JANEIRO BRANCO

Transtornos mentais são problemas estruturais e crescentes no Brasil

País é o mais ansioso do mundo, com cerca de 18 milhões de diagnósticos, e também lidera os índices de depressão na América Latina

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O primeiro mês do ano costuma ser associado à ideia de recomeço, reorganização da vida e renovação de expectativas, mas para milhões de brasileiros, janeiro representa exaustão emocional, frustração e adoecimento psíquico. É nesse cenário que a campanha Janeiro Branco precisa ser compreendida, como um chamado de urgência e reflexão para os cuidados com a saúde mental da população brasileira, que sofre com números alarmantes.

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Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o país como o mais ansioso do mundo, com cerca de 18 milhões de diagnósticos, liderando ainda, os índices de depressão na América Latina e entre os cinco países mais afetados globalmente. Belo Horizonte também entra nessa realidade - é considerada a segunda capital brasileira mais depressiva, segundo dados da pesquisa Vigitel.

Ainda assim, segundo a neurocientista, psicanalista e especialista em saúde emocional, Ângela Mathylde Soares, os números não revelam a dimensão do problema, uma vez que o subdiagnóstico, o acesso desigual aos serviços e o estigma social seguem invisibilizando grande parte do sofrimento psíquico.

Durante décadas, a saúde mental ocupou um lugar marginal nas políticas públicas, na educação e até na formação profissional. O motivo para tal está ligado à herança manicomial, marcada por exclusão, violência institucional e desumanização, que construiu uma cultura de medo e silêncio, gerando a ideia de que o cuidado da mente é algo ligado a pessoas loucas e incapazes.

Do ponto de vista neurocientífico, sabe-se que os transtornos mentais não são escolhas individuais e nem falhas morais. Ângela explica que a condição envolve alterações reais no funcionamento cerebral, especialmente, entre os sistemas responsáveis pela regulação emocional, resposta ao estresse, memória, atenção e tomada de decisões.

A rotina de hiper exigência, insegurança econômica, vínculos fragilizados, excesso de estímulos digitais e ausência de políticas preventivas levam ao adoecimento do sistema nervoso, pois passa a operar em modo de sobrevivência.

Com o estado de alerta contínuo, o excesso do hormônio do estresse compromete habilidades como a memória, aprendizagem e regulação emocional, resultando em esquecimentos frequentes, dificuldade de concentração e fadiga mental persistente.

A situação explica porque as pessoas em sofrimento psíquico apresentam impulsividade, rigidez cognitiva, dificuldade de resolver problemas e sensação constante de perda de controle. “Na prática, o sistema emocional grita, enquanto o sistema racional perde a capacidade de mediação”, afirma a neurocientista.

A depressão afeta diretamente o humor, a motivação, o prazer e a percepção de futuro. Nos transtornos de ansiedade, o organismo permanece em estado de alerta permanente, gerando sintomas físicos, como taquicardia, sudorese, tensão muscular, insônia e dores sem causa orgânica aparente.

Já no burnout, cada vez mais frequente entre trabalhadores da saúde, educação e áreas de alta demanda, nota-se uma exaustão neurofisiológica, em que o cérebro perde a capacidade de alternar entre esforço e recuperação.

Assim, com o adoecimento cerebral, ocorrências como o aumento no número de afastamentos do trabalho se tornam inevitáveis. Apenas em 2024, as estatísticas da Previdência Social indicam 472.328 afastamentos devido a transtornos mentais. O número é 68% maior que no ano anterior.

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A incorporação efetiva das neurociências às políticas públicas, à educação e à saúde é um caminho sem retorno. Ângela alerta que o Janeiro Branco não é apenas mais uma campanha no calendário. "Cuidar da saúde mental é, literalmente, cuidar do cérebro e enquanto se insistir em silenciar o sofrimento psíquico, o adoecimento em massa continuará sendo comum."

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