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Estado de Minas SEM PARTIDO

Bartô, que presenciou prisão de homem por 'jogar ovos', é expulso do Novo

Integrante da Assembleia de MG desde 2019, parlamentar estava suspenso das atividades partidárias e coleciona polêmicas; ao sair, citou Winston Churchill


27/07/2021 18:26 - atualizado 27/07/2021 18:47

Eleito pelo Novo, deputado estadual Bartô está sem partido após colecionar polêmicas(foto: Guilherme Bergamini/ALMG)
Eleito pelo Novo, deputado estadual Bartô está sem partido após colecionar polêmicas (foto: Guilherme Bergamini/ALMG)
O deputado estadual mineiro Bartô foi expulso do partido Novo nesta terça-feira (27/7). Após presenciar a detenção, sem mandado, de um homem acusado de jogar ovos em manifestantes bolsonaristas durante passeata em maio, o parlamentar virou alvo de sindicância interna aberta pela legenda. O caso ampliou o desgaste entre as partes. Ele estava com a filiação suspensa há mais de dois meses.

A expulsão de Bartô foi definida pelo Comitê de Ética do Novo após a apuração do caso. "O processo seguiu todos os ritos previstos no Estatuto do partido, com direito a ampla defesa do deputado no Comitê de Ética Partidária. Mas, infelizmente, o julgamento resultou com a pena de expulsão", disse o presidente da seccional mineira da legenda, Ronnye Antunes.

Na Assembleia Legislativa desde 2019, Bartô foi eleito com 31.991 votos. Embora tenha participado das primeiras atividades do Novo em Minas Gerais, o deputado deixou a legenda tecendo críticas a ex-correligionários.

"Durante os três anos de mandato, tenho trabalhado incansavelmente pela defesa de nossos valores e, com isso, lutas foram travadas, entre elas, infelizmente, com pessoas ligadas ao próprio partido Novo", lê-se em trecho do comunicado de saída distribuído por ele.

Citando Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Grande Guerra, Bartô alegou ter sofrido perseguições de dirigentes do Novo após participar do ato que defendeu, em 1° de maio, pautas como o voto impresso e, nas palavras dele, a "defesa da liberdade de trabalho".

"Após isso, fui perseguido pelo Diretório Nacional do partido, que a meu ver, é um órgão que não representa em nada o partido e seus filiados", reclamou.

No protesto, além das bandeiras citadas por Bartô, apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) defenderam intervenções antidemocráticas sob o lema "eu autorizo".

Entenda o caso


Bartô presenciou a prisão de Filipe da Fonseca Cezario, acusado de atacar, com ovos, participantes de ato pró-Jair Bolsonaro (sem partido). O deputado estava na passeata e, ao lado de policiais militares, subiu ao apartamento do homem, de 32 anos, acusado de atirar ovos em manifestantes que passavam pela Avenida Afonso Pena, no Centro.   

Filipe foi levado pelos agentes de segurança e ficou sob custódia até a noite daquele 1° de maio. No vídeo que mostra o momento da prisão, é possível ver o acusado e seus amigos solicitarem - sem serem atendidos - mandado justificando a ação e a suposta gravação citada pelos agentes como justificativa para o flagrante.

O parlamentar do Novo acompanhou a operação do corredor do 11° andar do prédio em que Filipe reside. Em determinado momento da gravação, os colegas do rapaz pedem aos policiais a identificação da delegacia responsável pelo caso. Após muita insistência, um agente só dá a informação depois de pedido expresso de Bartô.

Em 2019, o deputado ofendeu, em um grupo interno de WhatsApp, a vereadora belo-horizontina Marcela Trópia, então assessora do deputado Guilherme da Cunha na Assembleia Legislativa.

À época, ele recebeu advertência pública da agremiação. Nos prints das conversas, há diversos ataques. Ele chegou a acusá-la de ter "furado a camisinha".

Relação distante com colegas e proximidade com bolsonaristas


Com a saída de Bartô, o Novo passará a ser representado no Legislativo, além de Guilherme da Cunha, por Laura Serrano. Embora seja tenha sido companheiro de legenda do governador Romeu Zema, Bartô não é um dos deputados mais afeitos ao atual gestor do estado.

Em dezembro do ano passado, o político chamou de "mentiroso" o então secretário de Planejamento e Gestão, Otto Levy Reis. Nos bastidores da Assembleia Legislativa, a postura altamente crítica de Bartô às ações de Zema não surpreende. Ele foi o único deputado estadual a votar contrariamente ao projeto que concede bolsa de R$ 600 a famílias de Minas em situação de extrema pobreza.

Bartô tem mais trânsito com figuras extremamente alinhadas ao bolsonarismo que com ex-colegas de partido. Ele mantém boa relação com Bruno Engler, do PRTB, que o acompanhou à delegacia no dia da detenção de Filipe Cezário.


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