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Estado de Minas OPERAÇÃO RETOMADA

Os desafios para retomar a maior ação de resgate no país, em Brumadinho

Terreno com novos obstáculos aguarda bombeiros que voltam aos rejeitos da barragem do Córrego do Feijão em busca de 11 vítimas ainda desaparecidas


11/05/2021 06:00 - atualizado 11/05/2021 07:24

Trabalhos das equipes de resgate foram paralisados por 56 dias, mas operários permaneceram na área, atuando em tarefas como drenagem, contenção de encostas e abertura de vias(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
Trabalhos das equipes de resgate foram paralisados por 56 dias, mas operários permaneceram na área, atuando em tarefas como drenagem, contenção de encostas e abertura de vias (foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)

 

Nascentes e cursos de água brotaram sobre o rejeito de minério de ferro, pesando o solo contra cada passo das botas que tentam avançar. Atoleiros e brejos cercaram os caminhos. Um matagal cresceu denso e emaranhado, se elevando por mais de dois metros de altura. Após 56 dias de interrupção dos trabalhos de buscas por 11 das 270 vítimas do rompimento da Barragem B1, da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, um terreno de obstáculos aguarda os bombeiros amanhã com a retomada da maior operação de resgate do Brasil, iniciada em 25 de janeiro de 2019.

 

Mesmo sem a presença dos militares devido à pandemia do novo coronavírus, a mutação constante do terreno da área de buscas demandou trabalhos diários dos operários da mineradora Vale, para que o esforço dos bombeiros pudesse se concentrar na localização das vítimas. Há avaliações da corporação de que esse trabalho possa durar ainda mais dois anos, mas uma nova fase de buscas com rastreamento de corpos por sensoriamento remoto promete favorecer a procura e abreviar a angústia de parentes dos desaparecidos.

 

Antes do retorno dos socorristas, as pás dos tratores tentam conter as retenções frágeis de barrancos formados pelo desprendimento dos rejeitos da barragem. Uma sucessão de escavadeiras abre os remansos formados pelos detritos despejados após o colapso do reservatório, de onde os olhos dos bombeiros poderão delimitar sinais de  possíveis vítimas. O acúmulo de água da chuva e de córregos foi pouco a pouco desviado das áreas de procura das vítimas, possibilitando um melhor rastreamento em busca de sinais dos desaparecidos.

 

Para permitir o acesso dos bombeiros, a mineradora Vale teve de manter os trabalhos de infraestrutura no local do rompimento, enquanto apoia os bombeiros para a retomada das buscas em melhores condições. Os acessos às áreas de busca receberam melhorias e novas vias foram abertas, ampliando a capacidade para acessar todo o espaço que foi inundado pelos rejeitos. “As vias são fundamentais para a segurança dos bombeiros e dos envolvidos durante a operação”, informou a empresa.

(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)
(foto: Alexandre Guzanshe/EM/DA Press)

 

As condições de manejo dos rejeitos ainda depositados melhoraram com obras de drenagem das áreas impactadas. “Foram construídos canais de desvio de águas superficiais que evitam o umedecimento do rejeito, além das medidas fitossanitárias adotadas. Todas essas ações foram previamente alinhadas com o Corpo de Bombeiros e têm o objetivo de melhorar as condições de buscas para a Corporação”, afirma o gerente de implantação de obras da Vale, Eduardo Neves.

 

Os cuidados com a pandemia também precisam ser constantemente observados. Segundo a mineradora, há apoio logístico aos militares que atuarão nas buscas pela corporação com testes PCR (que identificam pessoas infectadas pelo novo coronavírus) e fornecerá um kit diário para cada oficial, com máscaras N95, PFF2 ou equivalente (equipamentos de proteção capazes de impedir a propagação do vírus).

 

Sondagens para apoiar equipes

 

A Vale informou que tenta melhorar as condições de buscas em conjunto com os bombeiros e que vem ampliando por meio de sondagens e investigações geotécnicas o conhecimento sobre todo o material que está na região entre a Barragem B1 (que se rompeu) e a confluência do Ribeirão Ferro-Carvão com o Rio Paraopeba.

 

“Somente neste trecho, os estudos mostram que cerca de 8 milhões de metros cúbicos foram depositados. Deste total, mais de 40% já foram manejados e, após inspeção dos Bombeiros, foram dispostos em áreas seguras autorizadas pelos órgãos competentes dentro da mina para posterior disposição definitiva na cava”, informa a mineradora.

 

Comunidade tem cada vez menos moradores 

 

A retomada das buscas pelos corpos das pessoas desaparecidas após o rompimento da barragem de Mina Córrego do Feijão renova as esperanças de uma comunidade que encolhe com o tempo. Cada vez mais moradores se despedem dos vizinhos que resistem no lugarejo, procurando uma vida nova longe da devastação de 2019.

 

Enquanto isso, o memorial que é construído na praça principal deve ficar pronto no próximo ano, como homenagem às vítimas do desastre. Novas vias são abertas e interligam o Córrego do Feijão a demais áreas de Brumadinho e da Grande BH.

 

A Operação Brumadinho foi paralisada pela segunda vez diante do agravamento da pandemia do novo coronavírus e será retomada amanhã. De acordo com o Corpo de Bombeiros, durante a suspensão, poucos militares permaneceram na Base Bravo para viabilizar que funcionários da mineradora Vale mantenham atividades essenciais de preparação da área e drenagem do terreno.

 

Durante as homenagens que marcaram dois anos da tragédia, o coronel Alexandre Gomes Rodrigues, comandante das operações em Brumadinho, afirmou que as buscas poderiam durar mais quatro anos, a depender das estratégias adotadas pela corporação. “A próxima estratégia, a partir de março, pode melhorar a qualidade e diminuir as possibilidades de erro”, disse o coronel, sem contar qual método estaria em análise. “Ainda estamos planejando, é preciso muito estudo e análise técnica. É um plano um tanto quanto ambicioso, que pode reduzir em um ano e meio as operações”, afirmou, na época. 


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