Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

Estar no PSD ou no PL, eis a questão de Mateus

Romeu Zema pode resolver esse impasse, deslocando-se para a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. É uma situação que não está dada, mas pode ser constru

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Em 2006, aliados do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), consideravam natural o apoio dele à candidatura de Geraldo Alckmin, à época também tucano. Mas a dobrada que se consolidou foi batizada de “Lulécio”: eleitores cravaram Lula e Aécio nas urnas e nenhum aliado em Minas tentou convencê-los do contrário. Em 2010, igualmente, o então governador Antonio Anastasia considerava natural apoiar José Serra (PSDB). Mas “Dilmasia” foi a charada que se desenhou na cabeça do eleitor mineiro. As urnas apontaram a realidade: políticos e partidos nem sempre transferem votos. Não se lhes deve atribuir o poder de uma lei de gravidade; eles definitivamente não operam bem sobre o terreno magnético em que se assenta o eleitor.

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Poucos dias após balançar a sucessão reunindo no PSD três governadores presidenciáveis de oposição, Gilberto Kassab observa os movimentos de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sepultada momentaneamente a hipótese de Tarcísio ao Planalto, Kassab diz que considera “natural” o apoio do governador a Flávio Bolsonaro (PL), escolhido pelo pai para carregar o legado eleitoral da família.

Em política, contudo, o “natural” não passa de ficção retórica. A natureza é a máscara da conveniência, até que seja fagocitada pelas circunstâncias. Tarcísio diz que apoia Flávio. Michelle Bolsonaro, idem. Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, também. Os três sonharam com uma chapa à sucessão presidencial encabeçada por Tarcísio tendo Michelle de vice. Agora que a porta da realidade lhes bate à cara, recuam porque seguem dependentes do comando do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O primeiro porque não convém soar “desleal”. A segunda, porque não pode trair a vontade do patriarca do clã, de onde brota a coesão do bolsonarismo raiz. E o terceiro porque o que importa é eleger deputados federais, que engordam os bilionários fundos eleitoral e partidário. Sem o bolsonarismo orgânico, não há bancada. Sem bancada, não há dinheiro.

Mas o que se antevê ao longo da campanha presidencial: se o eleitorado antipetista não bolsonarista – estimado em cerca de 20% – identificar na terceira via maior probabilidade de vitória contra a reeleição do presidente Lula (PT) no segundo turno, não haverá Tarcísio algum. A Flávio Bolsonaro restará o eleitorado raiz. Será suficiente para levá-lo ao segundo turno? No primeiro, a disputa será dura entre o PSD de Kassab e Flávio Bolsonaro. São adversários. Ponto. No segundo turno, a disputa será duríssima entre o vencedor da primeira batalha e Lula. Não à toa, a terceira via construída por Kassab está burilando a imaginação das elites financeiras e produtivas.

Por tudo isso, é uma construção que nasce forte, apesar do favoritismo de Flávio Bolsonaro neste momento, como indicam as pesquisas, como provável candidato ao segundo turno para enfrentar Lula. É nesse contexto que o clã Bolsonaro chega à conclusão de que precisa ter palanques fortes e exclusivos nos estados. Por si, é este motivo suficiente para que a família Bolsonaro reavalie se, em Minas, seguirá cortejando o PSD de Mateus Simões e o Novo do governador Romeu Zema. É esperado que o PL reavalie o noivado com Mateus Simões.

Para o vice-governador, contudo, ter o PL não é um capricho. Igualmente, impedir o senador Cleitinho (Republicanos) de concorrer é para Mateus Simões questão de sobrevivência. Romeu Zema pode resolver esse impasse, deslocando-se para a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. É uma situação que não está dada, mas pode ser construída. Seria a única forma de salvar Mateus Simões de um embate à direita na sucessão estadual. Mas, nessa hipótese, faria mais sentido Mateus Simões no PSD ou no PL? No Brasil, a política não se planta, se inventa, e quem insiste em colher o “natural” poderá ser cristianizado no altar do pragmatismo.

Segundo derradeiro

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que opera em campo adversário a Mateus Simões, tem confidenciado a aliados que só deixará o PSD no derradeiro segundo permitido em lei. O ministro é candidato ao Senado Federal e irá se desincompatibilizar até 4 de abril. Assim como a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), Alexandre Silveira terá o apoio do presidente Lula.

No PSB

O presidente nacional do PSB, João Campos, participará em Belo Horizonte na próxima segunda-feira (2) de reunião com pré-candidatos da legenda à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa. O PSB e Alexandre Silveira têm mantido conversações: caso se filie, ele poderá concorrer ao Senado pela legenda, que está no campo de Lula.

Na pauta

O presidente estadual do PL, deputado federal Domingos Sávio, tem reuniões na semana que vem com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e o senador Flávio Bolsonaro. “Não podemos fazer nenhum movimento sem considerar o palanque para Flávio Bolsonaro. Diante desse cenário, mantivemos conversa com Mateus Simões, Cleitinho e outras lideranças”, afirma. “Não está descartado o diálogo com ninguém. Eu como presidente tenho de ser elemento que pacifica”, afirma Domingos Sávio.

Hora da corrida

Se até aqui os movimentos da sucessão estadual apresentaram avanços e recuos, agora, ao longo de fevereiro e março, o ritmo irá se intensificar. O calendário de referência é a janela partidária, prazo que se inicia em 6 de março e se estende até 5 de abril, no qual deputados estaduais e federais podem mudar de legenda sem perder o mandato. Na conclusão do processo, é esperado que o cenário das disputas majoritárias esteja desenhado.

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Crime organizado

A Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) assinaram nessa quinta-feira um acordo de cooperação que formaliza a reintegração da PRF à Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). A iniciativa visa alinhar a atuação institucional entre os órgãos, com foco no fortalecimento das ações integradas de inteligência e no enfrentamento ao crime organizado. A Ficco é uma estrutura de cooperação criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com órgãos estaduais e federais.

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