Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
EM MINAS

O encontro de Mateus com o cisne negro

Do alto da máquina do Estado, Mateus Simões voltou a ignorar a "incerteza selvagem", transmitindo a sensação de controle do cenário político

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Até 1697, os europeus acreditavam na existência apenas de cisnes brancos. Naquele ano, avistaram, pela primeira vez, um cisne negro, na Austrália. Depois de ocorrido, aquele improvável acontecimento para incrédulos se tornaria objeto de análises que buscavam a previsibilidade. Em “A lógica do cisne negro”, o ensaísta e pesquisador libanês Nassim Taleb nos brinda com um tratado sobre a cegueira diante do evento “inesperado”, que está fora das expectativas, mas causa um impacto profundo e provoca a explicação retrospectiva de quem o sofre. Não se passaram 24 horas da declaração do vice-governador Mateus Simões (PSD) em entrevista exclusiva ao Estado de Minas: “O União Brasil está comigo. Palavras do presidente Rueda (...)”. Mas eis que Mateus Simões encontrou nesta quarta-feira o seu cisne negro. Nada que até as pedras não soubessem. Mas, ao que tudo indica, não o vice-governador. Do alto da máquina do estado, Mateus Simões ignorou mais uma vez a “incerteza selvagem” em favor da sensação de que tem o controle sobre o ambiente político.

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Rueda esteve nessa segunda-feira em Belo Horizonte, em encontro com o deputado federal Rodrigo de Castro (União) e o secretário municipal Guilherme Daltro. O primeiro, aliado de Rodrigo Pacheco, vai assumir a presidência da legenda em Minas, em substituição ao deputado federal Marcelo de Freitas, que por seu turno deixará o União para se filiar ao PL. Já Guilherme Daltro representa o prefeito Álvaro Damião (União), igualmente aliado de Pacheco, articulador da chapa Fuad Noman (PSD)-Álvaro Damião (União). A troca de comando em Minas foi acertada no âmbito da cúpula do União entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e Antonio de Rueda. Rodrigo Pacheco – de quem Mateus Simões tomou o PSD – pretende se filiar ao União, em data ainda não definida, possivelmente após o carnaval. Chumbo trocado. Para Mateus, tão incômoda presença na legenda significa que é grande a chance de que a sua coligação – até aqui anunciada com nove partidos – fique desfalcada do principal deles – o União – que, federado ao PP, representa 20% do tempo de antena da campanha.

A “baixa” em seu anunciado leque de alianças só não é pior neste momento para Mateus Simões porque a expectativa de filiação de Pacheco ao partido dá sinais ao mercado eleitoral que ele possa vir a ser candidato. Não há confirmação alguma. Mas as percepções estão aguçadas com a possibilidade de uma reaglutinação do campo de oposição ao governo Zema no estado. Seria a segunda reviravolta da sucessão mineira, que, na terça-feira, foi impactada pelo anúncio do senador Cleitinho (Republicanos), líder das pesquisas de intenção de voto, de que vai suspender, por tempo ainda não determinado, as conversas em torno de sua candidatura para se dedicar ao irmão mais novo, que está com leucemia, a quem o parlamentar doou a medula, há 18 anos.

A sucessão mineira segue, até aqui, tendo por certas as candidaturas anunciadas: do ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), do ex-presidente da Câmara Municipal Gabriel Azevedo (MDB) e do próprio Mateus Simões. Entre os pássaros voando estão, além de Rodrigo Pacheco, Tadeu Leite, presidente da Assembleia; Luís Eduardo Falcão (sem partido), prefeito de Patos de Minas e presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM); a reitora da UFMG, Sandra Goulart; o deputado federal André Janones, que vai se filiar à Rede; e o ex-procurador geral de Justiça Jarbas Soares.

O futuro é imprevisível. Já na política, quando se ignora o que os atores dizem e se foca no que eles precisam para sobreviver, há boa dose de previsibilidade. Neste momento, o erro não é desconhecer o futuro, mas acreditar que o poder pode domesticar o ambiente e os jogadores.


Desmentido 1

A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) usou a tribuna da Assembleia Legislativa, nessa quarta-feira, para desmentir declarações do vice-governador Mateus Simões em entrevista ao Estado de Minas e reiterar que a ligação que recebeu dele “foi uma ligação de ameaça”, não relacionada à sua atuação como parlamentar e vice-líder do governo. A deputada veio a público expor que Mateus lhe telefonou para exigir de Luís Eduardo Falcão, seu marido, pedido de desculpas por críticas que fez ao governo. Caso contrário, a parlamentar não teria mais nenhuma demanda das bases atendida. Em entrevista ao EM, Mateus declarou que telefonou à deputada, não à mulher do prefeito.


Desmentido 2

Também citado por Mateus Simões, Gabriel Azevedo desmente que o vice-governador tenha sido seu professor, como menciona na entrevista. Mateus Simões deu aulas na Faculdade Milton Campos, onde Gabriel também estudou. Mas não foi seu professor. Atualmente, quem dá aulas na Milton Campos é Gabriel Azevedo; Mateus, não mais.

Motivação

Em resposta a Mateus Simões de que ele não seria “o nome ideal do MDB” para concorrer ao governo de Minas, porque seria um ex-vereador sem mandato, Gabriel Azevedo se disse motivado pelas críticas. “Fui vereador por oito anos, cumpri a minha palavra de não abandonar nem o primeiro, nem o segundo mandato de vereador e ainda fui presidente da Câmara. Mas, quando Romeu Zema concorreu, ele também não era o nome mais importante do partido dele e estava sem mandato. Mas, ao contrário dele, com muito orgulho, fui vereador, o cargo mais importante da República, aquele que está mais próximo da população.”


Conferência de cúpula

A agricultura de precisão, a agricultura regenerativa e os impactos da reforma tributária no agronegócio são alguns dos temas que serão abordados na próxima Summit Conference 2026, realizada em 5 de maio, pela Academia Latino-Americana do Agronegócio (Alagro), com patrocínio do Lide Minas Gerais. O evento, que será no Centro de Convenções da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), irá reunir os principais players do agronegócio brasileiro e internacional. Segundo Manoel Mário de Souza Barros, diretor-presidente da Alagro, são também temáticas centrais do evento a energia limpa, o mercado de carbono e o potencial do Brasil no mercado global com as suas reservas de terras raras e minerais críticos.

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Vaga no TCE

O plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu início, nessa quarta-feira , ao processo para preenchimento de uma das duas vagas de conselheiro ainda em aberto no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG). Foi lido em plenário o prazo para a inscrição de deputados estaduais interessados em concorrer às cadeiras, com uma janela de 10 dias para a apresentação das candidaturas. São nomes na disputa Thiago Cotta (PDT), Ione Pinheiro (União), Ulysses Gomes (PT) e Sargento Rodrigues (PDT).

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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