PÁSCOA EQUILIBRADA

Endocrinologista explica a ciência do chocolate e do desejo

Entenda o impacto do açúcar no corpo e conheça estratégias de alfabetização alimentar para consumir chocolate com consciência

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A proximidade da Páscoa traz consigo o desafio de conciliar a tradição dos ovos de chocolate com a manutenção da saúde metabólica. Para a endocrinologista Carla Marys Adlung, que integra a plataforma INKI de consultas médicas, o período não deve ser encarado como uma fase de privação, mas sim como uma oportunidade de alfabetização alimentar.

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Segundo a especialista, o foco deve estar em entender como o corpo processa o açúcar e o cacau, desmistificando o chocolate como vilão e adotando ferramentas comportamentais para evitar a perda de controle.

O consumo excessivo de chocolates tradicionais, especialmente os brancos e ao leite, pode levar à chamada "ressaca de açúcar". A médica esclarece que, após a ingestão de altas doses de sacarose e gordura, o metabolismo enfrenta uma sucessão de eventos complexos.

"Muitas pessoas relatam cansaço, dores de cabeça e alterações intestinais após o feriado. O corpo atinge um pico de glicose no sangue entre 60 e 90 minutos após a ingestão, disparando uma elevação sustentada de insulina que, em indivíduos sedentários, pode permanecer alta por até 7 horas", explica a médica. Esse ciclo pode causar hipoglicemia reativa, gerando fadiga e o desejo por ainda mais açúcar.

Além do impacto glicêmico, o excesso de açúcar pode desequilibrar a microbiota intestinal em apenas 24 horas, promovendo o crescimento de bactérias patogênicas e aumentando a permeabilidade intestinal, o que compromete a imunidade.

Por outro lado, o cacau de boa qualidade é um aliado. Rico em flavonoides antioxidantes, triptofano e magnésio, ele auxilia no relaxamento e no controle da ansiedade. "A gordura presente na manteiga de cacau, especialmente em versões 70% ou mais, retarda o esvaziamento gástrico, promovendo maior saciedade do que os doces ultraprocessados", afirma Carla.

Endocrinologista Carla Marys Adlung
Endocrinologista Carla Marys Adlung Aquivo pessoal

Para quem busca uma relação mais consciente com o doce, a médica sugere a regra de 20g a 30g diários — cerca de dois quadradinhos — e a aplicação de técnicas de mindful eating. "Uma das estratégias mais eficazes é a desidentificação, observando o impulso como um evento mental passageiro. Recomenda-se mastigar cada pedaço entre 30 e 40 vezes, focando nas mudanças de textura e aroma. Esse aumento de satisfação permite que o corpo se sinta plenamente atendido com uma quantidade menor", orienta.

No momento da compra, a endocrinologista alerta para os "falsos saudáveis", como chocolates zero açúcar ricos em gordura saturada ou adoçantes que causam desconforto gástrico.

A dica é priorizar produtos onde o primeiro ingrediente seja a massa de cacau. "O ideal é consumir o chocolate pela manhã ou após uma refeição rica em proteínas e fibras, o que pode reduzir a resposta glicêmica em quase 30%", diz Carla.

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Em caso de excesso, a recomendação é focar na hidratação e no consumo de fibras verdes, evitando pular refeições para "compensar" as calorias, prática que apenas perpetua o ciclo da fome.

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