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Estado de Minas SUSPEITO NÃO LOCALIZADO

Vítima de transfobia, homem é agredido pela 2ª vez e registra novo BO

Registros oficiais da Polícia Militar não mencionam se houve tentativa de localizar o suspeito; agressões teriam acontecido em Juiz de Fora, na Zona da Mata


14/10/2021 19:07 - atualizado 15/10/2021 15:47

Bairro Ipiranga, em Juiz de Fora
Homem trans procurou a PM e registrou duas ocorrências no Bairro Ipiranga, na zona sul da cidade (foto: Reprodução/Google Street View)
Em Juiz de Fora, na Zona da Mata, um homem transexual de 27 anos procurou a polícia pela segunda vez, em menos de um mês, para denunciar agressões físicas de um mesmo autor. Conforme o último boletim de ocorrência, registrado pela Polícia Militar (PM) na quarta-feira (13/10), a vítima acredita que a motivação para o crime seja transfobia.
 
No registro oficial da PM, o denunciante foi qualificado com o nome feminino, apesar de adotar um nome social compatível ao gênero com o qual se identifica. O suspeito não foi localizado.
 
O homem trans compareceu à Base de Segurança Comunitária do Bairro Ipiranga, localizada na zona sul da cidade, e relatou que, por volta das 19h10, foi agredido com socos, chutes e empurrões pelo suspeito. “Onde eu te encontrar, vou te pegar”, teria afirmado o suposto agressor, conforme o depoimento do denunciante.
 
“Esta é a segunda vez que ela (sic) sofre violência por parte deste autor e afirma que acredita tratar-se de um caso de homofobia, já que o autor mencionou o fato de ela (sic) se vestir como homem”, relata trecho da ocorrência, acrescentando que as agressões foram testemunhadas por uma mulher de 26 anos – também qualificada no registro policial.
 
A vítima, ainda segundo a PM, também apresentou uma lesão na testa, mas afirmou que não havia necessidade de procurar atendimento médico. O autor, conforme depoimento do denunciante, quebrou a tela do telefone celular da vítima, pisando sobre o aparelho.
 

Primeira agressão

 
O homem trans foi agredido pela primeira vez no dia 24 de setembro, quando, ao abrir o portão de casa para se deslocar ao trabalho, acabou esbarrando no autor, que passava pela calçada. Na oportunidade, a vítima registrou a primeira ocorrência na mesma unidade policial.
 
Conforme a ocorrência, o suspeito ficou irritado com o esbarrão e, embora a vítima tenha pedido desculpas, ele a agrediu com dois socos no olho esquerdo, aplicou um golpe do tipo “mata-leão” (estrangulamento) e a derrubou no chão com uma rasteira.
 
Ainda segundo o registro policial, após as agressões, o autor disse a um colega com quem estava caminhando que “sapatão tem que apanhar igual a um homem, já que gosta de se vestir como tal”.
 
O caso foi encaminhado para a 1ª Delegacia de Polícia Civil, informou a assessoria da instituição em contato com a reportagem nesta quinta-feira (14/10).
 

Suspeito não localizado

 
Na segunda vez que o homem trans foi supostamente agredido, a PM orientou que a vítima procurasse a delegacia da Polícia Civil para que “fossem tomadas as medidas legais cabíveis”.
 
Os boletins de ocorrência deste e do primeiro caso não mencionam se houve empenho da Polícia Militar em localizar o suposto agressor – cujo nome e apelido foram informados pelo denunciante.
 
A reportagem perguntou à Polícia Militar o motivo do nome social da vítima não ter sido usado no registro das ocorrências, mas, até esta publicação, não havia recebido resposta. Tão logo a corporação se manifeste, este material será atualizado. 


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