ESTILO DE VIDA

Longevidade: o que realmente funciona e o que é mito para viver mais?

Especialista explica como hábitos consistentes impactam o risco de doenças crônicas e o que a ciência já comprovou

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Viver mais já não é o único objetivo, viver melhor se tornou a principal meta quando o assunto é saúde. Em um cenário em que doenças crônicas como diabetes, obesidade e problemas cardiovasculares lideram as causas de morte no mundo, cresce o interesse por estratégias que promovam a longevidade com qualidade de vida. Mas, diante de tantas dietas da moda, promessas de suplementos e rotinas extremas, o que realmente funciona?

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De acordo com Igor Viana, especialista em clínica médica com atuação em endocrinologia e metabologia, a ciência da longevidade é menos complexa do que parece e está diretamente ligada à consistência de hábitos sustentáveis no dia a dia.

“Longevidade não é sobre viver mais anos, mas sobre evitar anos de doença. Hoje, sabemos que a maior parte das condições que encurtam a vida é prevenível e está relacionada ao estilo de vida”, afirma.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que as doenças crônicas não transmissíveis são responsáveis por cerca de 70% das mortes no mundo, sendo muitas delas associadas a fatores modificáveis, como alimentação inadequada, sedentarismo e estresse.

O que a ciência já comprova?

A promoção da saúde metabólica e a prevenção de doenças crônicas dependem de intervenções sustentáveis que integrem alimentação, atividade física, qualidade do sono e manejo do estresse. Evidências contemporâneas demonstram que abordagens baseadas em modificações consistentes do estilo de vida apresentam maior eficácia a longo prazo quando comparadas a estratégias restritivas ou temporárias.

“Não existe fórmula milagrosa. O que prolonga a vida é a repetição de escolhas saudáveis ao longo do tempo”, reforça o especialista.

"A longevidade está muito mais ligada à disciplina do que à perfeição", diz Igor Viana
"A longevidade está muito mais ligada à disciplina do que à perfeição", diz Igor Viana Arquivo pessoal

Alimentação equilibrada

Padrões alimentares baseados no consumo predominante de alimentos in natura ou minimamente processados estão associados à redução do risco cardiometabólico. Dietas excessivamente restritivas, por outro lado, tendem a ter baixa adesão e maior chance de reganho de peso.

A estratégia mais eficaz envolve uma abordagem individualizada, com leve déficit calórico (cerca de 500 a 750 kcal/dia), favorecendo uma perda de peso gradual e sustentável.

A ingestão proteica adequada (entre 1,2 e 1,6 g/kg/dia), especialmente em indivíduos com obesidade ou resistência à insulina, aliada ao consumo de fibras (25 a 35 g/dia) e à ingestão de pelo menos 400 g diárias de frutas e vegetais, também se destaca como fator protetor.

Outro ponto relevante é a personalização alimentar. “Cada organismo responde de forma diferente. Avaliar tolerâncias individuais e padrões de saciedade é essencial para resultados duradouros”, explica.

Atividade física

A prática regular de atividade física é um dos pilares centrais da longevidade. Recomenda-se entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada ou 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa.

Exercícios de força, realizados de duas a três vezes por semana, também são fundamentais para manutenção da massa muscular, melhora da sensibilidade à insulina e aumento do metabolismo basal.

Além disso, o aumento do gasto energético diário fora do treino, como caminhar mais ao longo do dia, tem impacto significativo. Metas entre 7 mil e 10 mil passos diários contribuem para o equilíbrio metabólico.

Sono e estresse

Fatores frequentemente negligenciados, como sono e estresse, exercem influência direta no metabolismo e na saúde cardiovascular.

A recomendação é de sete a nove horas de sono por noite. A privação crônica está associada a alterações hormonais importantes, como aumento do cortisol, maior resistência à insulina e desregulação da fome, favorecendo o ganho de peso.

Já o controle do estresse, por meio de estratégias como atividade física, respiração guiada e técnicas de mindfulness, contribui para redução da inflamação e melhor regulação do organismo.

Os erros mais comuns de quem busca longevidade

Entre os principais equívocos, o especialista destaca:

  • Apostar em dietas radicais e insustentáveis
  • Compensar o sedentarismo com exercícios esporádicos
  • Utilizar suplementos sem orientação
  • Negligenciar sono e saúde mental

“Existe uma busca constante por soluções rápidas, mas o corpo responde melhor à constância. Pequenas mudanças mantidas ao longo dos anos têm impacto muito maior do que medidas extremas”, afirma.

Checape e prevenção

O acompanhamento médico regular continua sendo peça-chave na longevidade. Exames de rotina permitem identificar precocemente alterações metabólicas e reduzir o risco de evolução para doenças mais graves.

“A prevenção ainda é a melhor estratégia. Monitorar glicemia, colesterol e pressão arterial permite intervenções precoces e mais eficazes”, destaca Igor.

E na prática?

O médico cita cinco hábitos para começar hoje:

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  • Priorizar alimentos naturais
  • Manter regularidade na atividade física
  • Dormir bem e com rotina definida
  • Reduzir ultraprocessados e álcool
  • Evitar soluções imediatistas e focar no longo prazo

“A longevidade está muito mais ligada à disciplina do que à perfeição. É sobre fazer o básico bem feito, de forma consistente”, afirma.

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