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Estado de Minas

BH não registra acolhidos em abrigos

Continua em todo o estado campanha para arrecadação de ajuda aos quase 14 mil desabrigados vítimas das chuvas


11/01/2022 11:15 - atualizado 12/01/2022 11:11


desabrigados
Desabrigados alojados na Escola Maria Municipal Maria Aracelia, no bairro Itacolomi, em Betim (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press. Brasil. Belo Horizonte - MG )

Mesmo após dias de chuvas intermitentes que atingem o estado de Minas Gerais, a Capital ainda não registrou acolhidos nos abrigos de sua rede de atingidos por enchentes ou deslizamentos. Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, foram disponibilizadas vagas emergenciais na rede de acolhimento já instalada no município. A PBH informou que ofertou, até o momento, 400 refeições para famílias desalojadas e equipes em campo. Não há, organizadas pelo município, iniciativas de doações. 
 
Situação diferente no território mineiro. Em todo o estado, entidades e órgãos oficiais se mobilizam para garantir abrigo e assistência aos 13.756 atingidos em consequência das chuvas, entre eles 3.481 desabrigados.  Foram 19 óbitos em 12 municípios, sendo um na Capital do estado. Decretaram estado de emergência 145 municípios. Os dados são do boletim da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), divulgada na manhã desta terça-feira (11).
De acordo com o Painel de Monitoramento de Desastres no Período Chuvoso 2021/2022 da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), 36 abrigos temporários operam, neste momento, em 22 municípios para atender desalojados e desabrigados pelas chuvas dos últimos dias no estado. 
 
As informações do painel são coletadas a partir de boletins da Defesa Civil de Minas Gerais e em tempo real, a partir de dados da equipe da Sedese, em contato com gestores de 115 municípios para apoio no levantamento e cadastro das famílias que ficaram desalojadas e que se encontram em situação de risco. 
 
Os técnicos da Secretaria também apoiam na organização de abrigos provisórios e orientam em relação aos fluxos de decretação de emergência, arrecadação de donativos, intermediação com Ministério da Cidadania para liberação de recursos e informações destinadas a outros órgãos. A demanda por voluntários é organizada pelas prefeituras municipais. 
 
Segundo nota da Cedec, por meio dos Regionais de Defesa Civil, da Polícia Militar (PMMG) e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) continuam os atendimentos aos municípios afetados pelas chuvas, orientando-os  sobre as providências que podem adotar por meio  de suas Coordenações Municipais - Compdec e pela administração municipal, "sobretudo quanto à organização dos esforços de enfrentamento dos desastres, e auxiliando no preenchimento da documentação exigida para acesso dessas cidades a recursos do Governo Federal para ações de resposta,  restabelecimento, recuperação e reconstrução. "
 
Até o momento, de acordo com a coordenadoria, não  houve necessidade de acionamento de Copasa/Copanor ou Cemig para realizar intervenções visando abastecimento de água e luz, pois estes serviços não foram interrompidos. 
Equipes do Departamento de Estradas de Rodagem DER continuam assistindo às diversas localidades, fazendo recuperação das estradas e restabelecendo os serviços essenciais à população que sofreu os impactos dos temporais e episódios de chuvas anteriores.
 
Situação crítica em alguns municípios da Região Metropolitana 
 
Se na Capital ainda não houve necessidade de abrigar pessoas desalojadas, a situação é bem diferente em outros municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a prefeitura de Betim, as famílias que precisaram deixar suas casas em decorrência das fortes chuvas que atingem a cidade, desde sexta-feira (7) foram encaminhadas para casas de parentes ou para abrigos disponibilizados para acolhimento pela prefeitura em quatro escolas municipais.
 
Deise Kelly Lopes, moradora no bairro Capelinha, disse que a casa está em risco de desabamento. "Minha mãe mora no PTB, foram atingidos dois quartos quando caiu uma pilastra. Também o muro da casa de meu irmão caiu. É triste ter de sair de casa, onde passamos toda uma história. A gente está aqui no Itacolomi, abrigados, minha mãe não conseguiu tirar nada de casa. Mas estamos aqui. Vida que segue..."

desalojados
Ednei e Carmen mais três filhos menores estão abrigados no bairro Itacolomi, em Betim (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press. Brasil. Belo Horizonte - MG)

Ednei de Oliveira, metalúrgico desempregado. "Estou aqui desde sábado, a casa encheu de água rapidamente. Veio tanto da rua quanto do ralo do banheiro. Alguma coisa conseguimos colocar pra cima. Estou aqui com minha esposa e três crianças de 14, 11 e 4 anos."
 
Robson Gonçalves Caetano, da Central Única de Favelas (CUFA - Betim), disse que domingo foi o dia mais difícil, "porque muitas famílias ilhadas e a gente sem condições de retira-las, conseguimos um jet ski,  no bairro Nossa Senhora de Fátima. Resgatamos 30 pessoas, algumas estão em casa de parente e escolas. Estamos arrecadando roupa, alimento e material de limpeza que é o mais necessário, porque assim que baixar a água vamos limpar as casas. Estamos atuando nesse momento no Nossa Senhora de Fátima." 

Na manhã de domingo (9), a prefeitura inicou campanha para doações. A vice prefeita de Betim, Cleusa Lara (PSL), disse que foram constituídos dez pontos nas regionais, na prefeitura, shoppings Monte Carlo e Passagem, também na CDL. Os itens mais necessários são colchões, roupa de cama, cobertores, copos descartáveis, higiene pessoal, limpeza e brinquedo para as crianças abrigadas. 

"Nossa situação é crítica, com mais de 9 mil desalojados, mais de 300 em abrigos. Temos três abrigos em Citrolândia, um no Alterosa e outro no Centro, para pessoal em situação de rua, e mais na região do Terezópolis e Icaivera."

 
CUFA
Coordenador da CUFA em Betim, Robson Caetano, disse que situação mais crítica foi no domingo (9) quando resgataram 30 pessoas ilhas no Nossa Senhora de Fátima (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press. Brasil. Belo Horizonte - MG)
"Os cidadãos que quiserem contribuir com os trabalhos da prefeitura de forma voluntária podem entrar em contato com a Superintendência de Defesa Civil pelo telefone 3594-1201. Neste momento, os trabalhos demandam, especialmente, a ajuda de geólogos, mas a prefeitura reforça que todo tipo de auxílio é importante e muito bem-vindo", informou em nota.
 
Brumadinho - Segundo atualização da defesa civil de Brumadinho, divulgada às 11 horas  (segunda-feira 10/1), 274 famílias estão recebendo assistência do município. As pessoas desalojadas são 288, entre elas, 253 desabrigadas. Já foram atendidas 541.
 
Os abrigos para as vítimas das chuvas foram improvisados em escolas. As entradas da cidade continuam bloqueadas. Acesso às comunidades rurais estão alagadas. Serra do Rola Moça para Casa Branca com pontos de interdição. Os bairros mais atingidos: Canto do Rio, Cohab, Progresso e Centro. 
 
O CRASEC-Saúde (Centro de Referência de Assistência Social Especializado em Calamidades) vem coordenando os servidores e os voluntários com ações emergenciais para garantir a segurança das famílias. "A situação ainda é muito instável, mas por hora a necessidade maior é de água potável, considerando que o sistema da Copasa foi comprometido. Há ONG's já envolvidas em doações para os atingidos e a Prefeitura reafirma o compromisso de não estar solicitando nenhum tipo de doação em dinheiro/pix", informou em nota da assessoria de comunicação.
 
Contagem - Em Contagem, as doações podem ser enviadas para a Diretoria de Proteção Social Especial de Alta Complexidade, Rua Padre Rossini Cândido, 10 - 1º andar - Centro, que fará a separação e distribuição. "Contagem não conta com voluntários, pois não há muita demanda de abrigamento já que os atingidos pelas últimas chuvas estão se abrigando em casas de parentes", informou a Prefeitura, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho e Segurança Alimentar.
Na cidade há dois abrigos municipais que funcionam 24 horas, o abrigo Bela Vista e a Casa de Passagem Contagem. As solicitações de vagas deverão ser feitas pela Central de Gestão do Acolhimento Institucional - GAI: 3353-3859.
 
Santa Luzia - A Prefeitura de Santa Luzia disse que disponibiliza dois pontos de apoio (abrigos temporários), para as pessoas desabrigadas. Eles estão na Escola Municipal José Augusto Resende (rua Hum, 80, bairro Duquesa 2) e a Escola Estadual Geraldo Teixeira da Costa (rua Benedito Freire da Paz, 21, Boa Esperança). Desde ontem (segunda) são 15 pessoas desabrigadas e 150 desalojados (número ainda em atualização).
 
Doações podem ser entregues no ponto de apoio montado pela Prefeitura na Escola Municipal José Augusto Resende, localizada na Avenida Hum, 80 no bairro Duquesa II, na sede da Defesa Civil do município, Rua Baldim, s/ nº - bairro Rio das Velhas (referência Ginásio Poliesportivo) e no CRAS Sede, localizado, na Rua José Silvino Teixeira de Melo, 200 - Fazenda Boa Esperança. Os itens mais necessários são: alimentos, água potável, roupas de cama, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza. No momento não será necessária doações de roupas. 
 
Nova Lima - Em Nova Lima a prefeitura montou um abrigo temporário na Escola Municipal Ana do Nascimento Souza, Rua Poços de Caldas, 285, Bairro Campo do Pires. Também há pontos de apoio da Assistência Social:  nas escolas municipais Emília de Lima, Rua Abolição, 88, Centro  e Dulce Santos Jones, Rua Sete, 40 - Santa Rita, e no Clube do Sindicato dos Mineiros, Av. Renato Avelar Azeredo, 338-680, Honório Bicalho.
 
O município conta também com pessoas que desejarem ajudar voluntariamente. Para trabalho voluntário, é só deixar o nome e telefone de contato na Escola Municipal Emília de Lima,  para posterior acionamento de apoio. Quem deseja fazer doações pode levar os itens para os pontos de coleta: Escola Municipal Emília De Lima, Rua Abolição, 88, Centro, e Regional Norte - Ed. Serena Mall, Rodovia Januário Carneiro, 8625, 4º andar da Torre 2, Vale do Sereno.
A prefeitura informa que não é recomendado as pessoas levarem as doações direto para os locais atingidos, "por medida de segurança. No momento, as necessidades mais urgentes são de material de limpeza e itens de higiene pessoal; capas de chuva, galochas, pás e enxadas."
 
 
bombeiros
O trabalho dos bombeiros de Minas é ininterrupto desde o começo das chuvas no estado (foto: Sala de imprensa/CBMMG)
Ajudas humanitárias 
 
Itens de ajuda humanitária continuam sendo entregues nos municípios afetados, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedese), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), órgãos federais como a Empresa Brasileira de Empresas e  Telégrafos (Correios) e empresas privadas, como a Souza Cruz S.A, Coca Cola S.A., FIAT e Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG).
 
Desde o feriado de ano novo, foram entregues mais de 10 mil itens, como cestas básicas, kits de higiene pessoal, limpeza, colchões, roupas e kits dormitório, aos municípios que apresentaram demandas. 
 
"Em anos anteriores, as chuvas pareciam estar mais concentradas. Agora não. Várias regiões do estado estão sendo atingidas e as situações são muito distintas. Há locais onde as águas já baixaram, permitindo às prefeituras limparem as ruas e algumas famílias retornarem a suas casas", disse a tenente-coronel Gracielle Rodrigues Santos, da Defesa Civil estadual.
 
O GMG/Cedec, em conjunto com a PMMG, o CBMMG, a Sedese, a Associação Feminina de Assistência Social (Afas) e o Serviço Social Autônomo (Servas), lançou uma campanha de doação e arrecadação de alimentos não perecíveis, materiais de limpeza, itens de higiene pessoal, água mineral para distribuir as populações afetadas.
 
Para doar, basta procurar a unidade da PMMG, PCMG ou base de segurança comunitária e unidades do CBMMG mais próximas de sua residência. As  doações são recebidas também diretamente no depósito da Cedec, localizado no complexo do 5° Batalhão da PMMG, no bairro Gameleira, em Belo Horizonte. A  Cedec mantém o plantão nas 24h do dia para apoio e atendimento aos municípios mineiros por meio do telefone: 31 99819-2400.
 
Para a Arquidiocese de Belo Horizonte a intensidade das chuvas é uma resposta à agressão a natureza. "Os pobres são mais uma vez as vítimas, pela ausência de políticas públicas efetivas de moradia, saneamento e infraestrutura e que as comunidades de fé da Arquidiocese de Belo Horizonte, com a articulação do nosso Vicariato Episcopal para Ação Social, Política e Ambiental (Veaspam), estão unidas para ajudar as vítimas e os desabrigados pelas chuvas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por meio da Solidariedade em Rede, que reúne paróquias." 
 
As doações financeiras podem ser encaminhadas para Vicariato para Ação Social Banco do Brasil - Banco do Brasil - Ag. 3494-0 - Conta corrente - 26227-7 / CNPJ: 17.505.249/0280-80 Providens Ação Arquidiocesana Social - Banco Santander - Ag. 3476 Conta corrente- 13077880-2 CNPJ: 17.272.998/0001-86 
 
Outros locais para doações:
 
Cruz Vermelha - filial Minas Gerais
Doações podem ser feitas pela conta: Bradesco - Agência: 513-4
Conta corrente: 14215-8
CNPJ: 06.974.176/0001-20
Pix: 06.974.176/0001-20

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Cáritas Brasileira
Doações podem ser feitas pelas contas:
Banco do Brasil  - Agência: 0452-9
Conta corrente: 50.106-9

Caixa Econômica Federal - Agência: 1041
Operação: 003
Conta corrente: 1132-1
PIX - chave - CNPJ  33.654.419/0001-16 - Cáritas Brasileira

 
Assembleia Legislativa de Minas Gerais 
Os itens doados podem ser entregues no posto de arrecadação do programa Assembleia Solidária, no hall do Palácio da Inconfidência, que fica na Rua Rodrigues Caldas, 30, Bairro Santo Agostinho, BH


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