SAÚDE COGNITIVA

Quais os riscos do uso de redes sociais na infância?

Psicóloga explica o que pais e responsáveis devem observar e os cuidados enquanto as crianças estão no celular; Sbp recomenda evitar o uso antes de dormir

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O uso de redes sociais por crianças e adolescentes se tornou um tema de preocupação crescente devido ao acesso cada vez maior – e mais cedo – desse público à essas plataformas. Embora as redes sociais possam oferecer caminhos para o aprendizado e a conexão, a vulnerabilidade do cérebro em fase de formação expõe os jovens a uma série de riscos digitais, desde o aliciamento até impactos severos na saúde mental.

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De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 83% dos adolescentes e crianças que utilizam a internet no Brasil possuem contas em redes sociais, evidenciando o uso em massa pelo público infanto-juvenil.

A psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo e especialista em terapia cognitivo-comportamental, Suellen Martins, reforça que a busca por equilíbrio é essencial. "O cérebro infantil ainda está em pleno desenvolvimento. Essa imaturidade cognitiva faz com que os pequenos sejam mais suscetíveis a estímulos viciantes e menos capazes de discernir os perigos implícitos no ambiente online", explica.

Um dos pontos reforçados pela especialista é de que o algoritmo das redes sociais são projetados para reter o usuário o máximo de tempo possível, e isso tem um efeito desproporcional na mente infantil.

“O sistema de recompensa do cérebro, estimulado por curtidas e notificações, gera uma dependência de dopamina. Isso resulta em ansiedade e uma dificuldade de concentração em tarefas consideradas lentas, como a leitura. Outro fator é a exposição a vidas ‘perfeitas’ e o uso de filtros digitais que leva a comparações irreais, que podem criar uma baixa autoestima e dar espaço ao desenvolvimento de transtornos alimentares”, exemplifica a psicóloga.

Suellen também aponta que a falta de compreensão sobre privacidade pode levar crianças a, inadvertidamente, expor dados sensíveis como localização, rotina familiar e detalhes escolares.

“Além da facilidade de acesso a conteúdos inadequados, no ambiente digital, os criminosos se valem do anonimato e da exposição de dados para ganhar a confiança das crianças com o objetivo de obter material íntimo ou praticar exploração sexual. O cyberbullying também é um risco nas redes, pois a rapidez com que o conteúdo se espalha pode gerar danos psicológicos profundos e duradouros na vítima," afirma a especialista.

Qual a idade mínima recomendada para o uso de telas?

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) estabelece diretrizes sobre o tempo de tela para crianças e adolescentes, que variam de acordo com a idade.

  • Para a faixa etária de zero a dois anos, não é recomendada a exposição às telas
  • Crianças de dois a cinco anos devem ter um tempo de tela limitado a, no máximo, uma hora por dia, sempre com supervisão de um adulto
  • Já para a faixa de seis a dez anos, o uso deve ficar entre uma a duas horas por dia, com a necessidade de monitoramento contínuo
  • Adolescentes entre 11 a 18 anos podem utilizar telas por até três horas diárias

No entanto, a SBP recomenda que evitem o uso desses dispositivos imediatamente antes de dormir e durante as refeições.

Além disso, a maioria das plataformas como Instagram, TikTok e X estipula a idade mínima de 13 anos para a criação de contas. Essa regra não é arbitrária e reflete a Children's Online Privacy Protection Act (Coppa), lei norte-americana de 1998 que regula a coleta de informações pessoais online de menores de 13 anos.

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"O uso consciente e supervisionado das redes sociais é um ato de proteção para as crianças. Os pais e responsáveis têm o papel de estabelecer limites e promover um diálogo aberto sobre o que é real e o que é virtual, garantindo que o desenvolvimento dos seus filhos seja saudável em todos os ambientes," conclui a psicóloga.

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