Se a sucessão ao governo de Minas está aberta – porque nem o campo bolsonarista nem o campo lulista referendaram as respectivas candidaturas que darão suporte aos palanques presidenciais no estado – , o mesmo não se pode dizer em relação à disputa ao Senado. As candidaturas estão postas. As coligações, não. A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) é o nome da federação PT, PCdoB e PV. O deputado federal Domingos Sávio (PL) é o indicado do PL de Jair Bolsonaro. Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Estado é o nome da federação União Progressista. E o senador Carlos Viana (PSD), é candidato à reeleição do partido do governador Mateus Simões. Áurea Carolina (Psol) é indicada pela federação Psol-Rede. Há também dúvidas: o deputado federal Aécio Neves (PSDB) decidirá concorrer? Filiado ao Novo, o influenciador paulista Marco Antônio Costa, o “Superman”, será o plano B para o Senado?


Nomes estão postos. Mas como essas federações e partidos irão se aglutinar é uma questão que dependerá de quem serão os candidatos ao governo. Se o senador Rodrigo Pacheco (PSB) decidir concorrer, a tendência é de que tenha o apoio do campo lulista e da federação União Progressista. Nessa hipótese, além da candidatura de Marília Campos – que dá sustentação à reeleição de Lula – a coligação teria Marcelo Aro, que, por seu turno, já teve anunciado formalmente o apoio do senador Cleitinho (Republicanos).


Também potencial candidato ao governo de Minas, se formalizar a sua candidatura, Cleitinho já anunciou que também apoiará Domingos Sávio e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). No PDT, Alexandre Kalil mantém conversas com o PSDB de Aécio Neves, mas, caso Rodrigo Pacheco não concorra, poderá ver aterrissar por gravidade a federação PT-PCdoB-PV em seu colo. No MDB, a candidatura ao governo de Gabriel Azevedo declara não ter intenção de se vincular nem a Lula nem a Bolsonaro e segue, pelo momento, em campanha sem definição de alianças, na expectativa da organização da disputa.


Qual será o peso da máquina administrativa na eleição do Senado em 2026? Entre 2002 e 2014, todos os seis candidatos eleitos para a representação de Minas Gerais no Senado tiveram o respaldo da máquina do estado ou das coligações majoritárias sustentadas pelos governadores nas sucessões estaduais. Eduardo Azeredo (PSDB) e Hélio Costa (MDB), em 2002; Eliseu Resende, então no extinto DEM, em 2006; Aécio Neves (PSDB) e Itamar Franco, na ocasião filiado ao PPS, em 2010; além de Antonio Anastasia, que era do PSDB, sagraram-se senadores nas urnas. Contudo, à medida em que as campanhas híbridas (misto de analógicas e digitais) entraram em declínio, essa dinâmica se alterou bruscamente.


O ano de ruptura foi 2018, quando a tecnopolítica se consolidou nas eleições ao governo de Minas e à Presidência da República. Em ambiente fértil, as narrativas antissistema – que eclodiram nas jornadas de 2013 – e, na sequência, no contexto do lavajatismo e da forte presença dos grupos políticos hegemônicas da extrema direita nas redes sociais, ascenderam em Minas Romeu Zema (Novo) e, no plano nacional, Jair Bolsonaro, então no PSL.


“TRANSIÇÃO”

As candidaturas vencedoras ao Senado em 2018 – Rodrigo Pacheco (PSB), então no União, e Carlos Viana (PSD), que era do PHS – tiveram campanhas que podem ser consideradas de “transição”. Por um lado, beneficiaram-se de características da nova era – a mobilização de setores da classe média e alta pelo voto contra Dilma Rousseff (PT), que candidata, encerrou a disputa na quarta posição. Em seu pior momento, o PT saíra do impeachment da presidente e assistira à prisão de Lula. Para tornar o quadro ainda mais difícil à campanha de Dilma Rousseff, o governo Fernando Pimentel à frente de um estado falido, devia fornecedores, prefeituras e atrasava salários. As forças políticas que no passado convergiriam ao Palácio Tiradentes, migraram para o ex-governador Anastasia. As candidaturas de Pacheco e Viana navegaram na onda “anti-PT” e sorveram da mesma fonte para uma considerável bacia compartilhada de votos arrancados pelos prefeitos aliados da coligação de Anastasia.


Em 2022, as eleições entraram em novo ciclo. Dois campos políticos no plano nacional, irreconciliavelmente polarizados se firmaram: Jair Bolsonaro (PL), de um lado; Lula (PT), do outro. O mesmo enfrentamento transbordou para as disputas ao governo de Minas e ao Senado. Na sucessão estadual, Romeu Zema (Novo) candidato à reeleição em coligação com partidos do Centrão, seguia na órbita do bolsonarismo. Na dinâmica da campanha, Zema não se posicionou publicamente a favor de Bolsonaro no primeiro turno para não perder o eleitor que votava em Zema e em Lula. Alexandre Kalil, então no PSD, se inseriu no campo do lulismo. O senador Carlos Viana, que estava no PL, foi “cristianizado” por Bolsonaro.


Para o Senado, havia apenas uma cadeira em disputa. Os campos bolsonarista – em apoio ao senador Cleitinho (Republicanos), então no PSC – e lulista – que respaldou a candidatura de Alexandre Silveira (PSD) – voltaram a se confrontar. Cleitinho, então deputado estadual que já se destacava por sua presença antissistêmica nas redes sociais, terminou a disputa com 41,46% dos votos, sem apoio do governo do estado. Alexandre Silveira, obteve 35,74% dos votos válidos como resultado da combinação de votos do campo lulista e de acordos com prefeitos. A sua presença nas redes era convencional. Zema fez campanha para o aliado Marcelo Aro (PP), à época deputado federal e coordenador do governo em Brasília. Diferentemente de outros tempos, em que a estrutura do Palácio comandava a eleição ao Senado, a chave virou. Não que a força da máquina não seja mais importante, porque é. Mas, sozinha, já não basta. Aro encerrou a campanha com 19,67% dos votos válidos. Em 2026, qual será a aposta?

 

 

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