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Estado de Minas

Moradores do Ribeiro de Abreu temem que rua levada pela chuva demore a ser reconstruída

Temporais dos primeiros dias de março, que já superam a média histórica para todo o mês, provocam onda de transtornos em BH. Desabamentos de vias e de muros alimentam o medo


postado em 08/03/2018 06:00 / atualizado em 08/03/2018 08:09

Metade da via principal do Ribeiro de Abreu cedeu depois de o Ribeirão do Onça subir rapidamente durante a chuva e chegar a transbordar(foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
Metade da via principal do Ribeiro de Abreu cedeu depois de o Ribeirão do Onça subir rapidamente durante a chuva e chegar a transbordar (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A PRESS)
O desabamento de praticamente metade da Rua Antônio Ribeiro de Abreu, no Bairro Ribeiro de Abreu, Nordeste de Belo Horizonte,  em decorrência das chuvas que já superaram a média histórica para todo mês em apenas uma semana na região, expõe o medo e a insegurança da população local. Com a beirada do barranco se aproximando de imóveis residenciais, os moradores temem que o problema se arraste e não seja resolvido de forma rápida, prolongando o medo de alguma tragédia. A preocupação, apesar do perfil diferente do problema, encontra respaldo em outro caso de rua com problema na capital mineira. O bloqueio da Rua Genoveva de Souza, no Bairro Sagrada Família, Leste de BH, fechada há mais de dois anos fechada devido a um abatimento no asfalto, segue gerando transtornos para a população e a perspectiva é que a licitação para as obras seja lançada no primeiro semestre, sem previsão de conclusão das intervenções necessárias.


O acúmulo de chuvas nos primeiros sete dias de março apenas na Região Nordeste praticamente alcançou a média esperada para todo o mês em BH. Foram 161,6 milímetros, contra 163,5 da média normal para 30 dias. Na terça-feira, moradores do Ribeiro de Abreu relataram que o nível da água do Ribeirão do Onça subiu rapidamente e chegou a transbordar para a Rua Antônio Ribeiro de Abreu, iniciando um processo de descalçamento do barranco e consequente desabamento da rua. Quase metade da estrutura se foi com a força da água, expondo canos de esgoto que desembocam no Onça.

O porteiro José Francisco Soares, de 64 anos, conta que a filha dele mora em uma das casas da rua e que ela ficou bastante preocupada. “Se nada for feito, a tendência é a água atingir as casas, o que está deixando todo mundo angustiado”, diz ele. Apesar do risco, ele prefere acreditar que a solução será feita de forma rápida, para evitar problemas mais graves envolvendo pessoas. Já o gerente de uma fábrica de calhas, Lucas de Souza Reis, 46, está mais descrente em uma solução rápida. “Isso aqui é obra para muito tempo. O que precisamos é que alguém venha verificar os riscos para a população, porque se a água chegar vai jogar esse prédio no chão”, diz ele.

O problema gerou a interdição da rua pela Prefeitura de BH. A 11 quilômetros dali, um transtorno que também motiva um bloqueio de outra via, já dura dois anos e cinco meses. Nesse caso, a situação da Rua Genoveva de Souza, no Bairro Sagrada Família, não foi solucionada desde novembro de 2015, quando precisou ser interditada com manilhas de concreto por conta de um abatimento do asfalto. “Esse problema já gerou muito transtorno no Sagrada Família. Desde que a Rua Pitangui se transformou em mão única, a Genoveva passou a funcionar no sentido contrário. Sem ela, causa um tumulto danado”, afirma Adelmo Gabriel Marques, diretor da Associação dos Amigos do Entorno da Arena Independência. Preocupado com a população do Ribeiro de Abreu, Adelmo acredita que, por experiência própria, o problema causado pelo Ribeirão do Onça não será facilmente resolvido. “É uma obra que deve demorar meses, até o  fim do ano, se as questões burocráticas não atrasarem o processo”, afirma.

Além da questão do trânsito, os moradores relatam também medo devido à falta de segurança, já que o tráfego parou de fluir entre as ruas Jacques Luciano e Elói Mendes. Outra questão que preocupa bastante é a falta de ação principalmente durante as chuvas, já que há relatos de aparecimento de novas trincas no local. A Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura informou que será publicada no primeiro semestre a licitação para correção do problema na Rua Genoveva de Souza. O projeto está pronto e  prevê o tratamento do talude vizinho ao abatimento para estabilizar a encosta do local. A obra está orçada em R$ 2 milhões e será custeada com recursos a serem repassados pelo Ministério das Cidades.

Já com relação à Rua Antônio Ribeiro de Abreu, que fica na beira do Ribeirão do Onça, a secretaria informou apenas que a Defesa Civil e a BHTrans isolaram e sinalizaram a área. Uma equipe de engenheiros e geólogos vai indicar a melhor solução para o local. “A partir do relatório técnico será desenvolvido um projeto de contenção para o local. O início das obras depende do fim do período chuvoso”, informou a pasta que cuida das obras na cidade.

MAIS CHUVA O temporal que assustou novamente os moradores de Belo Horizonte na madrugada de ontem trouxe problemas nos bairros Tupi e Nazaré, regiões Norte e Nordeste da capital. No Bairro Tupi, um muro de arrimo desabou sobre uma casa da Rua Alfeu de Carvalho e atingiu dois cômodos do imóvel, que foram interditados preventivamente. A Defesa Civil informou que há risco alto de desabamento do restante do muro. Foram preventivamente interditados dois quartos do imóvel 228, a sala e lavanderia do imóvel 210B e o quintal do imóvel 210A. Moradores foram orientados e notificados a manter o isolamento e adotar medidas de autoproteção.

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