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Estado de Minas COLAPSO HOSPITALAR

Secretária de Saúde do RS alerta: 'Estamos apavorados. Não haverá leitos'

Durante reunião do governo estadual com prefeitos, Arita Bergmann detalhou situação caótica que se aproxima caso não sejam adotadas medidas drásticas no estado


25/02/2021 17:08 - atualizado 25/02/2021 17:37

Secretária de Saúde gaúcha, Arita Bergmann detalhou cenário pré-colapso nos hospitais do estado(foto: Marília Bissigo/Divulgação SES)
Secretária de Saúde gaúcha, Arita Bergmann detalhou cenário pré-colapso nos hospitais do estado (foto: Marília Bissigo/Divulgação SES)
O cenário do combate à COVID-19 que se aproxima no Rio Grande do Sul - assim como em vários outros estados do Brasil - é assustador e especialistas em saúde tentam convencer prefeitos e o governador do estado a adotar medidas mais drásticas para conter o avanço da doença. Nesta quinta-feira, a secretária de Saúde estadual Arita Bergmann comparou o pico de contágios e mortes pelo vírus num futuro próximo ao monte Everest, montanha de maior altitude na Terra. “Estamos aqui apavorados”, comentou a gestora da pasta ao delinear a alta nos números antes de alertar: “Não haverá leitos de UTI”.
 
“Os hospitais gaúchos, entre públicos e privados, têm o compromisso de disponibilizar toda a sua estrutura para atendimento de casos de COVID-19, porque estamos na fase mais crítica, que precisa de atitudes mais drásticas”, falou Arita Bergmann.  

A advertência da secretária de Saúde ocorreu em reunião com prefeitos de cidades gaúchas. O governo estadual detalhou números e apontou o caos se avizinhando aos municípios no Rio Grande do Sul. "Não haverá leitos, especialmente de UTI, para atender a demanda, que é crescente. Crescente a ponto de nos deixar com uma lista de espera", explicou Arita. “Essa escalada (de casos) que, se for comparar, eu já estou enxergando o pico do Everest. Estamos aqui apavorados”, complementou.
 
A conjuntura exposta pelo governo gaúcho é de colapso iminente. Dados estaduais apontam que a fila de pacientes com COVID-19 à espera de vaga em leitos de UTI quase dobrou na capital Porto Alegre. Entre quarta e quinta-feira, o número de doentes aguardando nas emergências passou de 64 para 117 - um crescimento de 83%. O estado confirmou mais 120 óbitos no Rio Grande do Sul nas últimas 24h. A apresentação da administração estadual projetou até 200 mortes por dia em março. Dessa forma, 6 mil pessoas perderiam a vida no mês. O número corresponde à metade do total de óbitos dos últimos 12 meses. Em 2020, a média diária de internações era de cerca de 20. Atualmente, são 230 admissões hospitalares causadas pelo vírus.

Relatos de hospitais gaúchos dão conta do aumento acelerado de internações por coronavírus. A ocupação das UTIs por pessoas com a doença é a maior desde o início da pandemia. São 404 doentes recebendo tratamento intensivo até essa quinta-feira. “Queríamos mostrar um dado que, para nós, é alarmante, alarmante, que 60% dos pacientes que chegam à UTI vão à óbito. Morrem. E, hoje, parece que esse número, parece não, esse número inclusive está aumentado. Sem considerar que muitos não chegarão nos leitos de UTi, porque nós não teremos leitos de UTI”, apontou Arita.

Na reunião com os prefeitos, o governador Eduardo Leite (PSDB) afirmou que irá suspender a cogestão nas bandeiras do mapa de distanciamento controlado no estado a partir deste sábado. A medida, válida inicialmente por uma semana, obriga regiões a cumprirem regras determinadas pelo estado. Segundo Leite, em dezembro, com uma ‘situação menos grave’, a decisão tomada foi pela extinção dessa forma de gerência e esse é o único caminho a ser tomado atualmente. “Na última segunda-feira o entendimento não foi esse. Mas quero deixar claro que entendo que agora precisamos de um comando único”, pontuou.

Demanda de leitos mais que dobra

A secretária da Saúde apresentou a evolução da ocupação de leitos clínicos e de UTI nas últimas semanas no Rio Grande do Sul. No dia 24 de janeiro, o estado tinha 2.383 pessoas internadas com a doença. Um mês depois, nesta quinta, o número havia passado para 4.925 pacientes, uma alta de 206%. A estrutura estadual opera com 91,8% da capacidade máxima de ocupação de leitos críticos.

O governador Eduardo Leite citou projeções apontando a necessidade de abrir 7 mil vagas críticas para atendimento aos pacientes no estado, o que “é absolutamente inviável”, segundo ele. Diante da dificuldade em criar novos leitos, a secretária da Saúde Arita Bergmann ressaltou que solicitou aos hospitais o uso de todos os espaços possíveis nas unidades de saúde para receber pacientes.

Conselho de especialistas pressionou governo

‘Mantida a situação atual, teremos em um a dois dias o colapso do sistema hospitalar’. Em nota enviada ao governador Eduardo Leite, o conselho de especialistas no combate à COVID-19 do estado cobrou medidas mais drásticas para evitar a maior crise sanitária já vista no Rio Grande do Sul.

A nota foi publicada na noite de quarta-feira pelo coordenador-executivo do Centro de Contingência do Coronavírus, o médico pediatra João Gabbardo dos Reis, no Twitter. O documento foi assinado em conjunto pelos médicos membros do conselho, Fernando Torelly, Januario Montone e Lucia Campos Pellanda.

"Mantidos os mesmos níveis de transmissão, além de já termos atingido o limite de ocupação em diversas regiões, chegaremos em poucos dias ao esgotamento da estrutura hospitalar disponível tanto pública quanto privada, gerando a redução da qualidade da estrutura de atendimento e aumento da mortalidade, sem possibilidade de aumento de leitos que seja capaz de acompanhar o crescimento das necessidades", detalha o texto.
 

O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.


transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia
  • Em casos graves, as vítimas apresentam:
  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
  • Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


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