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Estado de Minas IMUNIZAÇÃO NO BRASIL

Bolsonaro é o maior culpado pelo atraso nas vacinas, aponta pesquisa

Levantamento do Instituto Paraná mostra que 35% da população culpa o presidente pela demora no fornecimento dos imunizantes; 29,9% culpam laboratórios


21/01/2021 15:08 - atualizado 21/01/2021 15:58

Quase 8% dos entrevistados apontam que 'todos' são responsáveis pelo atraso na chegada da vacina ao país(foto: Governo do Estado de São Paulo/Reprodução)
Quase 8% dos entrevistados apontam que 'todos' são responsáveis pelo atraso na chegada da vacina ao país (foto: Governo do Estado de São Paulo/Reprodução)
Pesquisa realizada pelo Instituto Paraná entre os dias 15 e 18 de janeiro mostra que 35,1% da população enxerga o presidente Jair Bolsonaro como o maior responsável pelo atraso da vacinação no Brasil.

 

Os laboratórios farmacêuticos foram apontados por 29,9% dos entrevistados, seguido do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, que foi responsabilizado em 5,2% das respostas. 7,6% disse que todos são responsáveis e 19,9% não escolheu nenhuma das opções colocadas.

 

(foto: Marco Faleiro/E.M/D.A Press)
(foto: Marco Faleiro/E.M/D.A Press)
 

 

O presidente da República vem sendo duramente criticado pelo fato de o governo federal ter fechado convênio com apenas um laboratório, o britânico AstraZeneca, para a produção do imunizante na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e por não ter dado apoio político e logístico ao desenvolvimento da Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantan, centro de pesquisa biológica do estado de São Paulo, governado por seu desafeto, João Doria (PSDB).

 

Desde o início da pandemia, tanto o presidente da República quanto o ministro da Saúde defenderam o chamado "tratamento precoce" para a COVID-19 — ou seja, o uso de medicamentos como os citados acima nas fases iniciais da doença. Os medicamentos, no entanto, se mostraram ineficazes em diversos estudos rigorosos realizados ao redor do mundo.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, por unanimidade, nesse domingo (17), o uso emergencial da Coronavac, e da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

 

O imunizante desenvolvido em São Paulo tornou-se alvo de briga política entre Doria e o presidente Jair Bolsonaro. O Planalto forçou, em outubro, o Ministério da Saúde a cancelar uma promessa de compra da Coronavac. Bolsonaro disse ainda que não compraria a vacina para o plano nacional por sua "origem". "Da China nós não compraremos. É decisão minha. Não acredito que ela transmita segurança suficiente à população pela sua origem. Esse é o pensamento nosso", disse ele em 21 de outubro à Rádio Jovem Pan.

 

No mesmo dia em que a Anvisa aprovou as vacinas, viralizou um vídeo do presidente da República debochando do governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e da vacina do Instituto Butantan. O vídeo é um trecho de uma live que Bolsonaro fez em suas redes sociais em 30 de outubro de 2020. Nele, o chefe do executivo debocha de Doria e diz que não vai pagar pela vacina. 

 

“Querido governador de São Paulo, sabe que sou apaixonado por você. Sabe disso, poxa... Fica difícil, né? E outra coisa, ninguém vai tomar tua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. E eu, eu que sou o governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vai comprar tua vacina também não, tá ok? Procura outro pra pagar a tua vacina aí”, disse.

 

Ainda no domingo (17), após a aprovação da Anvisa, o governador de São Paulo comandou evento para as primeiras vacinações com a Coronavac. Em um primeiro lote, foram distribuídas 6 milhões de doses da Coronavac e grande parte dos estados receberam suas doses na segunda-feira (18). Mas o material disponível no país para a produção de imunizantes já foi praticamente todo consumido, segundo disse o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas. %u2028

 

Covas disse que há 5,4 mil litros de insumos para a produção de vacinas prontos na China, "que darão origem a 5 milhões de doses". Ele pediu que o governo federal auxilie as tratativas com o governo chinês para acelerar a liberação das matérias-primas, citando o presidente e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

 

A condução da política externa do governo Bolsonaro vem sendo responsabilizada pelo empasse na liberação da matéria-prima necessária para a produção nacional. Críticos indicam que a as recorrentes ofensas contra a China disparadas por Bolsonaro e por seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), podem estar criando problemas nas conversas diplomáticas para desobstruir as negociações.

 

O Brasil tem dificuldades para liberar uma carga de dois milhões de doses da vacina de Oxford, produzida pelo governo da Índia em parceria com o instituto indiano Serum. Além disso, laboratórios brasileiros aguardam que a China libere a exportação de dois tipos de ingredientes farmacêuticos ativos (IFA) produzido em solo chinês. 

 

O IFA é a matéria-prima para que as vacinas sejam processadas e produzidas no Brasil. O atraso afeta a produção brasileira da vacina de Oxford, prevista em um contrato da Fiocruz com o laboratório Astrazeneca, e também a produção da CoronaVac, fruto de parceria entre o Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac.

 

O levantamento da Paraná Pesquisas foi feito através de entrevistas pessoais telefônicas com uma amostra de 2105 habitantes com 16 anos ou mais em 26 estados e no Distrito Federal durante os dias 15 a 18 de janeiro de 2021. A margem de confiabilidade é de 95%.

 

*estagiário sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz


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