ALESSANDRA ARAGÃO
Alessandra Aragão
Comunicadora, trabalha com desenvolvimento humano, atuando em terapia sistêmica, mentoria positiva e coaching de vida e carreira
(RE)INVENTE-SE

Como está sua bateria?

Precisar reorganizar a agenda não nos torna menos comprometidos.

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Vivemos cercados por metas, compromissos, agendas e expectativas. Planejamos o dia, organizamos a semana e estabelecemos aquilo que precisamos cumprir. Para algumas pessoas, no entanto, o compromisso com o resultado vem acompanhado de uma exigência ainda maior: tudo precisa dar certo, ser bem-feito e superar aquilo que já foi feito antes.

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Enquanto conseguem corresponder a esse padrão, seguem em frente. O problema surge quando a vida impõe seus solavancos e aquilo que foi planejado não acontece como esperado.

Um imprevisto, um conflito, uma situação familiar difícil ou um ambiente emocionalmente desgastante pode modificar nossa disposição para aquele dia. Ainda assim, quem vive sob uma régua muito alta de exigência tende a desconsiderar as circunstâncias e voltar o julgamento para si.

“Por que não dou conta?”

“Por que não consegui?”

“Por que os outros conseguem e eu não?”

Uma meta não cumprida deixa de ser apenas uma meta não cumprida. Passa a ser interpretada como sinal de incompetência, fraqueza ou falta de valor. É nesse momento que precisamos fazer uma distinção importante: o esgotamento não anula a capacidade.

Imagine o telefone celular mais avançado do mercado. Ele possui excelente processador, grande capacidade de memória e inúmeros recursos. No entanto, se sua bateria chegar a zero, a tela se apagará e ele deixará de funcionar.

Isso significa que perdeu sua tecnologia? Que seus recursos desapareceram? Não. Tudo continua ali. O que falta, naquele momento, é energia para acessar aquilo que ele possui.

Com a nossa vida emocional não é tão diferente. Podemos continuar sendo competentes, inteligentes, responsáveis e comprometidos e, em determinados momentos, não ter energia disponível para acessar esses recursos da maneira como estamos acostumados.

O problema é que, diante de uma bateria descarregada, não costumamos fazer conosco aquilo que fazemos naturalmente com o celular. Em vez de reconhecer a necessidade de recarga, muitas vezes aumentamos a cobrança.

Exigimos concentração quando estamos exaustos. Produtividade quando estamos emocionalmente sobrecarregados. Disponibilidade quando já oferecemos mais do que podíamos. E, quando não conseguimos corresponder, utilizamos essa dificuldade como argumento para nos cobrar ainda mais.

Às vezes, nossa energia se esgota porque o dia foi excessivamente pesado. Em outros momentos, esquecemos de colocar o “aparelho” na tomada. Há dias em que usamos um cabo mal conectado, buscando um descanso que ocupa o tempo, mas não restaura nossa energia. E há aplicativos abertos em segundo plano: preocupações, conflitos, relações difíceis, necessidade de controle e excesso de antecipação. Eles não aparecem na agenda, mas continuam consumindo nossa energia.

Nem sempre conseguimos impedir que uma situação ou alguém descarregue nossa bateria, mas podemos aprender a reconhecer os sinais antes que o aparelho desligue.

O celular nos avisa: aos 20%, muda o sinal; aos 10%, insiste; aos 5%, sabemos que precisamos encontrar uma tomada. Nós também emitimos sinais: podemos ficar mais irritados, perder a concentração, nos afastar das pessoas ou perceber que estamos fazendo um esforço enorme para realizar o que antes era simples.

O problema é que aprendemos a ignorar esses sinais. Em uma rotina orientada pela produtividade, frequentemente interpretamos o pedido de pausa como falta de disciplina. Em vez de diminuir o ritmo, aceleramos. Em vez de investigar o que está consumindo nossa energia, acrescentamos mais uma obrigação à agenda.

Reconhecer que a bateria está baixa não significa desistir do que precisa ser feito. Significa compreender as condições em que estamos tentando fazê-lo.

Um dia de baixo rendimento não define nossa competência. Uma meta que precisou ser adiada não significa que não será alcançada. Precisar reorganizar a agenda não nos torna menos comprometidos.

Porém, reconhecer que precisamos recarregar é apenas parte da questão. Existe outro desafio, mais pessoal: reconhecer o que realmente recarrega a nossa bateria.

Nem tudo aquilo que nos distrai também nos recarrega.

Podemos passar horas diante de uma tela e continuar cansados. Podemos preencher o fim de semana com atividades prazerosas e chegar à segunda-feira sem energia. Podemos dormir e perceber que o corpo repousou, mas a mente continuou ocupada.

Cada pessoa precisa descobrir onde encontra sua própria fonte de energia. Para alguns, ela está em uma caminhada, no sol, no exercício físico ou no contato com a natureza. Para outros, no silêncio, na companhia dos amigos ou em um tempo consigo. Pode estar também em passear com o pet, parar alguns minutos para fazer carinho nele, conversar com alguém diante de quem não precisamos provar nada, ouvir música, cozinhar, ler ou simplesmente permanecer algum tempo sem produzir.

Precisamos conhecer nosso próprio funcionamento para perceber o que nos consome, reconhecer os sinais de que estamos chegando ao limite e saber onde buscar aquilo que nos recompõe.

Entre tantas metas, compromissos e expectativas que organizam nossos dias, é importante não perder de vista aquilo que sustenta tudo o que fazemos:

Como está a minha bateria?

O que está consumindo minha energia?

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Onde encontro aquilo que verdadeiramente me recarrega?

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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