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Estado de Minas TEMPORADA DE INCÊNDIOS

Minas em chamas: estado registra 1.470 focos de incêndio ativos

Número já representa 53,8% da média histórica para todo o mês


06/10/2020 06:00 - atualizado 06/10/2020 11:32

Incêndio consome a Serra do Cipó desde 27 de setembro: cartão-postal é uma das seis reservas em chamas no estado, segundo levantamento do Inpe (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Incêndio consome a Serra do Cipó desde 27 de setembro: cartão-postal é uma das seis reservas em chamas no estado, segundo levantamento do Inpe (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)


Unidades de conservação, parques e lotes vagos. A temporada de incêndios de 2020 coloca Minas Gerais em chamas – com dados que superam até mesmo os do ano anterior, aquele que mais registrou focos ativos no estado desde 2014. Na data em que a Serra do Cipó chegou ao nono dia de devastação, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) computou 1.470 focos ativos na unidade federativa somente neste começo de outubro – 53,8% da média histórica para o mês inteiro. Vale ressaltar que o balanço do Inpe diz respeito ao dia anterior, portanto o último domingo, ainda no quarto dia do mês. Para efeito de comparação, em igual período de outubro de 2019, o Inpe computou 246 focos ativos em Minas, ou seja, houve um crescimento de 497,5% no mês até agora.

Historicamente marcado como auge dos incêndios em Minas Gerais, setembro também simboliza o tamanho do desastre ambiental de 2020. Foram detectados pelo Inpe 3.467 focos ativos no mês – o terceiro maior consolidado nos últimos 10 anos. Até o último balanço do órgão, Minas tinha seis reservas florestais em chamas. Três delas federais e outras três estaduais.
 
Iniciado ainda em setembro, o incêndio que toma conta da Serra do Cipó chegou ao nono dia ontem. A segunda-feira começou com quatro frentes de trabalho para os bombeiros, brigadistas e voluntários. Dessas, três foram extintas. Sobrou justamente aquela mais desafiadora, na região conhecida como Alto Palácio.

Trata-se de um local de difícil acesso, um paredão rochoso com altura entre 200 e 300 metros. O objetivo dos combatentes até a noite de ontem era evitar que as chamas chegassem ao topo do paredão, onde está localizada uma área plana com muita vegetação. O temor é que os combates voltem à estaca zero caso o fogo atinja essa planície.

(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
Em nota, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgou que, após nove dias, o maior incêndio dessa região central de Minas começa a ceder. "O cenário geral do incêndio hoje (ontem) é mais favorável que nos dias anteriores. Às ações de combate de domingo deixaram um cenário mais favorável às operações de combate", reportou o texto.

A moradora Ana Paula Teixeira, que está envolvida com uma campanha para arrecadação de insumos, se disse indignada com a indiferença dos turistas. "Nossa serra se acabando em chamas e as pessoas fazendo fila na porta das cachoeiras, lotando os bares, a maioria sem máscaras, como se nada estivesse acontecendo. Parece que não tem incêndio e que acabou a pandemia", disse.

Um brigadista, que preferiu não se identificar, contou que estava muito cansado, mas que assim que tivesse o mínimo de condições de calçar suas botas novamente, voltaria para o front. "Vimos alguns bichos mortos no meio das cinzas, como cobras, insetos incinerados, uma raposa correndo", conta. Há indícios de que o incêndio, que começou no domingo (27 de setembro), tenha sido de origem criminosa e uma investigação já está em andamento.

Belo Horizonte


Outro incêndio que trouxe preocupação ontem foi na vegetação do Parque Ursulina de Andrade Melo, no Bairro Castelo, Região da Pampulha, em BH. Na noite de ontem, ainda havia um foco de incêndio no interior da estrutura. Porém, os militares pausaram os trabalhos devido à falta de luminosidade e às dificuldades para acessar o local.

Ainda assim, os bombeiros monitoravam as chamas e cercavam a linha do fogo em pontos estratégicos. Até o fechamento desta edição, a corporação avaliava se seria possível realizar algum tipo de combate durante a noite. Apesar do susto, não houve registro de vítimas no local nem residências atingidas.

Desde sábado até a manhã de ontem, os bombeiros haviam recebido 781 chamados para ocorrências de incêndios em Minas Gerais. A reportagem tentou atualizar o dado, mas a corporação informou que não seria possível informar o balanço mais recente. *Estagiários sob supervisão da subeditora Rachel Botelho


Onda de calor prossegue pelo menos até o dia 12


Depois de registrar máxima histórica de 37,8°C no sábado, BH deve ter temperatura de até 35°C hoje e há possibilidade de novos recordes nos próximos dias(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Depois de registrar máxima histórica de 37,8°C no sábado, BH deve ter temperatura de até 35°C hoje e há possibilidade de novos recordes nos próximos dias (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Depois de um pequeno alívio no domingo e ontem, a temperatura volta a subir em Belo Horizonte hoje. Essa é a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que alerta para máxima de até 35°C. O teto ainda está abaixo do recorde de 37,8°C batido no sábado – a maior temperatura já computada em BH pelo instituto. O céu deve ter poucas nuvens, e a umidade relativa do ar tende a variar entre 20% e 80% na capital mineira.

"Há uma frente fria atuando sobre o oceano e uma zona de alta pressão logo atrás dela fez com que ventasse bastante, trazendo mais umidade para a nossa região", informa o meteorologista Ruibran dos Reis. "A onda de calor deu uma enfraquecida, mas a tendência é que volte a se fortalecer".

A tendência é de que a onda de calor siga atuando, com essas pequenas variações, até a chegada das chuvas, previstas somente para o dia 12. "Essa massa de ar já atua há quase 40 dias no estado com essas variações. Primeiro gera ondas de calor, depois enfraquece por frentes frias vindo do litoral. Mas, ainda assim, o tempo deve ficar quente e há chances de novos recordes, tanto em BH como no interior", diz o especialista.

De acordo com o boletim de previsão do tempo do Inmet, as temperaturas na capital subirão gradativamente ao longo da semana. Amanhã, a máxima se mantém em 35°C. Contudo, vai para 36°C na quinta-feira. E sobe mais um grau na sexta, chegando a 37°C. No último dia útil da semana, a umidade relativa do ar pode chegar a perigosos 15%, índice comparado aos desertos e na linha de alerta, de acordo com as classificações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Diante do calorão que se abateu sobre Minas Gerais nos últimos dias e se mantém para os próximos, a Defesa Civil de BH alerta para os cuidados com a saúde. O órgão indica hidratação frequente, a opção por alimentos frescos e diminuição no consumo de frituras. Além disso, dormir em locais mais arejados é o mais indicado. Quem não tem acesso a umidificadores de ar pode optar, por exemplo, deve pôr toalhas molhadas e/ou bacias d’água em casa. Quanto às atividades físicas, a Defesa Civil recomenda evitar os horários de maior exposição solar, entre as 10h e as 17h.

Com os incêndios em alta, vale também o alerta para evitar queimadas a todo custo. Caso o cidadão se depare com alguma ocorrência do tipo, deve acionar o Corpo de Bombeiros (193), a Defesa Civil (199) ou a Polícia Militar (190).

Outras cidades


A situação segue parecida em todo o estado. Em regiões mais ao interior do continente, como o Triângulo, Norte e Noroeste, não há alívio: máximas previstas por volta dos 40°C, sobretudo nessa primeira região, onde está localizada a cidade de Uberlândia. Campina Verde, na mesma regional, tem computado as maiores temperaturas de Minas nos últimos dias.

A umidade relativa do ar segue em níveis desérticos em praticamente todas as regiões do estado. Para a semana, a tendência é de manutenção do tempo seco e de elevação nas temperaturas, assim como em Belo Horizonte. No Triângulo, Sul e Norte, o indicador pode cair a 10%. (Com GR)


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