Eleições afetam a saúde do coração: entenda o impacto do estresse
Pesquisas revelam aumento de infartos durante períodos eleitorais; saiba como a adrenalina age no organismo e aprenda a blindar o seu bem-estar
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Pesquisas realizadas nos Estados Unidos identificaram aumento de internações por doenças cardiovasculares e arritmias em períodos próximos a eleições presidenciais. Diante do segundo turno das eleições brasileiras neste domingo (25/10), os dados mostram como momentos de forte tensão emocional afetam a saúde do coração.
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Um levantamento publicado em 2022 na revista científica "JAMA Network Open" avaliou 6.396.830 adultos atendidos por dois sistemas de saúde da Califórnia. Nos cinco dias seguintes à eleição norte-americana de 2020, as internações por problemas cardiovasculares agudos subiram 17% em comparação com o mesmo intervalo registrado duas semanas antes. O índice de infarto agudo do miocárdio avançou 42%.
Outro trabalho, publicado em 2021 no "Journal of the American Heart Association", registrou alta de 77% na ocorrência de arritmias durante seis semanas em torno da eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos. A análise acompanhou 2.436 pacientes com dispositivos cardíacos implantados, como desfibriladores e marca-passos. Por focar um público específico, o resultado não se aplica a toda a população.
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Ação da adrenalina no organismo
O cardiologista Gustavo Lenci, dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, relata que a sobrecarga emocional gera descargas de adrenalina capazes de acelerar os batimentos e provocar alterações no ritmo cardíaco. O impacto atinge pessoas com histórico de doenças e indivíduos sem diagnóstico prévio, que podem sofrer oscilações no ritmo ou pressão alta.
“A descarga de adrenalina provocada por uma situação de estresse intenso pode desencadear uma arritmia. Isso pode acontecer inclusive em pessoas que não têm uma doença cardíaca conhecida. O risco também pode aumentar quando o estresse vem acompanhado de privação de sono e consumo excessivo de energéticos”, explica.
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Em períodos de tensão, dormir menos e ingerir estimulantes para se manter acordado amplifica os impactos negativos no corpo. A combinação entre noites mal dormidas e energéticos potencializa as desordens nos batimentos cardíacos.
Relação entre tensão e infarto
O estresse intenso atua como gatilho para o infarto, embora dificilmente seja o único causador do problema. Lenci esclarece que a condição geralmente decorre de um processo longo, caracterizado pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias coronárias ao longo do tempo.
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“O infarto, muitas vezes, é algo que foi cultivado no decorrer dos anos, com uma placa de gordura que vai se depositando e crescendo até que, em determinado momento, ela se rompe e gera o infarto. Então, infarto só pelo estresse é pouco provável, mas, se vier num contexto de hábitos de vida ruins por mais tempo, isso pode acontecer”, diferencia.