ESTILO DE VIDA

Brasil engorda, dorme mal e se movimenta menos, mostra pesquisa Vigitel

Dados traçam retrato atualizado dos hábitos de vida da população e acende um alerta sobre o avanço de DCNT como obesidade, diabetes e hipertensão

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A Pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde, traça um retrato atualizado dos hábitos de vida da população brasileira e acende um alerta sobre o avanço das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como obesidade, diabetes e hipertensão.

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Os dados mostram que o número de adultos com obesidade no país cresceu 118% entre 2006 e 2024. No mesmo período, houve aumento expressivo nos diagnósticos de diabetes (135%), excesso de peso (47%) e hipertensão arterial (31%), reforçando a preocupação com a saúde pública.

Em relação à alimentação, o consumo regular de frutas e hortaliças permanece praticamente estagnado, alcançando cerca de 31% da população.

Já no campo da atividade física, o levantamento aponta uma queda na prática relacionada ao deslocamento:

  • Em 2009, 17% dos adultos se movimentavam a pé ou de bicicleta no dia a dia
  • em 2024, esse percentual caiu para 11,3%, indicando maior dependência do transporte motorizado. Por outro lado, houve crescimento de 42,3% no número de pessoas que praticam atividade física moderada no tempo livre

Pela primeira vez, a pesquisa incluiu dados nacionais sobre o sono. O resultado revela que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite, enquanto 31,7% relatam sintomas de insônia — índice mais elevado entre as mulheres.

Segundo o nutrólogo Durval Ribas Filho, fellow da The Obesity Society (TOS) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), “a Vigitel mostra que o brasileiro está se movimentando menos no dia a dia, dormindo mal e mantendo padrões alimentares que não evoluíram. Quando esses fatores se somam, o risco de obesidade, diabetes e hipertensão aumenta de forma significativa.”

Conforme explica o especialista, o excesso de peso associado ao sono inadequado pode agravar a resistência à insulina, elevar a pressão arterial e manter um estado inflamatório crônico, acelerando o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. “A obesidade, assim como o diabetes e a hipertensão, é uma doença crônica e exige acompanhamento contínuo. Com orientação adequada, é possível melhorar a qualidade de vida e reduzir o risco de complicações”, completa.

De acordo com Durval, os números precisam ser analisados de forma integrada. “Esses dados mostram que não basta falar em alimentação ou exercício de forma isolada. Eles revelam um estilo de vida que favorece o desenvolvimento de doenças crônicas.” O nutróloga afirma preciso olhar para o estilo de vida como um todo.

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“Cuidar da saúde hoje passa por escolhas simples, mas constantes: comer melhor, se movimentar todos os dias e dormir bem”, destaca o médico. “São pilares fundamentais para a saúde e a longevidade e precisam fazer parte das políticas públicas e da rotina da população.”

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