Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Freire quer arrastar Cidadania para Republicanos

Roberto Freire está conseguindo inviabilizar a federação com o PSB, o que gera indignação entre os quadros históricos da legenda

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Após tomar judicialmente de Comte Bittencourt a presidência nacional do Cidadania, o ex-deputado federal Roberto Freire quer empurrar a legenda para o Republicanos de Tarcísio de Freitas, driblando a vontade de 69 dos 101 membros do diretório nacional, que trabalhava pela federação do Cidadania ao PSB. Freire esteve licenciado entre 2023 e 2025 da presidência do partido, período em que Comte foi eleito. Por uma falha técnica do cartório, a ata da reunião que oficializou a saída de Freire – e licença em caráter irrevogável –, deixaria lacunas que abriram a brecha: provocado pelo deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), tesoureiro do partido e líder da bancada, Roberto Freire judicializou. Aliado de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, Alex Manente (SP) contratou o prestigiado advogado Rodrigo Mudrovitsch.

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Ainda que exerça liminarmente a presidência – já que o mérito da ação não foi julgado – Roberto Freire está conseguindo inviabilizar a federação com o PSB , o que gera indignação entre os quadros históricos da legenda, que querem se manter no campo lulista e rechaçam a aproximação que Freire pretende impor com o bolsonarismo. Em reunião com os diretórios realizada por determinação judicial nessa segunda-feira, Roberto Freire cassou a palavra de Luzia Ferreira, portadora da proposta da maioria dos membros da executiva, segundo a qual fosse feita uma nova eleição do diretório nacional até a realização do Congresso Nacional, previsto para março, quando os delegados irão eleger o novo presidente.

“Percebemos na reunião membros históricos do Cidadania em profunda decepção com Roberto Freire. Ele perdeu a liderança sobre os delegados e filiados, mas quer se sustentar na presidência na base do autoritarismo. É um poder sem sentido que só prejudica partido em momento eleitoral”, afirma o presidente estadual do Cidadania, João Marcelo. A proposta de Roberto Freire de federar o Cidadania com o Republicanos representa, simbolicamente, o fim de uma longa história partidária, iniciada em 1922, com a fundação do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Em 1992, a legenda passou a se chamar Partido Popular Socialista (PPS). Dele, em 2019, originou-se o Cidadania.

Por 30 anos, Roberto Freire comandou a legenda, mas agora tenta impor uma direção política desconectada com as aspirações da maioria dos delegados – e dos militantes que se originam do PPS – de viés social democrata. “Temos convicção de que temos força e votos para, no congresso nacional previamente agendado para março, ganhar a presidência da legenda no voto”, afirma João Marcelo. Mas, a exemplo das manobras da mais recente reunião, há um temor de que Roberto Freire possa usar de novos artifícios para impedir a realização de um novo congresso para a eleição da presidência e diretório nacional, com ampla participação dos delegados.

Em Minas Gerais, o Cidadania não está sujeito a uma intervenção nacional, assinala João Marcelo. “Em dezembro, fizemos o congresso estadual, em que foi eleito o novo diretório estadual, com mandato de quatro anos. A eleição foi registrada em ata do cartório eleitoral, no Tribunal Regional Eleitoral e no Tribunal Superior Eleitoral”, esclarece. “Isso significa que temos segurança jurídica de ter cumprido o processo de ter eleito um diretório estadual. Temos certa autonomia e temos os nossos representantes no diretório nacional, eleito há quatro anos em 2022”, afirma. O Cidadania estuda o lançamento de candidatura ao governo de Minas. Nessta terça-feira, João Marcelo convidou Jarbas Soares, ex-procurador geral de Justiça para se filiar à legenda.


Candidatura

O presidente estadual do Cidadania, João Marcelo, chegou à casa de Jarbas Soares acompanhado de Luzia Ferreira, vice-presidente nacional do partido, e Eugênio Mansur, secretário geral da legenda em Minas, para formalizar o convite de filiação. Ainda no exercício do Ministério Público, Jarbas Soares afirmou que, neste momento, a legislação proíbe que tenha atividade político-partidária. Ele considerou que, caso decida concorrer à eleição de outubro, irá antes conversar com o senador Rodrigo Pacheco (PSD) e poderá se filiar ao Cidadania.

Sem convite

A deputada estadual Lohanna (PV) não foi formalmente convidada pelo governo do estado para a inauguração do Hospital Regional de Divinópolis. Lohanna é a autora da lei que autoriza o governo de Minas a ceder ao hospital para a União, possibilitando que ele se transforme em hospital universitário da Universidade Federal de São João del Rei, campus de Divinópolis. Sob a gestão federal, o hospital será 100% SUS e se tornará referência para toda a região.

Café solúvel

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou em Belo Horizonte, nessa segunda-feira à noite, que o presidente Lula viajará em março aos EUA para um encontro com Donald Trump. Na pauta, o alívio no “tarifaço”, principalmente para produtos do agronegócio que continuam sob sobretaxa norte-americana, como o café solúvel. “Atualmente, 22% das exportações brasileiras para os EUA estão sujeitas a tarifas. Queremos reduzir ainda mais esses índices, pois as exportações geram empregos e fortalecem a nossa economia”, disse.

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Ansiosos

Questionado por jornalistas se iria se candidatar ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin afirmou que ainda é cedo para tratar das disputas estaduais e disse haver uma ansiedade excessiva em torno do tema eleitoral. “Tem dois ansiosos na vida: políticos e jornalistas", disse. Segundo ele, as definições sobre candidaturas aos governos estaduais deverão levar em conta as lideranças locais. Entre os nomes do campo governista que podem entrar na disputa em São Paulo ele mencionou Fernando Haddad (PT), Márcio França (PSB), Simone Tebet (MDB) e Alexandre Padilha (PT).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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