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Estado de Minas COLECIONADOR DE POLÊMICAS

Novo suspende Bartô, que presenciou prisão de homem por 'jogar ovos'

Deputado estadual acompanhou do corredor ação que deteve rapaz suspeito de atacar manifestação bolsonarista em BH


13/05/2021 20:33 - atualizado 14/05/2021 08:05

Segundo o staff de Bartô, ele não recebeu comunicado informando a suspensão(foto: Daniel Protzner/ALMG)
Segundo o staff de Bartô, ele não recebeu comunicado informando a suspensão (foto: Daniel Protzner/ALMG)
A direção do Partido Novo em Minas Gerais afirmou, nesta quinta-feira (13/5), que o deputado estadual Bernardo Bartolomeo, o 'Bartô', está suspenso da legenda. Ele é alvo da Comissão de Ética do diretório nacional após presenciar a prisão de Filipe da Fonseca Cezario, em Belo Horizonte, durante um ato favorável ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Leia no Opinião sem medo: Ou o Novo expulsa Bartô do partido ou pode mudar nome para Arena
 
 

Bartô estava na manifestação e, ao lado de policiais militares, subiu ao apartamento de Filipe. O homem, de 32 anos, foi acusado de atirar ovos em bolsonaristas que passavam pela Avenida Afonso Pena, no Centro da capital mineira. Ele ficou detido até a noite do mesmo dia.

No vídeo que mostra o momento da detenção, é possível ver o acusado e seus amigos solicitarem — sem serem atendidos — mandado justificando a ação e a suposta gravação citada pelos agentes como justificativa para o flagrante. O parlamentar do Novo acompanhou a operação do corredor do 11° andar do prédio em que Filipe reside.

“O Partido Novo preza pelo rigor e seriedade na aplicação de penas por descumprimentos éticos. Os mandatários do Novo têm um termo de compromisso assinado com o partido que reforça os compromissos do estatuto, válido para todos os filiados. Não apenas seus mandatários, mas também os filiados e dirigentes, têm o dever de se portar de forma ética, legal e moral. Neste momento, o deputado Bartô está com sua filiação suspensa”, diz comunicado enviado ao Estado de Minas pelo presidente estadual do Novo, Ronnye Antunes.

O diretório estadual do Novo vai seguir a decisão adotada pela Comissão de Ética. Na semana passada, o Estado de Minas mostrou que Bartô deve ser expulso do partido.

A reportagem procurou o parlamentar por meio de sua equipe de comunicação. Segundo o staff de Bartô, ele não recebeu comunicado informando a suspensão.

Internamente, a situação de Bartô é vista como delicada. Ainda há a “ficha corrida” como agravante. Em 2019, ofendeu, em um grupo interno de WhatsApp, a vereadora belo-horizontina Marcela Trópia, então assessora do deputado Guilherme da Cunha na Assembleia Legislativa. À época, ele recebeu advertência pública da agremiação. 

Nos prints das conversas, há diversos ataques à correligionária. Ele chega a acusá-la de ter “furado a camisinha”. 

Na prisão de Filipe Cezario, é Bartô o responsável por “intermediar” a comunicação entre os policiais e outros espectadores da cena. Em determinado momento, quando o rapaz é conduzido ao elevador, sua namorada, Andreza Francis, pergunta para qual delegacia o rapaz seria levado. Ela não obtém resposta dos policiais, que só informam o endereço após pedido do deputado.

Bartô é crítico de Zema e poderá apresentar defesa


 
Na Comissão de Ética do Novo, o parlamentar mineiro poderá se defender das acusações. Ao anunciar a abertura de sindicância, a direção nacional classificou a postura do político como “vergonhosa” e “deplorável”.

Embora seja correligionário do governador Romeu Zema, Bartô não é um dos deputados mais afeitos ao atual gestor do estado. Em um dos mais recentes episódios, em dezembro do ano passado, o deputado chamou de “mentiroso” o então secretário de Planejamento e Gestão, Otto Levy Reis. 

Deputado em primeiro mandato, ele recebeu 31.991 votos em 2018. O parlamentar também será alvo da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia.


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