AGOSTO AZUL E VERMELHO

Seis mitos sobre doenças vasculares: será que você sabe a verdade?

Campanha busca conscientizar sobre doenças vasculares, que ainda geram dúvidas e confusão entre outros problemas que acometem pacientes

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As doenças vasculares ainda são recorrentes entre os brasileiros. No primeiro semestre do ano passado, foram registrados, por exemplo, mais de 36 mil casos de trombose no país, segundo o Ministério da Saúde. Também em 2025, houve mais de 103 mil internações ocasionadas por varizes, segundo o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do Sistema Único de Saúde (SUS).

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Os números contrastam com a falta de conhecimento de muitas pessoas, inclusive muitas que sofrem com as doenças vasculares. Por essa razão, a campanha Agosto Azul e Vermelho chama a atenção para a conscientização dos sintomas e dos tratamentos disponíveis.





“O problema não é só estético”, alerta a médica Camila Caetano, cirurgiã vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). “As doenças vasculares são acompanhadas de dores, de perda de qualidade de vida e são suscetíveis a casos até mais graves”, completa.


O que são doenças vasculares?


Trata-se de um conjunto de enfermidades que afetam os vasos sanguíneos, ou seja, as veias e as artérias, e os vasos linfáticos. Elas se manifestam quando a circulação do sangue é comprometida em algum ponto devido a um estreitamento, dilatação, obstrução ou inflamação, dificultando o transporte de oxigênio e de nutrientes para os tecidos, bem como a remoção de resíduos do organismo.



“As doenças vasculares costumam muitas vezes ser tratadas como problemas corriqueiros, principalmente quando se trata das varizes. Na imensa maioria dos casos, esse cenário acomete as mulheres, e muitas vezes elas relatam mais o incômodo com a parte estética, propriamente, do que com os impactos que isso provoca no sistema circulatório. As varizes tendem a provocar dores, inchaços e sensação de peso e cansaço nos membros inferiores. Então é necessário ter uma atenção maior a esse e a outros problemas de circulação até mais graves”, alerta Camila Caetano, que enumera mitos e verdades sobre o tema.


Dores vasculares são o mesmo que dores musculares


Mito. Dores vasculares e dores musculares são coisas diferentes, e também merecem atenção distinta. As dores musculares são caracterizadas por se manifestarem em um local específico, e geralmente são decorrentes de uma pancada ou mesmo por permanecer na mesma posição por um longo tempo.



Já as dores vasculares, segundo Camila Caetano, acometem todo o membro, mais comumente as pernas. “Existe também ocorrência de inchaço nos tornozelos, coceira e o agravamento das dores caso o paciente permaneça por muito tempo sentado ou em pé. Há casos até de sensação de febre no membro afetado. Medicações mais simples, como analgésicos, não resolvem esse problema, que deve ser tratado com um angiologista ou com um cirurgião vascular”, salienta a médica.


Sensação de peso na perna é dor vascular


Mito. Embora a sensação de peso nos membros inferiores também possa ser provocada por uma insuficiência venosa ou até por uma trombose, há casos em que o peso vem da sobrecarga ou da fadiga muscular, seja pelo excesso de exercícios ou pelo sedentarismo. Existem ainda casos em que a sensação de peso pode ser um problema ortopédico.



“Somente a sensação de peso é insuficiente para dizer qual a origem do problema. Mas os casos mais graves são realmente as motivações vasculares. O melhor, então, é buscar ajuda profissional e realizar todo o acompanhamento necessário para diagnosticar a origem das dores”, recomenda a médica e cirurgiã vascular.


Doenças vasculares só surgem se for por causa genética


Mito. As doenças vasculares não possuem causa única. Elas são ativadas por diversas razões, muitas ligadas aos hábitos de vida e outras não. Por exemplo, a predisposição genética é uma das causas que não podem ser controladas para o surgimento das varizes ou tromboses, assim como a idade. Por outro lado, há fatores de risco, como tabagismo, obesidade, sedentarismo, colesterol alto e alimentação desequilibrada.


“Há casos que requerem tratamento, iniciativa do paciente. Quem tem pressão alta e diabetes também está mais propenso a sofrer com uma doença vascular, e a melhor forma de se cuidar é procurar ajuda profissional. Como são muitos os fatores de risco, é difícil dizer o que desencadeou o surgimento da doença vascular, mas eles nos dão um caminho”, afirma a médica.


Anticoncepcional pode provocar trombose


Verdade. Os chamados anticoncepcionais hormonais, que possuem estrogênio e progesterona, podem, sim, provocar trombose, isto é, um coágulo de sangue dentro de uma veia ou uma artéria. Esse efeito pode ocorrer porque esse tipo de anticoncepcional altera o equilíbrio natural da coagulação do sangue. O estrogênio, em particular, estimula a produção de proteínas pelo organismo que favorecem a coagulação, ao mesmo tempo que inibe o surgimento de proteínas anticoagulantes.


“A orientação não é para que mulheres que sofrem de varizes e que sejam suscetíveis ao aparecimento de trombose não tomem anticoncepcional, mas que recorram ao médico para que ele indique o melhor anticoncepcional. É importante considerar o quadro vascular para decidir sobre o preventivo mais adequado”, esclarece Camila Caetano.


Se as varizes não são visíveis, não há doença venosa


Mito. As varizes nem sempre estarão presentes na superfície da pele. Há casos em que ela se esconde sobre algumas camadas de tecido muscular. A trombose venosa profunda (TVP), por exemplo, ocorre quando um coágulo de sangue é formado em veias localizadas embaixo da fáscia, uma camada mais densa de tecido muscular, mantendo a gravidade da doença sem interferir no fator estético.


“Nesses casos, é necessário que o paciente faça um ultrassom que investiga a existência de coágulos e observe o fluxo de sangue na veia. A partir desse exame, dá pra identificar se há varizes ou até mesmo trombose localizadas em camadas internas”, orienta a cirurgiã vascular.


Atividade física ajuda a circulação das pernas


Verdade. Exercícios que fazem os músculos da perna trabalhar, como caminhadas e natação, funcionam como uma bomba que ajuda o sangue venoso a retornar para o coração. Além disso, essas práticas regulares diminuem o sedentarismo, melhorando a qualidade de vida e auxiliando nos cuidados com a circulação.

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“A atividade física é uma das medidas essenciais para prevenir ou tratar as doenças vasculares, mas elas precisam ser orientadas, respeitando inclusive as limitações do paciente. Os exercícios devem ser mais leves para quem sofre com dores, inchaços e queimação na região. Em caso de suspeita de trombose, o cuidado deve ser ainda maior, e a atividade deve ser feita sob rigorosa orientação”, alerta Camila Caetano.


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