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Estado de Minas POLÍTICA

Em pronunciamento, Bolsonaro volta a citar presidente da OMS e muda o tom sobre coronavírus

Presidente afirmou que Covid-19 é o 'maior desafio da nossa geração'


postado em 31/03/2020 20:35 / atualizado em 31/03/2020 22:05

Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido)(foto: Carolina Antunes/PR)
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) (foto: Carolina Antunes/PR)

Bem diferente do tom de seu último pronunciamento em rede de rádio e tv, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), admitiu nesta terça-feira que o vírus é uma "realidade". Antes tratado por Bolsonaro como uma "gripezinha", o vírus passou a ser visto como "maior desafio da nossa geração" (veja o vídeo ao final desta matéria).

Assim como fez nesta manhã, Bolsonaro voltou a utilizar apenas um trecho da fala do presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sobre a necessidade de assistência às pessoas sem renda. Contudo, mais uma vez, Bolsonaro omitiu que o posicionamento da entidade é favorável ao isolamento social.

Mais uma vez, vários bairros de Belo Horizonte fizeram protestos e panelaço durante o pronunciamento de Bolsonaro.

Mudança de tom sobre coronavírus

Após ter dito no início do mês que a "questão do coronavírus" não é "isso tudo" e se trata muito mais de uma "fantasia" propagada pela mídia no mundo todo, Bolsonaro passou a tratar a questão de forma diferente.

No pronunciamento desta noite, o presidente disse que está preocupado em salvar vidas e que estamos diante de um enorme desafio.

(foto: Isac Nóbrega/PR)
(foto: Isac Nóbrega/PR)


Agora estamos diante do maior desafio da nossa geração. Minha preocupação sempre foi salvar vidas. Tanto as que perderemos pela pandemia quanto aquelas que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome. Me coloco no lugar das pessoas e entendo suas angustias. As medidas protetivas devem ser implementadas de forma racional, responsável e coordenada”, afirmou o presidente.

A alteração de postura na fala de Bolsonaro foi bastante perceptível. Mesmo mostrando preocupação com a situação econômica do país, o presidente deixou de lado o tom agressivo e os ataques à imprensafeitos em seu último pronunciamento. Também abandonou a narrativa de que a doença é "fantasia", para admitir que "o vírus é uma realidade".

Distorção de fala do presidente da OMS

Jair Bolsonaro voltou a citar a fala do presidente da Organização Mundial de Saúde para tentar dar maior credibilidade ao seu discurso.

Apesar de omitir novamente que o posicionamento da OMS é de manter as medidas de isolamento, o presidente foi mais cauteloso do que em sua entrevista matinal.

Após citar o diretor da OMS nesta noite, o presidente fez a seguinte ressalva. "Não me valho destas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nas mais vulneráveis. Essa tem sido a minha preocupação desde o princípio".

Na manhã desta terça-feira, Bolsonaro distorceu uma declaração do diretor-presidente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, sobre a volta ao trabalho de trabalhadores informais. Segundo Bolsonaro o chefe da OMS estaria “associado” ao seu posicionamento sobre o fim da quarentena.


Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante a gravação de seu pronunciamento(foto: Isac Nóbrega/PR)
Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), durante a gravação de seu pronunciamento (foto: Isac Nóbrega/PR)

Entretanto, Bolsonaro omitiu o trecho em que o diretor da entidade explica que é preciso que os governos dos países garantam assistência às pessoas que ficaram sem renda durante o isolamento recomendado pela própria OMS.

“O que ele disse praticamente, em especial, os informais, têm que trabalhar. (...) Ele estava um pouco constrangido parece, mas falou a verdade, a gente conhece ele com maior profundidade do passado, mas achei excepcional a palavras dele e meus parabéns: OMS se associa ao presidente Bolsonaro”, afirmou Jair Bolsonaro.

Após a polêmica, Tedros Adhanom se manifestou pelo Twitter, reforçando a afirmação de que as pessoas devem seguir em isolamento e que aqueles que ficarem sem rendimentos sejam assistidos por políticas sociais governamentais.

“Pessoas sem fonte de renda regular ou sem qualquer reserva financeira merecem políticas sociais que garantam a dignidade e permitam que elas cumpram as medidas de saúde pública para a Covid-19 recomendadas pelas autoridades nacionais de saúde e pela OMS. Eu cresci pobre e entendo essa realidade. Convoco os países a desenvolverem políticas que forneçam proteção econômica às pessoas que não possam receber ou trabalhar devido à pandemia da covid-19. Solidariedade”, disse o presidente da OMS.


Medidas concretas

Bolsonaro usou o tempo no rádio e na tv para ratificar a adoção de madidas de auxílio anunciadas anteriormente pelos ministros, como a aquisição de novos leitos com respiradores, equipamentos de proteção individual e testes para diagnóstico da Covid-19.

Citou, ainda, a ajuda financeira a estados e municípios, linhas de crédito para empresas, auxilio mensal de R$600 a trabalhadores informais e vulneráveis, a entrada de mais de 1,2 milhão de famílias no programa Bolsa Família e o adiamento do reajuste nos medicamentos no país.

Coronavírus no Brasil

O Brasil já registra 5.717 casos da Covid-19, com 201 mortes. Minas Gerais tem 275 ocorrências da doença e dois óbitos contabilizados.

Pela primeira vez desde 26 de fevereiro – data do primeiro caso confirmado de coronavírus no Brasil – o país superou a marca de mil ocorrências em um único dia. De acordo com dados do Ministério da Saúde, foram 1138 novos casos até às 15h desta terça-feira.