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Estado de Minas

Investigações mostram como falso médico conseguiu atender em UPA da Grande BH; veja

G.V.F.C, 22 anos, se apresentou nesta quarta-feira na delegacia de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Ele prestou depoimento e foi liberado


postado em 12/06/2019 17:47 / atualizado em 12/06/2019 18:53

Falso médico fez atendimentos na UPA São Benedito no último sábado(foto: Google Street View / Reprodução)
Falso médico fez atendimentos na UPA São Benedito no último sábado (foto: Google Street View / Reprodução)

Detalhes de como conseguiu trabalhar por aproximadamente duas horas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São Benedito, em Santa Luzia, na Grande BH, foram dados por G.V.F.C, de 22 anos. O jovem, que não é médico, se passou por clínico geral e atendeu cinco pacientes no último fim de semana.

Em depoimento, disse que passou a ter interesse na medicina ao passar por um problema de saúde e deu detalhes de como armou para conseguir trabalhar no posto de saúde. O plano expôs um possível erro da prefeitura da cidade. Inicialmente, G. vai responder por exercício ilegal da profissão e usurpação de função pública. Ainda está sendo apurado se ele colocou risco a saúde dos pacientes atendidos, o que pode confirmar crimes mais graves. O jovem foi liberado.

O jovem estava sendo procurado desde o último sábado, quando conseguiu atender, durante duas horas, na UPA São Benedito. No início da tarde desta quarta-feira, G. se apresentou na delegacia de Santa Luzia acompanhado de um advogado. Equipes da Polícia Civil, que já apuravam o caso, já tinham identificado G. e colhido depoimentos de familiares dele.

Segundo a Delegada Adriana das Neves Rosa, responsável pelas investigações, o jovem se mostrou frio. “Se mostrou uma pessoa bem fria, calculista. Se apresentou bastante calmo. Ele relata que teve um problema de saúde recente, e precisou tomar medicações. A partir daí, teve esse interesse de ingressar na medicina”, contou.

O plano de atuar na UPA de Santa Luzia começou com uma simples pesquisa em um site de buscas. De acordo com a delegada, o jovem contou que conseguiu o telefone de um setor da prefeitura e ligou. Ele questionou o nome do funcionário que atendeu e, depois da resposta, desligou. Utilizando o nome do trabalhador, ligou na UPA se apresentando como médico e oferecendo para atuar nos plantões.

“Fez contato com a UPA informado que tinha um nome de dois médicos que poderiam atuar no plantão. Esses nomes foram repassados para a pessoa responsável, que fez o contato posterior com ele  indicando que teria de fato uma plantão disponível no sábado. Já indicou o nome da médica, por isso que ele sabia que o plantão era da médica específica que iria substituir”, explicou a delegada. “No próprio sábado, fez um contato telefônico com a UPA. A secretária que lhe atendeu disse que não teria nenhum nome de médico com o nome dele para atuar no local no sábado. Disse que realmente não tinha, pois estava substituindo a médica que estava faltosa no dia”, declarou em depoimento.

Apresentação de jaleco


Depoimentos de funcionários que atuam na UPA mostram que G. chegou no sábado de jaleco e se apresentou na portaria como médico substituto. Ele foi levado para o consultório onde atendeu cinco pacientes. Para a delegada Adriana Rosa, os contatos feitos por ele antes de ir ao local, facilitaram para ele conseguir êxito em seu plano. “Já sabia que havia uma médica a ser substituída. Se passou por uma pessoa da prefeitura, fez este contato com a UPA, teve acesso a estes dados de supostos médicos passados por ele. De fato um nome e CRM (registro do Conselho Regional de Medicina) batiam”, disse.

No tempo em que atuou na UPA São Benedito, o jovem atendeu cinco pacientes. Funcionários contaram, em depoimento, que todos os usuários que foram assistidos pelo falso médico passaram por uma reavaliação. No depoimento, o jovem disse que teria tentado fazer atendimentos em uma unidade de saúde de Belo Horizonte, mas que não conseguiu.

Crimes cometidos


As investigações seguem em andamento para apurar quais crimes foram cometidos pelo jovem. A princípio, ele está sendo enquadrado nos crimes de exercício ilegal da profissão – pena de 15 dias a três meses de prisão ou multa – e usurpação de função pública – pena de dois a cinco anos de prisão, e multa. “Ainda temos que averiguar se a atuação dele levou riscos aos pacientes que teve contato, seja de saúde ou de morte”, comentou a delegada.

Os policiais também investigam se houve algum erro de funcionários da prefeitura. “A facilitação e a falta de cuidado e controle no centro de saúde e na prefeitura, estão sendo apurados”, indicou Adriana Rosa.

Por meio de nota, a Prefeitura de Santa Luzia informou que está acompanhando a investigação e que aguarda a conclusão do inquérito policial para se pronunciar. “Esclarecemos ainda que não se trata de qualquer pessoa ligada à administração municipal. O falso médico negou que teve acesso facilitado por ajuda de funcionários do local, e disse que agiu sozinho na farsa, ludibriando funcionários com falsas histórias, sendo descoberto logo em seguida”, finalizou.

Sobre o depoimento do jovem em que ele diz que tentou atuar em uma UPA da capital mineira, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) afirmou que todos os profissionais da saúde, que têm interesse em fazer parte do quadro de servidores da administração municipal, precisam cadastrar seus dados em um banco de currículos disponibilizado no Portal PBH. “Após a seleção, o candidato passa por entrevista presencial e deve apresentar documentos que comprovem sua formação, tais como diploma de especialidade, registro de qualificação de especialista, comprovante de endereço, entre outros”, finalizou.


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