Retirar Cleitinho: o nó ainda não desatado de Mateus
Olhando para o plano nacional, as notícias ainda não são promissoras para o vice-governador
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O vice-governador Mateus Simões (PSD) tem se esforçado. Em dezembro foi a Brasília gravar ao lado do senador Cleitinho (Republicanos), que celebrava a emenda constitucional de sua autoria que isenta de IPVA veículos com mais de 20 anos. Em janeiro, Mateus gravou com o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador, prometendo adiar para 2027 a vigência do decreto que alteraria a alíquota para distribuidoras de medicamentos. O pedido era do parlamentar. Nesta segunda, o vice-governador, pelas redes, postou encontro com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), anunciando que o governo de Minas atenderá toda e qualquer de suas demandas, porque ele foi o mais votado da história do estado.
PL e Republicanos. Legendas-alvo das tentativas de sedução de Mateus Simões, peças-chave na sucessão estadual. Sem alcançar a “unidade” desse campo bolsonarista com o seu PSD em Minas, a candidatura de Mateus correrá sério risco. O apoio da maior parte do PL mineiro, Mateus Simões tem: Nikolas será candidato à reeleição, para alegria de Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL. Resta Cleitinho. Até aqui, ele é o principal nó que atravancaria a vitória por WO, que Mateus Simões gostaria de emplacar nas eleições ao Palácio Tiradentes.
Como convencer Cleitinho, líder das pesquisas, a abandonar a corrida estadual? Enquanto com seu desempenho Cleitinho carreia a expectativa de poder, Mateus, ainda desconhecido, aposta na força da máquina e na debilidade da oposição. Neste momento, apesar das intensas agendas pelo interior – que assim como as de Romeu Zema pelo país, tentam “casar” eventos de campanha com algum elemento institucional –, Mateus segue com desempenho pífio. Pré-campanhas majoritárias podem ser muito frustrantes para quem as encara: o vice-governador roda loucamente este “país” chamado Minas sem que tamanho esforço se traduza em intenções de voto. Aliados miram desconfiados para a evolução dos indicadores de Mateus. Na bolsa de apostas a pergunta é: apresentará em sua trajetória sinais de que repetirá o modelo “Fuad Noman (2024)” ou o modelo “Délio Malheiros (2016)”?
O que separa Simões do modelo Fuad Noman é o contexto da disputa. Embora nenhum dos dois apresente por característica o “carisma” nato – aquela energia sedutora que desperta no eleitor o desejo de sonhar –, ambos têm em comum a máquina administrativa na mão para a construção mais pragmática de apoios e recursos da candidatura. Mateus também leva uma vantagem em relação a Fuad Noman. O quadro da sucessão estadual de 2026, está em processo de construção tardia: pela posição de incumbente, ele articula apoios e abre o saco de bondades; do outro lado, a oposição ao governo estadual ainda não se organizou. Diferentemente, Fuad Noman enfrentou muitos e fortes adversários.
Olhando para o plano nacional, as notícias ainda não são promissoras para o vice-governador. O União articula a filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD), o que poderá retirar a Federação PP-União do seu balaio de apoios partidários. O PSD kassabista reúne três governadores em sua legenda e arrasta a direita para fora da órbita bolsonarista, representada pela candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. Estará a vaga do senador ao segundo turno da disputa presidencial ameaçada? Será a hora de Flávio Bolsonaro exigir um palanque pra chamar de seu no segundo maior colégio eleitoral? Esse palanque pode levar o nome de Cleitinho, em aliança com o PL. Evitar tal cenário adverso à sua candidatura é o desafio de Mateus. O governador Romeu Zema (Novo), candidato ao Planalto, pode ser oferecido para vice de Flávio Bolsonaro, com o compromisso de que a família Bolsonaro convença Cleitinho a desistir, em favor de Mateus Simões. O senador teria o seu palanque presidencial no estado, já que Mateus não tem compromisso com a terceira via de Kassab com Zema na disputa. Mas há aí dois problemas. O primeiro: bolsonaristas olham Zema com desconfiança, principalmente depois de ter lançado a sua candidatura ao Planalto, contrariando a liderança de Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente é dado à desconfiança: dormia no Alvorada com a arma engatilhada, à cabeceira. Preferiria na chapa do filho Flávio um militar acostumado à hierarquia de comando. Se Zema desrespeitou a orientação antes de estar eleito, o que faria depois? O segundo problema: a base da segurança pública em Minas tem resistência a Zema e ao seu governo. Será que a presença do governador na chapa de Flávio Bolsonaro poderia prejudicar o desempenho dele nesse nicho considerado "raiz"?
Diz a lenda, que diante do enigma que paralisava o avanço sobre a Ásia, Alexandre, o Grande, não perdeu tempo com a paciência dos artesãos: sacou a sua carismática espada e cortou o nó Górdio. Aos seus exércitos, vendeu a versão definitiva de sua própria predestinação. Mateus Simões, contudo, não é Alexandre. Está diante de um nó político – a candidatura de Cleitinho e a desconfiança do clã Bolsonaro em relação a Zema – sem o brilho da lâmina que seduz. Romper esse emaranhado é condição para que não seja estrangulado e a lógica do mito não se inverta.
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BH, passado indígena
Belo Horizonte não foi construída em um vazio, mas sobre uma paisagem ancestral indígena que foi sistematicamente apagada. Em estudo inédito conduzido na capital mineira e região metropolitana, o grupo “Arqueologia de Belo Horizonte” encontrou vestígios materiais pré-coloniais que desafiam a narrativa de uma cidade sem passado indígena. Apesar de o banco de dados nacional do IPHAN não listar sítios pré-coloniais em Belo Horizonte, registros históricos comprovam sua existência. Nas décadas de 1930 e 1940, o pesquisador Aníbal Mattos documentou e publicou achados nas áreas do Horto Florestal (atual campus do Museu de História Natural da UFMG) e às margens do Córrego do Cardoso, atual Avenida Mem de Sá, no Bairro Santa Efigênia.
Fragmentos
No acervo do Museu de História Natural da UFMG encontram-se 158 fragmentos cerâmicos e uma vasilha completa provenientes do Horto Florestal, com características tecnológicas da tradição arqueológica Aratu-Sapucaí, associada aos povos indígenas pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê. Já sobre o Córrego do Cardoso, o colecionador Raul Tassini reuniu, ao longo de 30 anos, cerca de 200 lâminas de machado polido. Na Região Metropolitana há o registro de 138 sítios pré-coloniais. É região internacionalmente conhecida pelas pesquisas pioneiras de Peter Lund, em Lagoa Santa, no século 19, que revelaram esqueletos de até 11 mil anos, como o de "Luzia".
O grupo
“A arqueologia pode contribuir com as populações indígenas, como os Borúm-krem, Xakriabás, Krenak, Pataxó e tantos outros que hoje lutam em Minas Gerais, tenham mais ferramentas para reivindicar sua ancestralidade e conexão profunda com a terra”, sustentam os pesquisadores do grupo, integrado por Lílian Panachuk, do Departamento de Antropologia e Arqueologia da UFMG, os doutorandos Paulo Campos, Amanda Diniz, Rogério Tobias Junior e o mestrando Pedro Augusto Menezes.
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PSB
O presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, se reunirá nesta terça-feira, em Belo Horizonte, com Otacílio Neto Costa Mattos, presidente estadual da legenda e prefeito de Conceição do Mato Dentro. Ambos conversam sobre formação das chapas proporcionais para a Assembleia de Minas e Câmara dos Deputados. E também o leque de alianças da legenda na disputa ao governo de Minas e na sucessão presidencial.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
