Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

O banquete de Kassab e a dieta de Mateus

O cenário que se desenha na corrida ao Palácio do Planalto tem ingredientes que podem trazer preocupação ao vice-governador Mateus Simões (PSD)

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Com a filiação de Ronaldo Caiado, o PSD de Gilberto Kassab reúne, agora, três governadores de oposição, pré-candidatos à Presidência da República, em tentativa de formação de uma terceira via. Ainda que dado o contorno da disputa nacional – que na hipótese de segundo turno tem por mais provável o enfrentamento entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – Kassab segue engordando o seu cacife na rodada.

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Até pela maior chance de ocorrência do embate entre lulistas e bolsonaristas, Kassab tem tudo para atravessar a eleição mantendo a interlocução com Lula e com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo empurrado à reeleição pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nele, Kassab estava pronto a investir o maior lance de sua aposta. O presidente nacional do PSD é do time de Tarcísio de Freitas, onde está também a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).

O cenário eleitoral que se desenha para a sucessão presidencial está consolidado, mas, como tudo na vida – e também na política – não é imutável. Tão logo a já precificada transferência de Jair Bolsonaro da Papudinha para a prisão domiciliar se concretize, Michelle vai seguir lutando junto ao marido para reabilitar Tarcísio de Freitas na corrida presidencial. Nutre a expectativa de que ela própria venha a compor a chapa como vice. Contudo, a menos que fatores aleatórios e externos interfiram nesse processo, a aposta da ex-primeira-dama é de sucesso improvável.

Dentro da cultura patriarcal que professa, Bolsonaro é cioso de seu próprio clã, nunca teve intenção de entregar o seu legado a terceiros não sanguíneos e, adicionalmente, não suportaria ver a mulher em posição de comando, acima dele. Tudo aponta para que Flávio seja mesmo o nome, para desespero do mercado financeiro, do setor produtivo e de viúvos e viúvas de Tarcísio, que viam no governador de São Paulo perspectiva de melhor desempenho nas urnas. Lula costuma afirmar que não escolhe adversários. Mas é inegável que se pudesse, preferiria Flávio Bolsonaro. Assim deverá ser.

O cenário que se desenha na corrida ao Palácio do Planalto tem ingredientes que podem trazer preocupação ao vice-governador Mateus Simões (PSD), candidato ao governo de Minas. Até aqui, entre os dois pré-candidatos formalmente anunciados – Alexandre Kalil (PDT) e Gabriel Azevedo (MDB) – Simões tem a campanha mais avançada. Dá como favas contadas a aliança com a Federação União-PP. Trabalha para arrematar ao seu balaio o PL. E, se realmente concluir a missão de convencer o senador Cleitinho (Republicanos) a desistir da disputa, sonha em ter também o Republicanos em seu leque de alianças. Nessa bocada, engoliria mais da metade do tempo de antena.

Mas nem tudo que reluz é ouro. No plano nacional, o movimento de Caiado é também sinalização de que o grupo de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Congresso Nacional, poderá levar a melhor dentro do União com a sua tese de que a legenda não se vincule formalmente a uma candidatura nacional, assim liberando o partido nos estados. A reboque desse movimento, Alcolumbre trabalha pela filiação do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao União.

Ainda que não concorra ao governo de Minas – o que ainda não está definido –, a eventual filiação de Pacheco tende a ter efeitos sobre a posição da Federação União-PP na sucessão estadual. Ao mesmo tempo, o PL de Valdemar da Costa Neto, por mais tão somente focado que esteja na eleição de deputados federais, será pressionado por Flávio Bolsonaro para viabilizar palanque próprio em Minas Gerais. Dividido, o bolsonarismo mineiro que vinha aos trancos e barrancos consolidando a aliança com Simões, poderá se ver forçado a ressuscitar a candidatura de Cleitinho, garantindo a Flávio Bolsonaro o que ele precisa. Tal é o horizonte que se abre, a partir do cenário nacional.

Se até aqui Mateus Simões vinha agregando apoios no vácuo da disputa, que lhe colocariam diante de três palanques presidenciais, tanta fartura, em política, costuma ter efeito reverso. Marshall Berman, parafraseando dois autores clássicos odiados pelo bolsonarismo, assim titulou a sua obra: “Tudo que é sólido desmancha no ar.”


No Senado

1O Grupo de Trabalho Eleitoral do PT indicou, por unanimidade, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado Federal, em reunião nesta quarta-feira. O nome deve ser homologado em reunião do diretório estadual em fevereiro.


Chama acesa

O presidente Lula ainda não desistiu de ter o senador Rodrigo Pacheco (PSD) na disputa ao governo de Minas. Quem afirma é a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, que reiterou o desejo do presidente de conversar com o parlamentar nos próximos dias, antes de decidir a chapa que vai concorrer em Minas. Até aqui, o PT articula a candidatura da reitora da UFMG, Sandra Goulart.


Fiemg

O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, informou à diretoria da entidade que pretende se desincompatibilizar da presidência em abril. O empresário quer estar disponível para disputar as eleições, inclusive o governo de Minas. O PL é o destino mais provável.


Acordo de líderes

Líderes partidários da Câmara dos Deputados firmaram acordo, em reunião nesta quarta-feira, para manter, ao longo do ano, a atual distribuição das comissões. A única alteração será nos nomes indicados por cada sigla para as presidências dos colegiados. A Comissão de Minas e Energia é a única exceção: antes sob comando do PSD, será presidida pelo PL, em troca da Comissão de Agricultura. A presidência da Comissão Mista de Orçamento alterna anualmente entre indicações da Câmara e do Senado. Em 2024, coube ao PP, com Julio Arcoverde (PP-PI); em 2026, será a vez de um parlamentar do PSD.

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Partilha

União Brasil e PT comandam as duas comissões mais importantes: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por onde passam todos os projetos de lei, e a Comissão de Finanças e Tributação (CFT), responsável por analisar propostas com impacto econômico. A Federação PT-PCdoB-PV ficará com seis comissões. Além da CFT, presidirá Cultura, Direitos Humanos, Amazônia e Povos Originários, Fiscalização Financeira e Controle e Defesa do Consumidor. O PL aparece em seguida, com as comissões de Minas e Energia, Relações Exteriores, Saúde, Turismo e Segurança Pública.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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