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Estado de Minas

Pais e estudantes do Santo Agostinho e do Loyola saem às ruas para pedir liberdade na educação

Ação acontece duas semanas depois que uma prova de língua portuguesa foi anulada na instituição localizada na Avenida do Contorno por incluir texto do escritor Gregório Duvivier


postado em 22/10/2019 19:05 / atualizado em 22/10/2019 19:44

Ver galeria . 6 Fotos Ação acontece duas semanas depois que uma prova de língua portuguesa foi anulada na instituição localizada na Avenida do Contorno por incluir texto do escritor Gregório Duvivier Sidney Lopes/EM/D.A Press e Gabriel Ronan/EM/D.A Press
Ação acontece duas semanas depois que uma prova de língua portuguesa foi anulada na instituição localizada na Avenida do Contorno por incluir texto do escritor Gregório Duvivier (foto: Sidney Lopes/EM/D.A Press e Gabriel Ronan/EM/D.A Press )
 
 
"O professor é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo". Impulsionado por esse canto, centenas de pais e estudantes dos colégios Santo Agostinho Central (Avenida Amazonas) e Loyola saíram às ruas da Região Centro-Sul de Belo Horizonte, nesta terça-feira (22), para protestar contra o cancelamento da prova de português ocorrido no último dia 7. O exame contava com um texto do escritor Gregório Duvivier e foi apontado por outros pais como partidário e como tentativa de moldar os alunos ideologicamente. 

O ato começou na porta do Santo Agostinho por volta das 17h. De lá, o público subiu até a Avenida do Contorno, onde o manifesto terminou em frente ao Loyola, com um abraço simbólico. Um carro de som acompanhou os envolvidos. 
 
Gabriela Duarte, mãe de estudante do Loyola(foto: Gabriel Ronan/EM/D.A Press)
Gabriela Duarte, mãe de estudante do Loyola (foto: Gabriel Ronan/EM/D.A Press)
 

A mensagem dos pais e estudantes era clara: a favor da liberdade dos professores em sala de aula. "A ideia partiu de um grupo de mães do Colégio Loyola, que são amigas de mães de alunos do Colégio Santo Agostinho. É um sinal de apoio às duas escolas por todas as repressões que ambas sofreram", explica Cláudia Guimarães Costa, de 47 anos, professora, bióloga e mãe de uma aluna do Santo Agostinho. 

A caminhada seguiu da Amazonas e chegou até a Contorno por meio da Rua Araguari. A estudante Manoela Vilas Boas, autora de uma carta de repúdio ao cancelamento da prova de português do Loyola, que teve centenas de assinaturas, estava presente à ocasião. 

"A gente está aqui hoje em defesa da educação, da liberdade em sala de aula e dos professores, principalmente. Quando a gente recebeu a prova, nunca esperávamos que teria tanta repercussão. É uma coisa absurda", contou a adolescente de 17 anos. 

Ela discursou para os presentes ao final do protesto e deixou claro a necessidade de debate entre os estudantes dos dois colégios. A adolescente defendeu, ainda, uma escola cada vez mais livre para um país mais justo, menos racista e sem homofobia. 
 
A professora Cláudia Guimarães Costa saiu em defesa dos colegas que dão aula para sua filha no Santo Agostinho(foto: Gabriel Ronan/EM/D.A Press)
A professora Cláudia Guimarães Costa saiu em defesa dos colegas que dão aula para sua filha no Santo Agostinho (foto: Gabriel Ronan/EM/D.A Press)
 
 
"Esse jovens de 16 e 17 anos podiam votar ano passado. Então, eles têm condição de ler e interpretar um texto criticamente. Confiamos totalmente nos professores da escola", ressalta Gabriela Duarte, 50, mãe de um aluno do segundo ano do Ensino Médio do Loyola, justamente a turma que recebeu a prova com o texto de Duvivier. 
 
O ato reuniu representantes do Santo Agostinho em razão de uma ação movida contra o colégio no ano passado. O documento pedia indenização aos alunos da 3ª à 6ª série do Ensino Fundamental pela escola adotar, supostamente, linha pedagógica baseado em “ideologia de gênero” nas salas de aula. 

O caso teve início em julho do ano passado, quando 84 responsáveis por alunos enviaram uma notificação extrajudicial à Sociedade Inteligência e Coração (SIC), que é mantenedora das unidades do Colégio Santo Agostinho (BH, Contagem e Nova Lima), na pessoa de seu presidente, o frei Pablo Gabriel Lopes Blanco, e também de três diretores. 

Escola sem partido


projeto de lei 274/2017, conhecido como Escola Sem Partido, também foi alvo dos protestos dos estudantes e pais nesta terça em BH. 

texto está em tramitação na Câmara de BH e passou em primeiro turno neste mês. Para o vereador Gilson Reis (PCdoB), presente ao protesto, no entanto, a matéria não deve ir a plenário neste ano. 

"Para ir pro segundo turno, ele passará por três comissões. Cada uma delas pode ficar com o projeto por cerca de 100, 150 dias. Fora os requerimentos que você pode protocolar. Eu acredito que esse projeto terá muitas dificuldades", analisa.


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