os respectivos valores para os 3 exercícios seguintes, foi verificada elevação das estimativas (24,2%), de R$ 135,5 bilhões (2025 a 2028) contra R$ 109,1 bilhões (2024 a 2027).
Inelegibilidade
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O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou por unanimidade, nesta segunda-feira (18), o ingresso da entidade como amicus curiae na ação que discute no Supremo Tribunal Federal (STF) dispositivos da Lei da Ficha Limpa. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.770 questiona o trecho da legislação que estabelece a inelegibilidade, por oito anos após o cumprimento da pena, de pessoas condenadas por decisão definitiva ou colegiada em determinados crimes, incluindo os casos envolvendo condenações por crimes contra a vida e a dignidade sexual. O caso está sob a relatoria do ministro Luiz Fux.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
