Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Um abre-alas de incertezas ronda Minas

Alguns interlocutores do senador entenderam, pelo relatar da história, que Pacheco será candidato, aguardando para isso a definição partidária

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Foi inconclusa a conversa do senador Rodrigo Pacheco (PSD) com o presidente Lula (PT), nessa quarta-feira (11/2), no Planalto. Antes que o parlamentar apresentasse ao presidente outras possibilidades de candidaturas nesse campo político, Lula insistiu: “A única opção é você”. Talvez tenha sido o momento em que Pacheco tenha compreendido o sentido das queixas do senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro, duro opositor de Lula nos últimos anos, não obstante tenha sido base dele em outros carnavais: “Ele é capaz de me seduzir em 15 minutos. É macio e jeitoso”. Assim explicava Ciro a aliados do petista porque evitara encontrar o presidente nos primeiros anos de seu terceiro mandato.

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Talvez Pacheco tenha entrado no gabinete presidencial inclinado a agradecer a honra do desafio, declinando, contudo, por motivos de foro íntimo. Não são recentes as confidências do senador a interlocutores de que gostaria de se dedicar mais à sua família, anseio inviável diante de uma campanha política. Pacheco contudo, disse a Lula que tem responsabilidades com o Brasil, com Minas Gerais e com a democracia. No momento certo, tomará a decisão.

Diz a etiqueta que uma conversa entre o presidente e o interlocutor só se comenta com terceiros se autorizado pelo primeiro. Alguns interlocutores do senador entenderam, pelo relatar da história, que Pacheco será candidato, aguardando para isso a definição partidária. Qual será o destino? O União Brasil? Será o MDB? Embora essas legendas caminhem, no plano nacional, para não formalizar coligação com nenhuma candidatura presidencial – liberando partidos nos estados e a ninguém entregando o tempo de antena –, Pacheco talvez preferisse um horizonte de mais certezas antes de articular a sua escolha. Outros interlocutores do senador, contudo, interpretaram a decisão de não decidir agora, como a de não se candidatar. Afinal, vai ter ou não folia?


Eis, portanto, a primeira grande incerteza que pede o “abre-alas” da alegria que tomará conta do país a partir deste sábado. Quem será o candidato ao governo de Minas no campo lulista? Até aqui sem um nome para chamar de seu, as duas candidaturas independentes mais próximas são as do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e a do ex-presidente da Câmara Municipal Gabriel Azevedo (MDB). Tadeu Leite (MDB), presidente da Assembleia Legislativa, nome cogitado para uma ampla composição, deverá ser eleito para a segunda vaga aberta de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), o que significaria deixar a vida político-partidária. Tadeu fará mesmo essa opção?

Mas não apenas o campo de oposição ao governo Zema vive o dilema de vazios. No campo bolsonarista, aliados do senador Cleitinho (Republicanos) sustentam que ele, líder das pesquisas de intenção de voto, será candidato ao governo de Minas. E o PL, de Jair Bolsonaro? Lançará candidatura própria em Minas, por exemplo, o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe, ou preferirá se coligar a Cleitinho? Internamente, a legenda enfrenta o racha: algumas lideranças em Minas articulam apoio ao vice-governador Mateus Simões (PSD). De outro lado, o bolsonarismo raiz, vinculado às forças de segurança, acumulam desgastes com o governo de Minas e declaram não apostar em Mateus Simões nem pela força de um exorcismo.

O destino do União Brasil, agora comandado em Minas pelo deputado federal Rodrigo de Castro, é igualmente incerto. O ex-presidente Marcelo de Freitas (União) conduzia a legenda para a adesão a Mateus Simões, o que foi revertido em Brasília, pela caneta do outrora aliado Antônio de Rueda. Rodrigo de Castro avisa: ainda não há uma construção para a sucessão estadual. O único compromisso da legenda é com a candidatura ao Senado de Marcelo Aro (PP), secretário de Estado de Governo. Aro poderá se salvar alinhavando o segundo voto em todos os balaios e não ficará na chuva. Mas tais compromissos não se estendem a Mateus Simões. Os principais partidos e jogadores correm em círculo. É como se Carlos Drummond de Andrade, em homenagem a Momo, se insurgisse sobre o carro de som para declamar: “O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. / O tempo pobre, o poeta pobre / fundem-se no mesmo impasse”.


Ao Senado

Com o nome sacramentado pelo grupo de trabalho estadual e nacional, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), se prepara para deixar a prefeitura para concorrer ao Senado Federal. “Fiz reunião com a minha equipe: tudo indica que irei concorrer, deixando cidade organizada. Tenho convicção de que o meu vice, Ricardo Faria (PSD), vai continuar e fazer melhor”, afirmou. Ricardo Faria ainda não definiu se permanecerá no PSD. “Ainda é cedo para resolver se fico ou saio”, diz, assinalando ser do grupo político de Marília Campos, que articulou o ingresso dele na legenda.


Chapa dos sonhos

Marília Campos diz que, na hipótese de o senador Rodrigo Pacheco (PSD) não concorrer ao governo de Minas, uma das possibilidades seria a candidatura de Alexandre Silveira (PSD), ministro de Minas e Energia. As duas candidaturas ao Senado Federal da chapa seriam destinadas a ela e ao ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) – que se lançou ao governo.

Blá-blá-blá

O vereador Helton Junior (PSD) criticou os projetos inócuos apresentados na Câmara Municipal, destinados a mobilizar debates e gerar engajamento nas redes, sem qualquer efeito prático. Em seu perfil do Instagram, ele apresentou, num carrossel de publicações, o debate que se estendeu por duas horas em torno de um projeto de lei que visa proibir a presença de crianças em blocos carnavalescos e outros eventos considerados “impróprios” pelo segmento ultraconservador na Câmara Municipal.

Militares

Sem acordo, a proposta de alteração no Código de Ética e Disciplina dos Militares não foi votada. O Projeto de Lei (PL) 924/23, do deputado Caporezzo (PL), institui a Transação Administrativa Disciplinar (TAD), que consistiria em um acordo entre o militar transgressor e a autoridade competente, por meio do qual o transgressor se comprometeria a cumprir determinadas medidas para evitar a aplicação de sanção disciplinar decorrente de processo administrativo.

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Polêmica

As deputadas Lohanna e Beatriz Cerqueira (PT) criticaram a proposta de Caporezzo, considerando que é prejudicial ao bom funcionamento da Polícia Militar. “O que a Assembleia vai fazer com a aprovação do projeto é autorizar a prática de atos contra a população, diminuindo a sua gravidade”, disse Beatriz Cerqueira. Os deputados Sargento Rodrigues (PL) e Caporezzo rebateram. Segundo eles, a TAD não é uma novidade no Direito Penal brasileiro e, se aprovado o projeto, as punições administrativas previstas para os PMs estarão sob o controle das autoridades militares.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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