Anna Marina
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COLUNA ANNA MARINA

Burnout e ansiedade em profissionais de alta performance

Um trabalhador mentalmente exausto perde o reflexo e a atenção, isso aumenta drasticamente a chance de acidentes graves

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Na sexta-feira passada, escrevi sobre os problemas mentais que têm afetado os colaboradores nas empresas. Hoje, retomo o tema abordando outros aspectos. Se o número de profissionais com burnout é alto, em funções ditas “normais”, para os chamados "high achievers" ou profissionais de alta performance, o risco é paradoxal: as mesmas características que os levam ao sucesso – perfeccionismo, resiliência extrema e foco – são as que os tornam vulneráveis.

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A eficiência, que é uma qualidade fundamental para o profissional, se torna uma armadilha. Quanto mais o profissional entrega, mais trabalho recebe. Isso cria um ciclo vicioso no qual o descanso é visto como "fraqueza" ou perda de produtividade.


Outro fator que entra em cena é a ansiedade por antecipação, ou seja, a pressão constante por resultados futuros gera um estado de alerta permanente, e isso impede o desligamento mental, o "Always On", expressão usada em inglês para se referir a isso.


Outro perigo é quando a identidade da pessoa está totalmente fundida ao trabalho. Quando o valor pessoal do indivíduo está 100% atrelado ao sucesso profissional, qualquer falha no trabalho é sentida como um colapso pessoal, aumentando a ansiedade a níveis patológicos.


Já ouviu falar no fenômeno "Adoecimento invisível"? Esse termo descreve patologias que, ao contrário de uma perna quebrada, não são detectáveis à primeira vista. No ambiente corporativo, ele se manifesta de várias maneiras.


Corpo presente, ou presenteísmo, é quando o colaborador está fisicamente no posto, mas sua produtividade e saúde mental estão ausentes.


Medo de preconceito e silêncio. O medo de ser julgado como "fraco", de ficar estigmatizado ou de perder oportunidades de promoção faz com que os profissionais mascarem sintomas até o ponto do colapso.
Cultura da toxicidade velada: ambientes que celebram o "trabalhe enquanto eles dormem" normalizam o sofrimento, tornando a exaustão um símbolo de status.


A legislação e as empresas modernas estão começando a tratar a saúde mental com o mesmo rigor técnico dos riscos biológicos ou químicos. Mas por que o problema da saúde mental um risco ccupacional?
Um trabalhador mentalmente exausto perde o reflexo e a atenção, isso aumenta drasticamente a chance de acidentes graves em operação de máquinas, ferramentas, direção etc. Atualmente, o colaborador está mais assistido e amparado, legalmente, por problemas corporativos. As empresas podem ser responsabilizadas civilmente por danos psicológicos causados por ambientes hostis ou assédio moral.

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O investimento nesta área está sendo feito por uma obrigação legal, mas colaboradores com problemas de saúde mental impactam diretamente o EBIDA. Afinal, o turnover e absenteísmo gerados por esses tipos de problemas custam bilhões à economia global, anualmente.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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