Anna Marina*
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ANNA MARINA

Como conversar com crianças sobre frustração e limites sem culpa ou grito

Frustrar não é ferir. Quando evitamos qualquer desconforto, tiramos da criança a chance de desenvolver recursos emocionais importantes

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Dizer “não” aos filhos ainda é uma das maiores dificuldades de muitas famílias. Entre o medo de frustrar e o cansaço de ceder o tempo todo, pais e responsáveis vivem uma sensação constante de culpa.

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Para Cristiane Cristo, diretora pedagógica da Start Anglo Bilingual School do Rio de Janeiro, essa tensão revela um equívoco comum na educação contemporânea. A frustração não é um problema a ser evitado. É uma experiência necessária para o desenvolvimento emocional.


Ela afirma que frustrar não é ferir, é ensinar a criança a lidar com a realidade, com limites e com o outro. Quando evitamos qualquer desconforto, tiramos da criança a chance de desenvolver recursos emocionais importantes.


Segundo a educadora, proteger em excesso pode enfraquecer emocionalmente. Crianças que nunca escutam um “não” tendem a ter mais dificuldade para lidar com espera, regras, conflitos e contrariedades ao longo da vida.


Cristiane explica que muitos adultos associam limites a autoritarismo ou falta de afeto, quando, na verdade, o limite é uma forma de cuidado. A criança precisa saber até onde pode ir. Isso ajuda a organizar emoções e comportamentos. Quando tudo é permitido, ela fica insegura, mesmo que não saiba explicar.


Lembro até hoje a primeira vez que levei minha filha ao pediatra, o saudoso dr. Múcio de Paula. Ao final da consulta, ele me disse: “Mãe, nunca se esqueça, ‘não’ é ‘não’, ‘sim’ é ‘sim’. Isso nunca pode mudar. Se não tiver certeza da resposta que vai dar, diga que vai pensar ou talvez. Mas nunca mude um ‘não’ para ‘sim’, e vice-versa”. Quando o adulto diz ‘não’ e volta atrás repetidamente, a criança aprende que insistir funciona. Isso aumenta o desgaste e enfraquece a autoridade.


Para a especialista, o tom da conversa é tão importante quanto o conteúdo. Gritos, ameaças ou longas explicações no auge da emoção tendem a gerar mais conflito. O adulto precisa sustentar o limite com calma, clareza e empatia. A criança aprende muito mais com a forma como o limite é colocado do que com o limite em si.


Cristiane destaca que aprender a lidar com frustração é um treino para a vida adulta. O papel do adulto não é eliminar o desconforto, mas ajudar a criança a atravessá-lo.


Cristiane compartilha exemplos de falas que ajudam a validar o sentimento da criança sem abrir mão do limite:


“Eu entendo que você ficou chateada. Mesmo assim, hoje não vai dar.”


“Eu sei que você queria muito. É difícil lidar com isso.”


“Eu estou aqui com você enquanto passa.”


“Pode ficar bravo. O limite continua.”


“Seu sentimento é importante, mas a decisão é essa.”


Educar não é garantir felicidade constante, mas preparar a criança para lidar com a vida real.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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