O gesto de Rodrigo Pacheco
Em que pese Pacheco não pretenda anunciar, no ato da filiação, a sua pré-candidatura ao governo de Minas, com esse gesto sacramentará a disponibilidade.
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O senador Rodrigo Pacheco deixará o PSD nesta quarta-feira, às 20h, filiando-se ao PSB, diante dos expoentes da legenda, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o presidente nacional, João Campos, pré-candidato ao governo de Pernambuco. Também se filiará Jarbas Soares Júnior, ex-procurador geral de Justiça, que se desligou nesta terça-feira do Ministério Público do Estado. A solenidade será na sede do PSB, em Brasília.
Em que pese Pacheco não pretenda anunciar, no ato da filiação, a sua pré-candidatura ao governo de Minas, com esse gesto sacramentará a disponibilidade. Em linguagem política, é o que basta: Pacheco passará de não candidato à condição de pré-candidato ao governo de Minas. Dado o seu perfil de direita democrática, o senador tem potencial para ampliar o leque de alianças para além da Federação PT-PV-PcdoB e PSB, que integram o núcleo da coligação nacional em torno da reeleição do presidente Lula que, ontem, confirmou Alckmin na posição de vice.
Movimentos da base governista vinculada ao MDB à parte – que tentaram levar a legenda para a coligação formal à reeleição presidencial – ao anunciar que repetirá a chapa de 2022, Lula, na prática, desistiu de formalizar o relacionamento com o MDB. Fato é que, dos 27 diretórios, em 11 deles parlamentares e ministros trabalhavam pela aliança; em 16, lideranças locais se posicionaram em defesa de a legenda liberar estados para que, em observância aos seus interesses políticos, façam a sua escolha. Lula ou o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o que há pelo momento. As candidaturas que se anunciaram como eventual “terceira via” – Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) –estão na órbita bolsonarista: ainda não demonstraram habilidade para alcançar o eleitor independente – aquele que nem é Lula nem é Flávio Bolsonaro.
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Assim como o posicionamento do MDB em relação à disputa presidencial deverá se desintegrar em 27 unidades da federação e, quiçá, em 5.570 municípios, também o PSD, do candidato Ronaldo Caiado, vai se fragmentar entre os dois polos na maior parte dos estados. Minas Gerais ilustra o caso: o governador Mateus Simões, do PSD, candidato à reeleição, tem compromisso político com Zema e quer firmar palanque no estado com Flávio Bolsonaro. Para isso trabalha uma banda do PL.
Mas o PSD de Minas seguirá com o ministro Alexandre Silveira à frente do Ministério das Minas e Energia. E também o ex-ministro da Pesca, André de Paula, do PSD de Pernambuco, agora da Agricultura. Em 13 estados, principalmente Norte, Nordeste e Rio de Janeiro, o PSD deverá estar com Lula. Também a Federação União Progressista, até aqui sem posição formal na sucessão presidencial, tende a liberar as lideranças nos estados.
Dependerá da evolução do desempenho do governo Lula a intensidade do engajamento de partidos nos diferentes rincões do país. Chama-se expectativa de poder. Muito impulsiona Rodrigo Pacheco a concorrer ao governo de Minas com o respaldo de um presidente bem avaliado. Não é suficiente para ganhar a eleição, mas exerce poder gravitacional sobre as forças na política. O inverso é igualmente verdadeiro.
O quadro eleitoral em Minas vai, assim, se definindo com as pré-candidaturas que, caso sigam, estarão presentes nos debates: o senador Cleitinho (Republicanos), Mateus Simões (PSD), o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), o ex-presidente da Câmara Municipal Gabriel Azevedo (MDB) e de Rodrigo Pacheco, pelo PSB. Assim é, pelo momento. Até a próxima nuvem.
Sondagem
O PL nacional prepara uma ampla pesquisa para avaliar possibilidades de vice para a chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL). O senador Cleitinho (Republicanos) e o ex-governador Romeu Zema (Novo) e o professor e psiquiatra Augusto Cury estão entre os nomes testados.
Lançamento
O ato de lançamento da candidatura ao Senado Federal do deputado federal Domingos Sávio (PL) será em Belo Horizonte, com a presença de Flávio Bolsonaro. Ao dar a partida à campanha, Domingos Sávio passará o comando do PL em Minas ao deputado federal Zé Vítor.
Surpresa
Para alguns foi surpresa, para outros, nem tanto. A filiação do senador Carlos Viana, atualmente no Podemos, ao PSD foi precedida de longas conversas com o governador Mateus Simões. Na quarta-feira passada, Mateus e Viana jantaram em Brasília na tradicional Trattoria do Rosário. Viana será um dos nomes da chapa ao Senado. O segundo nome dependerá do ritmo das alianças. Caso o PL venha a se coligar com Mateus, Domingos Sávio será o candidato. Nessa hipótese, o secretário de estado de Governo, Marcelo Aro (PP) poderá concorrer em chapa autônoma da Federação União Progressista.
No Psol
A chapa da federação Psol-Rede para a Câmara dos Deputados está sendo considerada da “morte”: além da deputada federal Duda Salabert, que deixou o PDT, terá o deputado federal André Janones, que saiu do Avante, além da deputada federal Célia Xakriabá. Especialistas projetam apenas duas cadeiras para essa federação.
Sem destino
Ainda sem destino partidário, o deputado estadual Arlen Santiago, convidado pelo Avante para deixar a legenda. Arlen Santiago tampouco conseguiu acomodar a filha Laís, que também ser´s candidata à Assembleia Legislativa. Ela tentou o PL, mas não foi aceita. Ambos foram recusados na Federação União Progressista. O parlamentar não é o único que ainda procura pouso. Também o deputado estadual Roberto Andrade, que terá de se retirar do PRD, ainda não definiu para onde irá.
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Unanimidade
A deputada estadual Bella Gonçalves teve o nome aprovado por unanimidade pela Executiva Estadual do PT, nesta terça-feira. Ela deixou o Psol e vai concorrer para a Câmara dos Deputados pelo PT. Bella defendeu a federação do Psol-Rede com o PT-PV-PcdoB, como forma de dar unidade a um projeto de país. Foi voto vencido.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
