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Estado de Minas

Manifestantes apoiam governo Bolsonaro em BH e várias cidades do país

Por meio das redes sociais, organizadores haviam convocado até ontem atos em pelo menos 312 cidades brasileiras. Em BH, grupo se reúne na Praça da Liberdade


postado em 26/05/2019 08:36 / atualizado em 26/05/2019 19:21

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Manifestação em apoio ao governo Bolsonaro foi convocada pelas redes sociais e ocorre em diferentes cidades neste domingo. Em Belo Horizonte, ato é realizado na Praça da Liberdade (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press )


Manifestantes se reuniram na manhã deste domingo em atos a favor do governo do presidente Jair Bolsonaro em várias cidades do país, como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. A manifestação foi convocada por meio das redes sociais.



Belo Horizonte

Apoiadores do governo ocuparam a Praça da Liberdade, na manhã deste domingo, em defesa do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Mesmo com cinco meses de governo, o ato reproduziu o clima de campanha eleitoral e focou na exaltação do “mito” em contraponto aos demais políticos.

Apesar da orientação oficial passada por aliados do governo, de que a pauta se concentrasse na defesa da reforma da Previdência, quem foi às ruas em Belo Horizonte focou principalmente o discurso em ataques ao Congresso Nacional e ao Centrão, especialmente na pessoa do presidente da Câmara Rodrigo Maia (Dem). De acordo com os organizadores, 30 mil pessoas foram ao ato. A Polícia Militar não fez estimativa de público.

'Deixa ele trabalhar'

A reforma da Previdência acabou servindo de mote para críticas à classe política. Líderes dos movimentos se revezam aos microfones dos carros de som para pedir que deixem o presidente trabalhar. Em um dos cartazes, o recado foi que a “articulação” gera corrupção. “Ah, ah, ah, deixa ele trabalhar”, repetiam os que participavam da manifestação. Repetida várias vezes ao longo do protesto, a frase lembra o jingle de campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha à reeleição em 2006, que dizia “Deixa o homem trabalhar”. 

Veja mais: centenas de pessoas vão às ruas de Montes Claros em apoio a Bolsonaro

Outro recado incisivo foi que, para os apoiadores de Bolsonaro, sem a aprovação da reforma da Previdência, o Brasil quebra.  Entre uma execução do Hino Nacional e outra, os discursos incitaram os que participaram do protesto a pressionar o Congresso a ajudar Bolsonaro a aprovar suas propostas. Entre elas, quem veio à praça também destacou o pacote anti-crime do ministro Sérgio Moro.

Também não faltou o discurso religioso em defesa da família, contra a esquerda e o comunismo. Alvo preferencial, Rodrigo Maia foi lembrado em uma das faixas que dizia que o presidente é Bolsonaro e que “2020 vem aí”. Na mesma linha, houve cartazes contrários ao “parlamentarismo”.

Por Olavo e contra milícia de toga

Além de faixas contra Rodrigo Maia, o Congresso e o Centrão, os manifestantes pregaram o apoio ao escritor Olavo de Carvalho, que representa a ala mais ideológica do governo e tem se posicionado contra os militares. Mais uma vez o Judiciário e a imprensa foram alvos dos apoiadores de Bolsonaro. “Estamos com você presidente. Fora milícia de toga”, dizia um cartaz.

A advogada Sarita da Silva Santos, de 52 anos, segurava uma faixa em que chama o Congresso Nacional de Congresso de Sindicato de Ladrões.  "É minha opinião sobre o Congresso,  eles só olham os próprios interesses e não o da nação. Tem que fazer o que o povo manda porque foram eleitos pelo povo", disse. 

Para ela,  Bolsonaro está sendo prejudicado pelo interesse pessoal de alguns congressistas. "Está na hora de verem que a época da propina e dos conchavos acabou", disse.

Demitir o Centrão

No carro de som, o deputado estadual Coronel Sandro (PSL) discursou contra o Centrão. "A esquerda e o Centrão querem atrapalhar o governo Bolsonaro mas temos um recado pra eles.  Na próxima eleição vamos demitir o Centrão".

O parlamentar acusou os integrantes do Congresso de fazerem chantagem. "Deputados do Centrão vocês estão envergonhando o Brasil.  Esse povo todo veio pra rua pra dizer que vocês são empregados e tem que votar pelo bem do Brasil", disse Coronel Sandro. O deputado também disse que as pessoas de bem mostraram que a direita também sabe fazer manifestação. "Chupa esquerda", disse.

O discurso religioso também forte no ato. Um dos grupos estendeu um  bandeirão com os dizeres: "Jesus, Senhor do Brasil". Fiéis da Igreja Evangélica Guerreiras do Altíssimo seguraram cartaz pedindo orações por Bolsonaro e pelo Brasil.

O grupo católico do Instituto Plínio Correia Oliveira (IPC) também marcou presença. “Defendemos os valores da família católica e cristã, contra a ideologia de gênero, o casamento homossexual, o aborto e tudo que queira destruir a civilização”, disse o voluntário João Vítor da Silva, de 22 anos.

Contra os comunistas


Durante o ato,  manifestantes também gritaram contra o PT e o comunismo, repetindo o bordão "A nossa bandeira jamais será vermelha". No carro de som do Patriotas, os organizadores pediram que os manifestantes não respondessem pesquisadores que estavam em campo colhendo informações.  "São comunistas que estão querendo distorcer a nossa manifestação", disse um líder.  Eles também alertaram aos presentes para ficarem atentos a blogueiros "que se dizem que direita mas que ficam fazendo fofoca".

Neste domingo, o caminhão do Movimento Brasil Livre não esteve presente, já que se posicionou contra a manifestação. O ato foi coordenado por grupos como o Direita Minas, Patriotas, Movimento Conservador Mineiro e representantes de igrejas. Também havia um caminhão do Clube de Tiros com estampa militar.

Sem o MBL

O líder do movimento conservador mineiro Caio Belotte ironizou a ausência dos colegas que engrossaram os últimos atos na praça. "Se o MBL não quis vir paciência. Nós mostramos que podemos fazer manifestação grande sem o MBL", disse.

As manifestações do último dia 15 de maio, quando milhares foram às ruas se manifestar contra os cortes de verba para a educação também foram lembradas em cartazes e discursos. Uma faixa dizia que não era corte, mas contingenciamento.

Já no caminhão de som, o recado foi que os atos foram cheios porque "diretores comunistas" e "professores doutrinadores" liberaram alunos para participar. Uma jovem também usou o microfone para dizer aos estudantes que eles não devem entrar na "modinha"de ser "socialista" e precisam defender os valores tradicionais da família.

Cobertura presidencial

O presidente compartilhou, no Twitter, vídeos que mostram apoiadores no Rio de Janeiro, em Juiz de Fora e em São Luis do Maranhão:




Teste nas ruas

Bolsonaro passa por um teste de força nas manifestações. Embora tenha agido, nos últimos dias, para desvincular os atos de qualquer patrocínio do Palácio do Planalto, Bolsonaro foi alertado por aliados de que essas mobilizações viraram uma "armadilha" para sua gestão porque todos sabem como começam, mas nunca como terminam.

Por meio das redes sociais, organizadores haviam convocado até ontem atos em pelo menos 312 cidades brasileiras. Estão registradas também mobilizações em pelo menos dez municípios no exterior, sendo seis cidades nos Estados Unidos. A estimativa leva em conta eventos que têm locais e horários definidos. São Paulo lidera o número de municípios que têm manifestações programadas, com 63 cidades. Minas Gerais é o segundo, com 39 mobilizações.

Monitoramento

O Palácio do Planalto monitora as redes sociais para verificar a possibilidade de participação de "infiltrados" ou ativistas "black bloc". Há o temor de que, se houver confusão, isso possa ser debitado na conta do governo.

Não foi à toa que Bolsonaro repudiou a defesa do fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal nas manifestações. Após dizer que o problema do Brasil é a classe política e de compartilhar mensagem pelo WhatsApp afirmando que o País é "ingovernável" fora dos conchavos, sem poupar nem mesmo a Justiça, o presidente afirmou que quem apoiar pautas contra o Legislativo e o Judiciário "estará na manifestação errada".

Temas

Mapeamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (Dapp-FGV) identificou que os ataques ao Congresso, em especial ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a parlamentares do Centrão, geraram a maior mobilização nas redes nos últimos dias. O levantamento leva em conta apenas mensagens publicadas no Twitter entre 17 e 24 de maio. 


No período analisado, as menções ao Congresso foram a maioria: 512 mil mensagens. Os outros termos mais citados pelos perfis pró-Bolsonaro foram reforma da Previdência - 405 mil -, pacote anticrime, com 335 mil, Medida Provisória 870, com 232 mil, e STF, com 177 mil. No total, 2,54 milhões geraram debate em torno dos atos.

O Dapp detectou ainda queda no número de menções das manifestações ao fim da semana. Já o pico foi na quarta-feira de manhã - 41.529 mensagens -, quando Bolsonaro disse que não iria aos atos.

(Com informações da Agência Estado)

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