Sono de má qualidade e risco de câncer
Pesquisas apresentados no Asco 2026 sugerem que padrões de sono irregulares em pessoas mais jovens podem ser um fator contribuinte
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Sono de má qualidade pode estar associado ao aumento do risco de câncer em pessoas com menos de 50 anos, segundo estudos recentes. As descobertas reforçam os esforços crescentes para explicar por que as taxas de câncer estão aumentando entre adultos mais jovens em todo o mundo.
A má qualidade do sono pode estar contribuindo para o aumento global de diagnósticos de câncer em pessoas com menos de 50 anos, sugerem dois grandes estudos.
O número de pessoas mais jovens diagnosticadas com a doença cresceu quase 80% em três décadas. Os casos mundiais de câncer de início precoce aumentaram de 1,82 milhão em 1990 para 3,26 milhões em 2019, enquanto as mortes por câncer entre pessoas na faixa dos 30 e 40 anos — ou mais jovens — subiram 27%.
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Especialistas ainda tentam entender as razões por trás desse aumento. No entanto, pesquisas apresentadas na maior conferência de câncer do mundo — a reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco), em Chicago deste ano — sugerem que padrões de sono irregulares em pessoas mais jovens podem ser um fator contribuinte.
Dois estudos liderados por pesquisadores da Jefferson Health New Jersey, em Stratford (Nova Jersey), e do Ochsner MD Anderson Cancer Center, em Nova Orleans (Louisiana), analisaram dados de saúde de mais de 18 milhões de adultos nos EUA, com idades entre 18 e 50 anos.
Os pesquisadores constataram que pessoas com padrões de sono inadequados apresentavam maior probabilidade de desenvolver câncer de intestino, mama, útero ou ovário de início precoce. Em alguns casos, pessoas com menos de 50 anos diagnosticadas com insônia tinham três vezes mais chances de desenvolver câncer em um período de cinco anos.
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Essas descobertas sugerem que a perturbação do sono pode representar um fator de risco clinicamente relevante e potencialmente modificável na estratificação de risco para câncer de início precoce, justificando investigações adicionais.
Identificar as causas do aumento das taxas de câncer entre adultos mais jovens tornou-se uma prioridade global de saúde. Mais de 1 milhão de pessoas com menos de 50 anos morrem de câncer todos os anos, segundo uma pesquisa publicada na prestigiada revista BMJ Oncology.
Especialistas não envolvidos nos estudos receberam bem as descobertas, mas afirmaram que são necessárias mais pesquisas para compreender melhor a relação entre insônia e câncer de início precoce.
O câncer de intestino ainda é mais comum em pessoas com mais de 50 anos, mas há um crescente conjunto de evidências globais indicando um aumento dos casos entre pessoas mais jovens. Ainda não se sabe exatamente a razão disso, mas os pesquisadores acreditam atualmente que pode estar relacionado a fatores genéticos e de estilo de vida", disse ela. A conclusão deste estudo, de que a insônia pode ser um fator de risco potencial para o câncer colorretal de início precoce, pode ajudar a entender as razões por trás desse aumento.
É importante ressaltar que os estudos identificaram uma associação, e não uma prova de que a perturbação do sono causa câncer em pessoas com menos de 50 anos, pois podem haver várias outras razões para essa ligação. Existem possíveis causas ligadas à fisiologia decorrente de uma noite de sono ruim, mas também o fato de que, quando se está privado de sono, é difícil manter um estilo de vida saudável — há maior consumo de álcool, maior incidência de obesidade, menos exercícios, mais tabagismo, etc. — e esses fatores podem ser a causa de qualquer possível aumento no risco.
Se o sono é fundamental na restauração de nosso sistema imunológico e a falta dele gera algum comprometimento no mesmo, faz sentido supor que o risco de certos tipos de câncer possa aumentar. Mas também pode ocorrer o inverso: é possível que o câncer uma vez instalado — mesmo que ainda não seja clinicamente evidente — possa causar alterações no ritmo e na qualidade do sono.
Esses estudos investigam se existe uma possível ligação entre insônia e alguns tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos; no entanto, são necessárias mais pesquisas — especialmente aquelas que acompanhem as pessoas por períodos mais longos — antes que possamos tirar quaisquer conclusões.
Enquanto isso, as pessoas podem reduzir o risco de câncer evitando o tabagismo, mantendo um peso saudável e protegendo-se adequadamente do sol.
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Este artigo foi alterado em 10 de junho de 2026. Uma versão anterior afirmava que dois estudos sobre sono e câncer haviam sido realizados pelo MD Anderson Cancer Center, em Houston, no Texas. Na verdade, os estudos foram conduzidos por pesquisadores da Jefferson Health New Jersey, em Stratford, Nova Jersey, e do Ochsner MD Anderson Cancer Center, em Nova Orleans, Louisiana (EUA).
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
