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Estado de Minas

Ex-presidente da Samarco vai comandar Codemig e Codemge

Apesar de a assessoria de Romeu Zema não confirmar, comunicado do atual presidente, Marco Antônio Castello Branco, foi enviado a servidores informando a mudança


postado em 27/02/2019 21:26 / atualizado em 27/02/2019 21:37

José Tadeu de Moraes trabalhou na Samarco desde a década de 1980 e presidiu a empresa de 2003 a 2011(foto: Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press)
José Tadeu de Moraes trabalhou na Samarco desde a década de 1980 e presidiu a empresa de 2003 a 2011 (foto: Marcelo Sant'Anna/EM/D.A Press)

Em comunicado enviado por e-mail a funcionários da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), o atual presidente da estatal, Marco Antônio Castello Branco, informa que quem vai assumir o comando da Codemig e da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) é José Tadeu de Moraes. Indicado pelo governador Romeu Zema, Morais presidiu de 2003 a 2011 a mineradora Samarco, responsável pelo rompimento da barragem em Mariana, em 2015.

No texto, Castello Branco, um dos remanescentes da gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT), explica que, no dia 8 de março, os conselhos de administração das duas companhias vão eleger Moraes e convocar assembleias para a renovação das cadeiras e a unificação dos dois conselhos. A assessoria de Zema não confirma a informação.

O EM teve acesso ao comunicado recebido pelos servidores, em que Castello Branco comunica a novidade e ressalta que Moraes é um nome “experiente e reconhecido executivo do setor de mineração” e que reúne "todos os atributos" para comandar as empresas públicas. José Tadeu de Moraes disse que a informação está circulando, mas que não tem a confirmação de que vai assumir o cargo.

Moraes presidiu a Samarco de setembro de 2003 a dezembro de 2011, mas trabalhou na empresa desde 1982, começando como trainee. Ele saiu da empresa e foi para a Manabi SA, onde tem o cargo de diretor de operações, quando foi sucedido por Ricardo Vescovi, o presidente da Samarco, mineradora controlada pela Vale e pela BHP Biliton, no rompimento da barragem do Fundão, em 5 de novembro de 2015. A tragédia matou 19 pessoas e provocou o maior acidente ambiental do Brasil.

BARRAGEM Na investigação sobre a catástrofe, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apontou, entretanto, que o processo de construção da barragem começou de forma irregular em 2007, ainda no comando de Moraes, sem a apresentação do projeto executivo aos órgãos de licenciamento e fiscalização de Minas Gerais. “Saí da Samarco quatro anos antes, não tenho nada a ver com aquilo”, afirmou Moraes.

Sobre a investigação do MP, ele disse que a informação não se confirmou e não houve confirmação sobre o fato. Moraes saiu da Samarco para assumir o cargo de diretor de operações da mineradora Manabi SA, que mudou de nome para Mlog, que tem ativos de minério de ferro em Morro do Pilar, na Região Central de Minas. Desde 2015, ele atua como consultor de negócios. No seu currículo de Moraes, ele aponta como principais realizações ter sido responsável pela manutenção da unidade de Germano, complexo onde ocorreu o rompimento, e ter sido responsável pelo aumento da capacidade de produção da Samarco em 54%.


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