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Estado de Minas IRREGULARIDADES

CPI dos Fura-Fila: vacinação fugiu do 'padrão normal', afirma deputado

Deputados que integram a comissão da ALMG visitaram nesta quarta-feira (24/3) Central de Rede de Frio, onde ficam armazenadas as vacinas recebidas pelo estado


24/03/2021 12:48 - atualizado 24/03/2021 19:29

Deputados estaduais integrantes da CPI dos Fura-fila visitaram nesta quarta-feira (24/3) a central onde o governo de Minas armazena as vacinas recebidas pelo estado(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Deputados estaduais integrantes da CPI dos Fura-fila visitaram nesta quarta-feira (24/3) a central onde o governo de Minas armazena as vacinas recebidas pelo estado (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Servidores da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) em Belo Horizonte podem ter tido um processo de vacinação contra COVID-19 diferente do que ocorreu com os demais assessores das superintendências regionais de saúde espalhadas pelo interior.

Esta foi a conclusão dos deputados estaduais que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fura-Fila, criada para apurar a suspeita de imunização irregular de servidores do estado. Os parlamentares visitaram nesta quarta-feira (24/3) a Central de Rede de Frio do governo mineiro, na Gameleira, Região Oeste da capital, onde ficam armazenadas as vacinas recebidas pelo estado. 

O objetivo, segundo os deputados, era conhecer as condições de armazenamento dos imunizantes, verificar o controle de estoque e a distribuição para os demais municípios mineiros. O local da visita foi sede das vacinações irregulares contra COVID-19 dos servidores estaduais. 
 

A conclusão até o momento, segundo o presidente da comissão, deputado João Vítor Xavier (Cidadania), é de que houve um processo diferente na unidade de Belo Horizonte. “Nós saímos com uma impressão muito reforçada de que de fato alguma coisa fugiu do padrão normal. Temos 28 superintendências de saúde no estado, apenas uma fez a vacinação própria sem passar pela secretaria municipal, a de Belo Horizonte”, afirmou. 

O parlamentar explicou quais as diferenças entre as demais unidades da secretaria. “Aqui foi feita uma vacinação em que foi separada uma parte da vacina e outra parte do carregamento para vacinar os servidores daqui. Isso não aconteceu em nenhuma das outras 27 secretarias. Todas as vacinas foram enviadas para o município e cada um deles pactuou com a regional como se daria o processo. Em BH não foi feito esse processo com a Prefeitura de Belo Horizonte, foi direto para atender os servidores, o que reforça muito o sentimento de que houve uma diferenciação para esses servidores”, ressaltou.
 
 
O deputado deixou claro que até o momento, todas as listas enviadas pela Secretaria de Estado de Saúde com os nomes dos servidores vacinados foram divergentes e que eles devem cobrar um posicionamento oficial.

“Não sei dizer o número exato de quantos servidores foram vacinados, nós já fizemos esta solicitação algumas vezes e recebemos listas diferentes e divergentes. Tivemos com 500 nomes e também de 800 e até mesmo de 1.800. Agora fizemos um requerimento na CPI para ter a confirmação oficial de quantas pessoas foram vacinadas. Até o momento é impossível ter esta certeza porque os documentos enviados são divergentes”, informou João Vítor.

Estiveram presentes na visita seis dos sete membros efetivos da CPI: Deputado João Vítor Xavier (Cidadania), presidente da comissão, Cássio Soares (PSD) relator, Repórter Rafael Martins (PSD), Noraldino Jr. (PSC), Ulysses Gomes (PT) e Roberto Andrade (Avante). O único que não compareceu foi o deputado Sávio Souza Cruz (MDB) por ser grupo de risco do novo coronavírus. Além deles, o deputado Zé Guilherme (PP), membro suplente também marcou presença.
 

"Governos erram, mas gestores inexperientes erram em dobro"

Enquanto os integrantes da CPI estavam na visita, o presidente da ALMG, deputado Agostinho Patrus (PV) compartilhou nas redes sociais sua indignação com a situação. "Governos erram, mas gestores inexperientes erram em dobro. Esses não têm noção de responsabilidade, não conhecem quem tá na ponta, não sabem administrar o que é do povo. Um erro pode causar sérios danos à saúde e trazer - como vemos - inúmeros estragos para um Estado e um país", escreveu.
 
Ele ainda ressaltou que a comissão vai apontar os erros dos gestores, "O papel de uma CPI é investigar os erros, apontar se houve crime, identificar responsáveis e encontrar alternativas para minimizar os danos causados. É isso que fazemos na ALMG com a CPI dos Fura-filas da vacinação", destacou.
 
 

Oitivas

Os parlamentares começam a ouvir pessoas envolvidas no processo de vacinação no estado nesta quinta-feira (25/3) às 9h, no Auditório José Alencar, da Assembleia. Vão participar desta primeira rodada a promotora de Justiça de Defesa da Saúde de Belo Horizonte, Josely Pontes, a ouvidora-geral do Estado, Simone Deoud, a ouvidora da Saúde, Thamires Maciel, o controlador-geral do Estado, Rodrigo Miranda.
 

Além dos servidores do estado, será ouvido o da Assembleia  o gerente-geral de Saúde Ocupacional da Assembleia, Marcus Vinícius Pereira. Ele vai informar as circunstâncias da vacinação dos funcionários da ALMG que atuam no serviço de saúde da instituição. 

Ainda na lista dos próximos a serem interrogados pelos deputados está o ex-secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, que foi convocado para prestar esclarecimentos. E ainda o ex-secretário adjunto Luiz Marcelo Cabral Tavares.
  

Resposta da Secretaria 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) enviou uma nota para o Estado de Minas esclarecendo a situação e reforçou estar à disposição dos trabalhos da CPI. Confira a nota na íntegra: 
 
"A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) esclarece que, quanto aos protocolos adotados para a imunização dos servidores contra a covid-19, não houve mudanças para a imunização deste público, uma vez que a vacinação extra muro, é rotineira e em conformidade com o Programa Nacional de Imunização.

Neste caso específico, foi feita na Rede de Frio em razão da possibilidade de melhor organização da execução da vacinação, evitando, inclusive, aglomerações. A SES-MG segue, estritamente, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19, do Ministério da Saúde.

A SES-MG reforça que está colaborando com os trabalhos da CPI e à disposição para esclarecimento de quaisquer dúvidas."
 
 


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