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Estado de Minas

'Temos que exigir mais recursos para Minas', diz Rodrigo Pacheco em entrevista ao EM

Senador eleito diz que vai exigir do próximo presidente mais atenção para o estado


postado em 14/10/2018 06:00 / atualizado em 14/10/2018 07:58

'Vou exigir mais do governo federal, seja quem for o presidente, que possa realizar em Minas Gerais aquilo que aguardamos e esperamos'(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
'Vou exigir mais do governo federal, seja quem for o presidente, que possa realizar em Minas Gerais aquilo que aguardamos e esperamos' (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)


O deputado federal Rodrigo Pacheco (DEM-MG), de 41 anos, chegou a anunciar sua candidatura ao governo do estado, mas pouco antes do início da campanha eleitoral desistiu para apoiar o senador Antonio Anastasia (PSDB). Lançou então sua candidatura para uma das duas vagas de Minas no Senado. Obteve resultado expressivo, com 3.616.864 votos (20,49%) e garantiu cadeira no Parlamento federal ao lado do jornalista Carlos Viana, que ficou com a segunda vaga. Agora, confrontado com a grave crise financeira do estado, Pacheco diz que vai trabalhar no Senado para cobrar maior atenção do governo federal para Minas. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ele afirmou: “Política é a arte de escolher. E o que tem acontecido em Minas é que as escolhas do governo federal são todas para outros estados, menos para Minas. Quero exigir o que o tenha de recursos, mesmo numa crise financeira, possa vir também para Minas”. O senador eleito diz também que vai lutar pela reforma tributária, mudança na Lei de Licitação e combate aos privilégios.

Dos 54 atuais senadores, apenas oito permanecem na Casa. Qual foi o recado das urnas, na avaliação do senhor?

Mudança, que é aquilo que preguei na minha campanha, a necessidade de fazermos mudanças no Senado, de deixar de ser Casa de homenagens para ser uma Casa de ações. As pessoas compreenderam isso e deram um recado nas urnas pretendendo mudanças. Essa pretensão de mudança tem como consequência retirar quem deve ser mesmo substituído e, às vezes, retirar até quem estava tendo bom trabalho. Isso pode acontecer também, mas necessariamente houve mudança e considero que no final das contas isso é muito bom para o Brasil.

As pesquisas davam como certa a eleição de Dilma Rousseff (PT) para o Senado e uma disputa acirrada entre o senhor e outros dois candidatos pela segunda vaga. O que aconteceu para um resultado tão diferente? As pesquisas erraram ou o eleitor trocou o voto em cima da hora?

As duas coisas. Houve erro na realização dessas pesquisas eleitorais e houve na última semana um movimento de conscientização de Minas Gerais, que não aceitou candidatura imposta por um projeto de partido político exclusivamente, que era a candidatura da ex-presidente Dilma. Houve concentração de esforços dos candidatos que na compreensão do povo de Minas Gerais tinha condições de representar Minas no Senado.

Qual será o primeiro projeto do senhor no Senado?

Não há necessariamente um primeiro projeto. Vamos dar continuidade ao trabalho do Anastasia, que tem muitos projetos elaborados e muitos que ele é relator. Pretendo ser o relator desses projetos que o Anastasia tem lá ou é relator, considerando que ele vai para o governo. Estou admitindo a hipótese que ele será o nosso governador. Continuarei também o trabalho com os projetos que tenho na Câmara dos Deputados e vão necessariamente para o Senado e que já tem temas pertinentes também no Senado. E trabalhar no Senado pela aprovação desses projetos tanto que sou autor como relator. E trabalhar muito para dar a governabilidade para o país, para permitir que sejam adotadas as mudanças de que tanto precisamos: reforma tributária, alteração da Lei de Licitações, correção de distorções e de privilégios, que são muitos e temos que trabalhar nessa linha. Simplificação da legislação, menos burocracia, projetos que priorizem quem empreende no país para gerar emprego e trabalho para as pessoas. Então, vamos fazer esse apanhado geral muito tecnicamente para poder ter uma produção legislativa de qualidade no Senado.

O senhor falou em correção de distorções e privilégios. Está se referindo aos penduricalhos pagos no Legislativo, Judiciário e Ministério Público, como auxílio-moradia, auxílio-saúde e verba do paletó?

Considero privilégios e regalias em todos os poderes e todas as instâncias de governo. Temos que identificá-las para poder realmente acabar com isso no país. O que temos que trabalhar é permitir, quando você se refere à magistratura e ao Ministério Público, que eles tenham boas condições de trabalho. E há possibilidade de adicionais de tempo de serviço, de valorização por tempo de magistratura, tudo isso são mecanismos mais adequados do que auxílio-moradia.

O senhor então considera o auxílio-moradia regalia?

Considero o auxílio-moradia em alguns casos desencessário, e para cada caso temos que fazer um estudo para poder superar isso. Auxílio-moradia não pode ser usado para fazer compensação de déficit salarial de qualquer categoria. Eu considero que as categorias têm que ser bem remuneradas, têm que ter boas condições de trabalho, quando mais tempo de trabalho mais valorizado deve ser, porém sem esse subterfúgio de criar algum tipo de vantagem para fazer qualquer tipo de compensação. Temos que ser claros com a população nesse sentido.

A atual bancada de Minas Gerais foi muito criticada durante a campanha pelos candidatos a governador, inclusive acusada de não lutar pelo estado junto ao governo federal. O senhor concorda?

Considero que a bancada federal poderia ter feito mais mesmo, poderia ter sido melhor organizada, mais concatenada e mais unida para defender os assuntos de Minas Gerais. O grande problema é que uma bancada lidera, e precisa ter a liderança de um governador, o que o Fernando Pimentel não fez. Acredito muito que o Antonio Anastasia sendo governador possa liderar esse movimento de reconstrução de Minas Gerais e de representatividade do nosso estado junto a bancada federal de deputados e senadores.

O que o senhor faria de diferente em relação à atual bancada?

Vou exigir mais do governo federal, seja quem for o presidente da República, que possa realizar em Minas Gerais aquilo que aguardamos e esperamos. É mais um trabalho de unificação, unir a bancada, abstrair questões relativas a partidos políticos, linhas ideológicas e ter o interesse comum de defesa de Minas Gerais. Fazer uma exigência proporcional ao tamanho de Minas no cenário nacional, proporcional à importância de Minas para a governabilidade do presidente da República. Temos que exigir do governo federal com bastante veemência que possam vir para cá os recursos de que precisamos para poder superar nossa crise.

Mas como exigir dinheiro que o governo federal diz não ter?

Temos que ajudar na governabilidade para ajudar a superar a crise econômica do estado e do país, não há dúvida alguma. Agora, na política, há critérios de escolha. Política é a arte de escolher. E o que tem acontecido em Minas Gerais é que as escolhas do governo federal são todas para outros estados, menos para Minas. Quero exigir que o que tenha de recursos, mesmo numa crise financeira, possa vir também para Minas Gerais.

A nova bancada de Minas Gerais mantém perfil conservador. Como o senhor acredita que vai ser a atuação dos mineiros com o Palácio do Planalto em caso de vitória de Jair Bolsonaro ou de Fernando Haddad?

Digo que, independentemente de quem seja o presidente, vou estabelecer diálogo, estabelecer a conversa muito clara para a defesa de Minas Gerais. Com um pode ser mais fácil, com outro pode ser um pouco mais difícil, mas será possível. A minha experiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados me permite dizer que vou ter diálogo muito tranquilo com quem for o presidente da República para defender os interesses de Minas Gerais. E espero que o próximo presidente tenha a responsabilidade de reconhecer as nossas necessidades em Minas e possa cumprir com a dívida histórica que o governo tem com o nosso estado.

No segundo turno, que o senhor vai apoiar para presidente?

Vou votar no Jair Bolsonaro para presidente, porque entendi que em Minas Gerais houve um não muito forte a esse modelo do Partido dos Trabalhadores, tanto no estado quanto no Brasil. Tenho que fazer realmente valer o que é a vontade do povo de Minas Gerais, quando nega a ida para o segundo turno do governador do PT, quando confere uma derrota a uma ex-presidente da República que é candidata ao Senado pelo PT, tenho que ser a voz e vontade de Minas Gerais nesse momento.

O senhor já disse que o governo federal tratou a reforma da Previdência da forma errada. Qual é a forma correta?

Primeiramente, não atribuir à reforma da Previdência à solução de todos os males do Brasil, como fez o presidente Michel Temer. Foi um erro. Segundo, explicar para a população que a correção das distorções da Previdência Social para adequá-la ao momento que temos, que é de aumento na expectativa de vida do brasileiro, não é sacrifício de direitos das pessoas que recebem menos. Temos que atingir as distorções do sistema previdenciário nacional. Terceiro, preservar o máximo possível os direitos adquiridos e estabelecer regra de transição mais longa para evitar aquela situação de uma pessoa, pronta já para se aposentar, ter que trabalhar, em vez de mais um ano, trabalhar 10 anos para poder se aposentar. Isso é uma injustiça e demonstra a imprevisibilidade do país e insegurança jurídica. São esses pontos que temos que tratar. E ter conversa muito aberta com a sociedade de modo geral para que todos possam compreender quais os pontos que merecem ser preservados e que os precisam ser alterados.


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