Redes sociais: busca por pertencimento afeta a saúde mental
Necessidade de validação em grupos virtuais tem impacto no bem-estar emocional dos jovens; FOMO (fear of missing out) pode levar a um aumento do tempo de tela
compartilhe
SIGA
A rápida ascensão de novo meme, nova gíria ou novo código nas redes sociais revela um comportamento complexo e crescente entre os jovens: a busca por pertencimento em comunidades digitais. Em plataformas como TikTok e X (antigo Twitter), o uso dessa linguagem interna se tornou uma forma de criar e reforçar laços sociais, gerando um senso de exclusividade para quem entende a referência.
-
FOMO, FOLO e nomofobia: hiperconexão pode afetar a saúde mental
-
Era da Dopamina: impacto do uso excessivo de tecnologia nas redes sociais
Essa linguagem, que pode ser um termo ou o uso de algum emoji para um novo significado, viraliza rapidamente dentro de determinadas comunidades, uma espécie de nicho virtual. O problema aparece quando compreender o código acaba se tornando uma forma de validação. A velocidade com que essas tendências surgem e desaparecem cria um ciclo constante de busca por novidades para não ficar para trás. O jovem se sente incluído, atualizado e conectado.
Leia Mais
-
Quando a dependência digital se transforma em risco à saúde mental
-
Os riscos do vício em exibir vida perfeita nas redes sociais
Essa dinâmica se assemelha às interações sociais do mundo físico: quem está "por dentro" se sente parte de algo maior, enquanto quem não entende a piada pode se sentir excluído. No ambiente digital, porém, isso é intensificado pelos algoritmos, que reforçam bolhas e aceleram a disseminação de conteúdo para públicos segmentados.
O impacto na saúde mental
A necessidade de se manter constantemente atualizado para ser aceito em grupos virtuais pode gerar ansiedade e estresse. A pressão para estar sempre por dentro e participar de todas as tendências aumenta, por outro lado, o FOMO (fear of missing out, ou, em português, medo de perder). Isso pode levar a um aumento do tempo de tela e a uma vigilância excessiva das redes sociais.
Quando um adolescente não consegue acompanhar essa linguagem, sentimentos de inadequação e solidão podem aflorar. A exclusão digital pode ser sentida de forma tão intensa quanto a social, impactando a autoestima e o bem-estar emocional. O ambiente que se propunha a ser de conexão acaba, por vezes, se tornando uma fonte de comparação e pressão.
Para pais e responsáveis, mais importante do que decifrar cada gíria é entender o que essa busca significa. A necessidade de entender todas as referências pode ser uma busca por pertencimento e identidade. Por isso, manter um um diálogo aberto sobre as experiências sociais e no mundo online, sem julgamentos, é a principal forma de entender esses novos cenários e oferecer suporte quando necessário.
E, se no dia a dia, você sente que está nas redes sociais por mais tempo que o necessário, se policie. Pergunte-se: “Eu preciso mesmo saber qual é o assunto mais falado do momento?” ou “entender esse meme é tão importante assim?” ou, até mesmo, “eu preciso mesmo saber o que está acontecendo no BBB 26?”. Reconhecer o comportamento é o primeiro passo para cuidar da saúde mental.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
*Estagiária sob supervisão do subeditor Thiago Prata