
Durante a sessão, o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da COVID condenou apenas as ações dos militares que se envolveram em negociações suspeitas para compra de vacina e do depoente Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde.
Dias foi sargento da Aeronáutica e teve o nome citado em denúncias de irregularidades na aquisição de vacinas pelo governo federal.
A acusação é de que ele tenha pedido propina ao cabo da Polícia Militar Luiz Paulo Dominguetti, que se diz representante da Davati Medical Supply, para articular a compra de vacinas da AstraZeneca (Oxford/Fiocruz).
Apesar do presidente da CPI se referir apenas a Dias, o Ministério da Defesa condenou a declaração, como se ela fosse direcionada às Forças Armadas como instituição.
Ministério da Defesa
A nota, assinada pelo ministro da Defesa Walter Braga Neto e pelos comandantes de Marinha Exército e Aeronáutica, chama a acusação de "grave, infundada e irresponsável".
"As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro", informa o documento, sem entrar no mérito da prisão de Dias, ordenada por Aziz durante a sessão.
Pelas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência Onyx Lorenzoni compartilharam o texto. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) também condenou a fala de Aziz.
Contra-ataque
Após as críticas, o presidente da CPI também se posicionou. “Minha fala, hoje, foi pontual. E reafirmo o que disse na CPI. Podem fazer 50 notas contra mim, só não me intimidem. Porque ao me intimidar, eles intimidam essa casa aqui”, disse.
O que é uma CPI?
O que a CPI da COVID investiga?
Saiba como funciona uma CPI
O que a CPI pode fazer?
- chamar testemunhas para oitivas, com o compromisso de dizer a verdade
- convocar suspeitos para prestar depoimentos (há direito ao silêncio)
- executar prisões em caso de flagrante
- solicitar documentos e informações a órgãos ligados à administração pública
- convocar autoridades, como ministros de Estado — ou secretários, no caso de CPIs estaduais — para depor
- ir a qualquer ponto do país — ou do estado, no caso de CPIs criadas por assembleias legislativas — para audiências e diligências
- quebrar sigilos fiscais, bancários e de dados se houver fundamentação
- solicitar a colaboração de servidores de outros poderes
- elaborar relatório final contendo conclusões obtidas pela investigação e recomendações para evitar novas ocorrências como a apurada
- pedir buscas e apreensões (exceto a domicílios)
- solicitar o indiciamento de envolvidos nos casos apurados
O que a CPI não pode fazer?
Embora tenham poderes de Justiça, as CPIs não podem:
- julgar ou punir investigados
- autorizar grampos telefônicos
- solicitar prisões preventivas ou outras medidas cautelares
- declarar a indisponibilidade de bens
- autorizar buscas e apreensões em domicílios
- impedir que advogados de depoentes compareçam às oitivas e acessem
- documentos relativos à CPI
- determinar a apreensão de passaportes

A história das CPIs no Brasil
CPIs famosas no Brasil
1992: CPMI do Esquema PC Farias - culminou no impeachment de Fernando Collor
1993: CPI dos Anões do Orçamento (Câmara) - apurou desvios do Orçamento da União
2000: CPIs do Futebol - (Senado e Câmara, separadamente) - relações entre CBF, clubes e patrocinadores
2001: CPI do Preço do Leite (Assembleia de MG e outros Legislativos estaduais, separadamente) - apurar os valores cobrados pelo produto e as diretrizes para a formulação dos valores
2005: CPMI dos Correios - investigar denúncias de corrupção na empresa estatal
2005: CPMI do Mensalão - apurar possíveis vantagens recebidas por parlamentares para votar a favor de projetos do governo
2006: CPI dos Bingos (Câmara) - apurar o uso de casas de jogo do bicho para crimes como lavagem de dinheiro
2006: CPI dos Sanguessugas (Câmara) - apurou possível desvio de verbas destinadas à Saúde
2015: CPI da Petrobras (Senado) - apurar possível corrupção na estatal de petróleo
2015: Nova CPI do Futebol (Senado) - Investigar a CBF e o comitê organizador da Copa do Mundo de 2014
2019: CPMI das Fake News - disseminação de notícias falsas na disputa eleitoral de 2018
2019: CPI de Brumadinho (Assembleia de MG) - apurar as responsabilidades pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão
