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Estado de Minas

Em clima morno, ambulantes atiçam torcedores de BH com bandeiras e cornetas

Apesar da proximidade do jogo, muitos reclamam da baixa procura, mas demonstram estar otimistas


postado em 16/06/2018 07:00 / atualizado em 16/06/2018 06:57

(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Às vésperas da estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, vendedores ambulantes já exibem o verde e amarelo e tentam conquistar o torcedor. Em meio ao aparente desânimo, eles oferecem uma variedade de produtos alusivos à Copa, como bandeiras, chapéus, cornetas e muitos outros acessórios para torcer pelo Brasil. E, assim, o clima de torcida começa a esquentar na capital mineira. Apesar da proximidade do jogo, muitos ambulantes reclamam da baixa procura, mas demonstram estar otimistas e dizem que as vendas devem aquecer após a estreia brasileira.

Com chapéu verde e amarelo para chamar a atenção de motoristas e pedestres, ambulantes circulam entre os carros parados no sinal, no cruzamento das avenidas Afonso Pena e Getúlio Vargas, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Com as mãos cheias, eles passam oferecendo bandeiras aos motoristas. Entre os itens mais vendidos estão as bandeiras que se encaixam na porta dos carros, cujo preço varia entre R$ 5 e R$ 10.  “A copa começou agora, então, acho que mais pra frente vai estourar, vai vender mais ainda”, comenta o ambulante Breno Souza, de 17 anos. Ele acredita que o brasileiro vai entrar no clima às vésperas da competição na Rússia.

Breno é ambulante há quatro anos e vende produtos temáticos do Brasil em toda Copa do Mundo. Este ano, ele circula pelas ruas da capital oferecendo bandeiras a motoristas e pedestres. Ele conta que apesar de ser o primeiro dia que sai às ruas, “a procura está boa e as vendas estão caminhando bem”. “Tá bom (as vendas), as pessoas estão procurando os produtos”, celebra. Otimista, ele aposta no aumento da demanda quando a Seleção começar a entrar em campo e for passando de fase. “Os jogos estão só começando, quando o Brasil estiver avançando, as pessoas vão entrar no clima e as vendas vão estourar”, disse.

Enquanto alguns se mostram confiantes quanto ao futuro das vendas, outras demonstram pessimismo e dizem que o comércio de produtos alusivos à Copa ainda não engrenou. “O movimento está muito fraco, e não acredito que vá melhorar. Tá vendendo, mas tá muito devagar”, disse um ambulante, que preferiu não se identificar por medo de fiscalização da prefeitura. Ao contrário de Breno, ele diz que dificilmente o entusiasmo do torcedor aparecerá após esse primeiro jogo. “Acho que a Seleção está desacreditada, só chegando à final é que o ânimo das pessoas pode melhorar”, pontua.

Comparando com outras edições do evento, o ambulante diz que a empolgação está bem abaixo do esperado. “Já trabalhei em umas cinco Copas, e este é o ano mais fraco que tive. As pessoas estão muito desanimadas”, comentou. Ele diz que está vendendo menos mesmo em relação ao eventos anteriores ao de 2014, no Brasil. “Não acho que o fato de a última Copa ter sido aqui seja o problema. As vendas de competições passadas foram boas, mesmo que não tenham acontecido no país. Estou trabalhando desde cedo e vendi apenas oito bandeirinhas”, menciona. Ele acredita que o baixo interesse pela Seleção é um reflexo da decepção geral da população com a situação do país.

Em conversa com outro vendedor ambulante, ele conta estar preocupado que os produtos fiquem parados em casa e não consiga vendê-los. “Tenho bandeirinha para vender a Copa toda, mas não estou confiante”, argumenta. Esse outro vendedor, que também preferiu não ser identificado, ainda pontua que se as vendas não melhorarem, vai desistir de comercializar o produto. “Ano passado vendi quase todas [bandeirinhas] no primeiro dia. Agora, acho que não vou pegar mais. O povo não quer saber de Copa esse ano”, argumenta.

*Estagiária sob supervisão do editor    Roney Garcia

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