COPA DO MUNDO

Não só o jogo do Brasil eleva a pressão: estudo alerta sobre alimentação

Ultraprocessados podem favorecer risco 29% maior de hipertensão; momentos de lazer são mais propícios ao consumo de embutidos, álcool e bebidas açucaradas

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Seja no estádio, em um bar ou reunido em casa com os amigos, assistir a uma partida de futebol costuma vir acompanhado de petiscos, embutidos e bebidas alcoólicas. Mas esse hábito, comum entre torcedores, merece atenção.

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Um levantamento publicado em maio de 2026 no European Heart Journal, que integra o estudo NutriNet-Santé, conduzido na França, mostra que o consumo elevado de alimentos industrializados e ultraprocessados está associado a um maior risco de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares.

Diante desse cenário, o Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) faz um alerta para os excessos justamente em momentos de lazer, quando as pessoas tendem a relaxar também na alimentação.

O estudo analisou dados de mais de 112 mil voluntários ao longo de sete a oito anos e identificou que os participantes que consumiram as maiores quantidades de conservantes não antioxidantes, compostos usados para inibir o crescimento de microrganismos como bolores e bactérias, tiveram risco 29% maior de hipertensão do que o grupo de menor consumo.

A cardiologista Erika Campana, presidente do DHA, ressalta que o problema não está em aproveitar ocasionalmente esses alimentos, e sim no consumo exagerado e recorrente. A combinação entre cerveja, refrigerantes, cachorro-quente, sanduíches, salgadinhos, frios e outros alimentos industrializados e ultraprocessados, pode parecer inofensiva durante os 90 minutos de jogo de futebol, mas a frequência e a quantidade consumidas fazem diferença para a pressão arterial.

 

“O mais importante é o equilíbrio. Quem ainda não é hipertenso também precisa cuidar da alimentação para evitar alterações na pressão arterial ao longo da vida. Esse cuidado deve ser ainda maior para quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares, já que essas pessoas apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença”, explica a médica.

Segundo Érika, a recomendação não é deixar de aproveitar os momentos de confraternização, mas fazer escolhas mais conscientes. Alternar bebidas alcoólicas com água, moderar o consumo de alimentos ultraprocessados e incluir opções mais naturais já contribuem para reduzir os impactos na saúde cardiovascular, especialmente na pressão arterial.

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“Jogos de futebol são momentos de celebrar, vibrar e reunir pessoas. O coração também participa dessa festa e merece atenção. Aproveitar o momento com responsabilidade é a melhor forma de continuar torcendo por muitos campeonatos”, diz a cardiologista.

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