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Estado de Minas POLÍTICA

MDB conquista 100 cidades de MG, mas desempenho cai em relação a 2016; PT e PSDB também sofrem queda

PSD, Democratas e Avante cresceram no interior do estado; veja detalhes


16/11/2020 19:40

Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de BH, foi um dos territórios conquistados pelo MDB.(foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana de BH, foi um dos territórios conquistados pelo MDB. (foto: Marcos Michelin/EM/D.A Press)
Três dos principais partidos políticos brasileiros, PT, PSDB e MDB diminuíram o número de prefeituras obtidas em Minas Gerais. Nesse domingo (15), os emedebistas venceram a disputa em 100 das 849 cidades onde não haverá segundo turno. Em 2016, foram 163. Mesmo assim, a agremiação continua sendo a que maior detentora de Executivos municipais no estado. Na vice-liderança do ranking, estão os tucanos, que triunfaram em 89 localidades — 43 a menos que quatro anos atrás. Petistas também tiveram queda no desempenho: as 41 cadeiras do pleito passado transformaram-se em 26.

Por outro lado, legendas como Democratas e PSD registraram crescimento. A primeira sigla saltou de 53 prefeituras para 85. Pessedistas, que tinham 55, agora possuem 20 a mais. Quem também elegeu muitos prefeitos foi o Avante: 52. Quatro anos atrás, foram cinco — portanto, em termos estaduais, houve aumento de 834%.



A centena de disputas vencida pelo MDB se espalha por todo o território de Minas Gerais. A maioria das cidades conquistadas são pequenas, mas há localidades relevantes, como Pedro Leopoldo, na Região Metropolitana, onde Eloisa do Tadeu foi eleita. Em Mariana, na Região Central, foi a vez de Celso Cota, enquanto em Nova Serrana, no Sul, Euzébio Lago venceu.

Para o deputado federal Newton Cardoso Júnior, presidente do diretório estadual emedebista, os resultados obtidos evidenciam a recuperação da legenda em Minas.

“Temos, a partir daqui, a oportunidade de mostrar a força do nosso partido, mesmo com o ambiente de desgaste para o político em geral, que vem com a demonstração de que o partido se recupera e consegue resgatar e manter o vínculo com o povo dentro do estado de Minas Gerais. Saímos das urnas maiores, representados em todas as regiões de Minas e em condições de pleitear espaço majoritário na disputa em 2022”, crava, mirando a próxima disputa.

No PSDB, vitórias importantes em Poços de Caldas, no Sul, onde Sergio Azevedo levou a melhor, e em Coronel Fabriciano, no Vale do Aço. Por lá, o ganhador foi Doutor Marcos Vinícius. No Vale do Rio Doce, o felizardo foi André Merlo, reeleito em Governador Valadares.

O presidente tucano em Minas, Paulo Abi Ackel — que é congressista — diz que o partido se saiu bem, sobretudo, ante esforços para lançar novos quadros. “O PSDB se mantém entre as maiores agremiações no do estado. É o terceiro em número de representantes nas câmaras municipais e buscou a renovação de quadros lançando jovens candidatos como Luísa Barreto e Juvenal Araújo em Belo Horizonte”.

PT admite desempenho aquém


Embora tenha mantido cidades importantes, como Alfenas (Sul), onde Luizinho foi reeleito, e Teófilo Otoni (Vale do Mucuri), que deu mais quatro anos a Daniel Sucupira, internamente, o Partido dos Trabalhadores trata os feitos em Minas como abaixo das expectativas.

A avaliação foi compartilhada ao Estado de Minas pelo presidente estadual do partido, Cristiano Silveira. “Não é o resultado que gostaríamos, essa é a verdade. Tínhamos projetado um desempenho um pouco melhor, mas não tínhamos a ilusão de que seria fácil — estamos em um trabalho de retomada do PT”, afirma o parlamentar estadual.

Outro triunfo significativo do partido foi em João Monlevade, área Central do estado, onde Dr. Laércio foi escolhido pela população. Quadros históricos do partido, porém, sofreram derrotas. Em Belo Horizonte, Nilmário Miranda amargou a sexta posição, com 1,88% dos votos válidos. O deputado federal Leonardo Monteiro perdeu em Governador Valadares, no Sul de Minas. Após obter 14,45%, ele terminou no terceiro posto.

Apesar disso, o PT deposita fichas em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e Contagem, na Região Metropolitana, duas das quatro cidades onde haverá segundo turno. Petistas terminaram a votação inicial na liderança em ambas as localidades. Tratam-se, respectivamente, de Margarida Salomão (deputada federal) e Marília Campos (deputada estadual).

“Queríamos ter feito mais prefeituras, mas não entendo que o partido tenha sido derrotado. Precisamos saber o resultado desses dois municípios, que são grandes”, sustenta Cristiano Silveira.

Bem no entorno de BH, PSD já mira 2022


Partido de Alexandre Kalil, o PSD também venceu em Betim, com Vittorio Medioli, e em Santa Luzia, com o delegado Christiano Xavier. Os bons resultados colhidos neste ano fazem o senador Carlos Viana, responsável pela direção estadual pessedista, crer em protagonismo na próxima eleição geral.

“Nosso desejo agora é apresentar à Minas Gerais uma legenda de equilíbrio, diálogo, mas principalmente de planejamento. No âmbito nacional, o PSD se torna um player muito importante para as decisões de 2022”.

Em que pese o desempenho positivo, Viana almeja aumentar o número de políticos filiados à sigla. “Temos a possibilidade de receber no ano que vem alguns prefeitos que foram eleitos por outros partidos e que caminharam conosco em coligações”, projeta.

Quem também festeja é Rodrigo Pacheco, presidente estadual do Democratas e colega de Viana no Senado Federal. “Foi um desempenho muito significativo, que coloca o partido entre os grandes de Minas Gerais”, avalia.

Os democratas conquistaram Ribeirão das Neves, por meio da reeleição de Junynho Martins. Conselheiro Lafaiete, com Mário Marcos, e Paracatu, com Igor Santos, também foram vencidas pelo partido.

Representados por Felipe Saliba, o Democratas está no returno em Contagem.


Avante comemora crescimento exponencial


Cinquenta e duas das 78 cidades vencidas pelo Avante estão em Minas Gerais. Varginha, no Sul de Minas, onde Vérdi Lúcio foi reeleito, é uma delas. Em Ituiutaba, no Triângulo, Leandra Guedes triunfou.

O deputado federal mineiro Luis Tibé é o presidente nacional da legenda, antes chamada de PTdoB. À reportagem, o parlamentar se disse feliz pelos resultados conquistados, sobretudo, por conta da nova regra que norteia a distribuição dos recursos públicos para campanha, baseada em apurações passadas.

“Foi muita luta e criatividade nas campanhas. Tudo foi feito com poucos recursos, se for comparado aos demais partidos. Graças a Deus, tudo deu certo. Vamos, agora, trabalhar para a próxima”, analisou.

Em contrapartida, o Novo, partido do governador Romeu Zema, lançou apenas três candidatos a prefeito em Minas. Todos acabaram derrotados.


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