Hábitos saudáveis podem ajudar a prevenir até 50% dos casos de câncer
Neste Dia do Nutricionista (31/8), especialista explica como escolhas alimentares influenciam a saúde e esclarece mitos sobre os chamados "alimentos anticâncer"
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A alimentação tem papel relevante na redução do risco de câncer e faz parte de um conjunto de hábitos que podem ser construídos ao longo da vida. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 30% e 50% dos casos da doença poderiam ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis, como manter uma dieta equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso corporal e evitar o uso de cigarros e bebidas alcoólicas.
Embora nenhum alimento isolado seja capaz de impedir o surgimento do câncer, a qualidade da alimentação pode influenciar condições do organismo relacionadas ao desenvolvimento da doença.
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Para Ana Claudia Gomez de Araújo, nutricionista oncológica da Croma Oncologia, o principal ponto é compreender que a relação entre alimentação e câncer não depende de um ingrediente específico, mas do padrão alimentar mantido ao longo do tempo. “O benefício está em uma alimentação equilibrada, com maior presença de alimentos in natura ou minimamente processados e escolhas que sejam sustentáveis para a rotina de cada pessoa”, explica.
O padrão alimentar inclui maior presença de frutas, verduras, legumes, feijões, grãos integrais, castanhas, azeite de oliva e peixes, alimentos que fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos importantes para o funcionamento do organismo.
As fibras, por exemplo, contribuem para a saúde intestinal e para o equilíbrio da microbiota, enquanto outros nutrientes participam de processos relacionados à proteção das células e ao controle da inflamação.
Fuja dos fatores de risco
Por outro lado, alguns hábitos alimentares estão associados ao aumento do risco de câncer. Entre eles, o excesso de gordura corporal merece atenção: a obesidade está relacionada a pelo menos 13 tipos da doença, incluindo câncer de mama na pós-menopausa, colorretal, endométrio, fígado, rim e pâncreas. O acúmulo excessivo de gordura provoca alterações metabólicas e inflamatórias que podem favorecer um ambiente mais propício ao desenvolvimento de tumores.
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O consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo estão entre os principais fatores de risco evitáveis para o câncer.
De acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), o álcool está relacionado a sete tipos da doença, incluindo os de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e intestino.
Já o tabagismo está associado a pelo menos 20 tipos de câncer, principalmente o de pulmão, mas também tumores de boca, garganta, esôfago, pâncreas, bexiga, rim e colo do útero. No campo da alimentação, as carnes processadas, como salsicha, linguiça, bacon, presunto e salame, foram classificadas pela instituição como carcinogênicas para humanos, principalmente pela associação observada com o câncer colorretal.
Existem alimentos "anticâncer"?
Com a popularização de informações sobre “alimentos anticâncer” nas redes sociais, aumentaram também as promessas de ingredientes capazes de prevenir ou tratar a doença.
Cúrcuma, gengibre, alho, chá verde, frutas vermelhas e brócolis, por exemplo, possuem compostos benéficos, mas não há evidências de que qualquer um deles, consumido de forma isolada, seja capaz de evitar o câncer. “Esses alimentos podem fazer parte de uma alimentação saudável, mas o efeito positivo vem do conjunto das escolhas alimentares e não de um único ingrediente”, afirma Ana Claudia.
A especialista também alerta para o cuidado com dietas restritivas divulgadas como estratégias de prevenção ou tratamento do câncer. Não há comprovação científica de que eliminar completamente o açúcar ou os carboidratos, nem adotar dietas como a cetogênica, baseada em uma ingestão muito baixa de carboidratos e alta de gorduras, ou a alcalina, que propõe priorizar alimentos considerados capazes de alterar o pH do organismo, impeça o desenvolvimento ou a evolução da doença.
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Além de não terem eficácia comprovada para esse objetivo, essas estratégias podem favorecer deficiências nutricionais, perda de massa muscular e comprometer o estado nutricional, especialmente em pessoas em tratamento oncológico, quando adotadas sem orientação profissional.
Na prática, a prevenção passa pela construção de hábitos consistentes e possíveis de manter no dia a dia. Priorizar alimentos naturais, reduzir ultraprocessados, limitar o consumo de álcool e cigarro, praticar atividade física e manter uma rotina alimentar equilibrada são atitudes que contribuem para a saúde de forma ampla.
Em caso de diagnóstico de câncer ou de outras doenças, a orientação é buscar acompanhamento de profissionais de saúde, que podem indicar as melhores estratégias alimentares de acordo com cada necessidade. “A nutrição tem um papel importante tanto na promoção da saúde quanto no cuidado durante o tratamento, sempre considerando as características e necessidades de cada pessoa”, destaca a nutricionista.
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