Até 17 de maio, acontece a Semana Mundial de Conscientização sobre o Sal, que mobiliza vários órgãos internacionais em diversos países. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a recomendação é de até cinco gramas de sal por dia, o equivalente a cerca de uma colher de chá rasa ou menos de 2.000 mg de sódio diários. Porém, apesar da orientação, o consumo médio global ainda é elevado, chegando a cerca de 10 a 11 gramas por dia, mais que o dobro do limite recomendado.
Sal ou sódio?
O consumo excessivo de sal segue como um dos principais fatores de risco para doenças crônicas no mundo. Mas há, ainda, uma confusão comum: a diferença entre sal e sódio.
- Estudo associa ingestão excessiva de sal a maior risco de dermatite atópica
- Caso María Antonieta de Las Nieves: falta de sódio tem impacto neurológico
Segundo o professor e nutrólogo Durval Ribas Filho, fellow da The Obesity Society (TOS) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), "o sal do nosso dia a dia é formado por sódio + cloro. Já o sódio é o mineral, que faz parte do sal e, também, de vários alimentos industrializados, mesmo quando não têm gosto salgado".
"O sal é essencial para o organismo no equilíbrio de líquidos no corpo e funcionamento dos nervos e músculos. O problema é exagerar na dose", explica o especialista, alertando que os limites de consumo também são ultrapassados por aqui. "As estimativas apontam algo entre 8 e 10 g/dia, embora a maioria da população brasileira não tenha esta percepção."
De acordo com o nutrólogo, o excesso de sal está diretamente associado ao aumento da pressão arterial, sobrecarga dos rins, maior risco de eventos como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). "A redução do consumo é uma medida essencial para a prevenção de problemas cardiovasculares e para a promoção da saúde pública", destaca.
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Como diminuir o consumo?
A seguir, Durval lista os principais cuidados para o dia a dia.
- Sempre vigilante: tente limitar o consumo a até 5 g por dia. Adquira este hábito aos poucos
- Prato saudável: priorize alimentos in natura ou minimamente processados. Os produtos ultraprocessados podem concentrar altos teores de sódio
- Na hora da compra: leia os rótulos, compare as marcas e opte por versões com menor teor de sódio. Atenção aos alimentos aparentemente saudáveis e que dão a impressão de que não são “salgados”, mas podem incluir alto teor de sal, como alguns cereais matinais
- Sem saleiro por perto: evite adicionar sal à comida na mesa. É o primeiro passo na redução do consumo, que pode ser gradativo, para o paladar se reeducar devagar
- Trocas inteligentes: diminua o sal no preparo caseiro e substitua por temperos naturais e frescos, como alho, salsinha, cebola, folhas de louro, coentro e pimenta. Trazem novos sabores, sem que se perceba a falta do sal. Evite temperos prontos
- Fique em alerta para o sal “escondido”: embutidos, caldos concentrados, molhos prontos, pães, biscoitos, salgadinhos (snacks), macarrão instantâneo, refeições congeladas, queijos, enlatados e até refrigerantes podem conter alto teor de sódio
- Grupos de risco: pessoas com hipertensão arterial, idosos, indivíduos com doenças cardiovasculares e crianças precisam redobrar os cuidados no consumo exagerado de sal
Reduzir, mas não eliminar
O médico ressalta que o sal não é 100% um vilão para saúde. "É preciso entender que o sal é necessário para manter, principalmente, o equilíbrio líquido dentro e fora de nossas células. Em quantidade adequada, ele ajuda a regular o ritmo cardíaco, o volume sanguíneo, a transmissão dos impulsos nervosos, a contração muscular e o funcionamento renal, e facilita a produção de energia."
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Além disso, o sal auxilia a repor o sódio eliminado pelo suor, principalmente durante a atividade física. "Por isso, não deve ser excluído, completamente, de qualquer dieta. Os malefícios que o sal pode causar são a partir de uma dose acima das necessidades do nosso organismo”, afirma.
