Diagnóstico de Neymar pode esconder de lesão muscular a trombose
Convocado para a Copa, o craque foi diagnosticado com um edema; especialistas alertam quando o inchaço pode esconder condições graves
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Após ser convocado para representar o Brasil na Copa do Mundo, o atacante Neymar, de 34 anos, foi diagnosticado com um edema na panturrilha direita. A causa do problema ainda não foi divulgada. De acordo com a cirurgiã vascular Aline Lamaita, o edema, ou inchaço, ocorre devido ao acúmulo anormal de líquido em determinada região do corpo. A condição pode ter diferentes causas e nem sempre é motivo de preocupação.
“O edema, ou inchaço, se manifesta devido a um acúmulo anormal de líquido. Ele pode ocorrer por diversas causas e só não é preocupante quando é ocasional, de rápida involução e causa bem definida, como após longos períodos em pé sem movimentação e dias de calor excessivo. Mas sempre que surge de forma abrupta, sem melhora e associado a outros sintomas, é preciso investigar, assim como quando esse inchaço, apesar de não ser agudo, é recorrente”, explica.
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Quando o inchaço é localizado
Edemas mais localizados podem estar relacionados, por exemplo, a condições nas pernas que levam a processos inflamatórios locais. Entre elas estão doenças ortopédicas e reumatológicas, como lesões musculares, tendinites, artrite, artrose e reumatismo. “Nesses casos, geralmente vemos o comprometimento de apenas um membro”, pontua Aline.
Entre as lesões musculares que podem provocar inchaço estão contusão, laceração e estiramento. Segundo o ortopedista especialista em joelho Marcos Cortelazo, a contusão é causada por impacto direto ou indireto sobre o músculo e, muitas vezes, resulta na formação de hematoma ou equimose. “A contusão é basicamente uma lesão causada por impacto direto ou indireto sobre o músculo. Muitas vezes resulta na formação de um hematoma ou equimose devido ao rompimento de pequenos vasos sanguíneos, que começam a vazar sangue para o tecido”, explica.
Diferença entre contusão, laceração e estiramento
A laceração, por sua vez, é considerada uma lesão muscular mais grave do que a contusão simples. Ela ocorre quando há ruptura parcial ou completa das fibras musculares. “Já a laceração é uma lesão muscular mais grave do que a simples contusão, que ocorre por ruptura parcial ou completa das fibras musculares. Muitas vezes é ouvido um ‘estalo’ no local ou há sensação de um tecido ‘rasgando’”, detalha Marcos.
O estiramento, também chamado de distensão muscular, ocorre quando as fibras musculares são alongadas além da capacidade normal, geralmente após um movimento abrupto ou esforço excessivo. “Por sua vez, o estiramento, também conhecido como distensão muscular, é uma lesão comum que ocorre quando as fibras musculares são esticadas além de sua capacidade normal, por um movimento abrupto ou esforço excessivo”, acrescenta o ortopedista.
Trombose também pode causar edema unilateral
Segundo Aline Lamaita, o edema unilateral também pode estar associado a doenças circulatórias, principalmente a trombose. A condição é caracterizada pela formação de um coágulo sanguíneo no interior das veias das pernas, o que impede a passagem do sangue.
“A evolução geralmente é rápida, fazendo com que a pessoa logo procure ajuda médica, e frequentemente está associada a outras queixas, como dor na perna, principalmente na região da panturrilha, além de calor, sensibilidade e vermelhidão. Apesar das questões ortopédicas e reumatológicas também cursarem com dor e, às vezes, aumento de temperatura local, terão um comportamento um pouco mais lento de melhora e piora”, pontua.
Outra possível causa de edema unilateral é a erisipela, infecção aguda da pele que acomete principalmente as pernas, embora também possa aparecer em outras regiões do corpo. “É uma infecção na pele, aguda, que acomete principalmente as pernas, mas pode aparecer em outras regiões do corpo. É causada por bactérias, na maioria das vezes o Streptococcus pyogenes, que penetra através de pequenas lesões na pele”, diz a cirurgiã vascular.
Aline também cita o linfedema, condição vascular menos frequente associada ao edema unilateral e que provoca alterações no sistema linfático. “Frequentemente, a condição leva a um inchaço crônico, podendo ainda evoluir para deformidade do membro”, acrescenta.
Inchaço nas duas pernas
Quando o inchaço acomete os dois membros, ele pode estar relacionado a condições circulatórias, como varizes e doença venosa, além de questões sistêmicas, incluindo alterações nos hormônios da tireoide. “Outra causa sistêmica pode ser o mal funcionamento dos rins. Na insuficiência renal, o rim para de filtrar e expelir a urina; isso gera um desequilíbrio hídrico que sempre vai ter uma manifestação nas pernas”, afirma a cirurgiã vascular.
Além disso, hipertensão e algumas medicações vasodilatadoras, usadas como anti-hipertensivos, também podem levar ao inchaço, principalmente na população mais idosa.
Quando procurar atendimento médico
A cirurgiã vascular reforça que também existem inchaços mais benignos, que acometem as duas pernas. Em geral, eles aparecem em dias de calor ou após uma rotina mais intensa, e costumam regredir com repouso ou após uma noite de sono.
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“Mas é importante lembrar que, quando o edema é frequente, unilateral ou associado a outros sintomas, como dor, coceira, vermelhidão, ou quando não cede facilmente ao repouso, é preciso buscar um médico porque são sinais de alerta para uma investigação maior. Apenas após uma avaliação detalhada o especialista poderá dar o diagnóstico correto e recomendar o tratamento adequado”, orienta.