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Estado de Minas

Ampliação de ambulatórios públicos para LGBTs é discutida no Hospital Eduardo de Menezes

Na unidade há um centro referencial, inaugurado no ano passado, para acompanhamento clínico de pacientes transexuais em processo de hormonização


postado em 17/05/2018 12:30 / atualizado em 18/05/2018 09:56

Representantes do Governo de Minas e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estiveram reunidos com a direção do Hospital Eduardo de Menezes e pacientes do ambulatório LGBT (foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)
Representantes do Governo de Minas e da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) estiveram reunidos com a direção do Hospital Eduardo de Menezes e pacientes do ambulatório LGBT (foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)
Na celebração do Dia Internacional contra a Homofobia, ontem, entidades ligadas à causa LGBT e autoridades discutiram a ampliação de equipamentos de saúde pública para acompanhamento clínico e dos processos de hormonização de pacientes transexuais em Belo Horizonte. 

Nesse intuito, representantes da Comissão Extraordinária de Mulheres da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e da Secretaria de Direitos Humanos Participação Social e Cidadania de Minas Gerais fizeram uma visita técnica ao primeiro ambulatório de atendimento a transexuais do sistema de saúde estadual, inaugurado no fim do ano passado no Hospital Eduardo de Menezes, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte.

Além de sugestões para ampliação do serviço para outros hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes também reafirmaram às autoridades a qualidade e a importância de um serviço de atendimento exclusivo aos transexuais.

O ambulatório de atenção especializada no processo transexualizador da saúde pública de Minas foi inaugurado em novembro em parceria da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) com a Secretaria de Estado de Saúde. O espaço conta com equipe interdisciplinar e multiprofissional, composta por psiquiatras, endocrinologista, clínico geral, enfermeiro, psicólogo e assistente social.

“Normalmente, nos outros hospitais, eles não sabem como se referir à gente, então, às vezes acabamos passando por constrangimento, vergonha, por causa do nome social”, disse André Marques, de 19 anos, homem trans que esteve na unidade na manhã de ontem para um retorno clínico. “Estou amando isso aqui. É como se fosse uma segunda família. Eles abraçam a nossa causa, o trabalho deles é incrível”, destacou Marques.

Além da demanda por ampliação dos serviços, um pedido dos pacientes que frequentam a unidade é a garantia e de acesso aos hormônios usados nos processos de transição de homens e mulheres transexuais. “Quase a totalidade desses pacientes fazia a compra dos hormônios por conta própria, com receita médica emprestada e prescrição duvidosa.

Agora, pelo menos, mesmo não tendo a garantia do medicamento gratuito, eles encontram médicos especialistas para uma prévia avaliação e prescrição de medicamentos necessários”, disse Thaysa Drummond, diretora do Hospital Eduardo de Menezes. A administradora ainda informou que o processo de regulamentação do ambulatório do hospital, junto ao Ministério da Saúde para garantia dos hormônios aos pacientes, já está em andamento.

Elogios

Para Anyky Lima, o ambulatório do Hospital Eduardo de Menezes oferece cuidados integrais aos 120 transexuais em atendimento(foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)
Para Anyky Lima, o ambulatório do Hospital Eduardo de Menezes oferece cuidados integrais aos 120 transexuais em atendimento (foto: Gladyston Rodrigues/ EM/ D.A Press)
Atualmente, o ambulatório para transexuais do Hospital Eduardo de Menezes tem 120 pessoas em atendimento regular, sendo 70 homens e 50 mulheres trans. Os atendimentos são agendados uma vez por semana. As pessoas que passam pela unidade elogiam o atendimento especializado e relatam problemas enfrentados em outras unidades, que têm dificuldades para recepcionar o público LGBT. “A importância é dignidade humana, dignidade da vida de travestis e transexuais. Aqui eles cuidam da nossa saúde integral como pessoa, e isso é o que queremos”, reforça Anyky Lima, vice-presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (Cellos).

O Dia Internacional contra a Homofobia faz referência à data quem que a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID), em 17 de maio de 1990. Na mesma data também são celebrados o Dia Nacional de Combate à Homofobia Dia Estadual contra a Homofobia.

*Estagiário sob supervisão do editor Roney Garcia.

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