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Estado de Minas

Valor da venda de passagens do metrô de BH é maior que repasse da União

Redução de verbas para a CBTU põe operação em risco e traz à tona queixa recorrente: BH arrecada mais e tem que dividir recursos com outras praças. Pimentel reclama em Brasília


postado em 06/02/2018 06:00 / atualizado em 06/02/2018 07:45

Faturamento com passagens no metrô de BH é de cerca de R$ 99,6 milhões por ano, enquanto a União deverá destinar R$ 54 milhões para a cidade (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)
Faturamento com passagens no metrô de BH é de cerca de R$ 99,6 milhões por ano, enquanto a União deverá destinar R$ 54 milhões para a cidade (foto: Juarez Rodrigues/EM/DA Press)

A operação do metrô de Belo Horizonte corre o risco de ficar prejudicada devido a contingenciamento de 40%dos recursos repassados pelo governo federal para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) em relação aos valores de 2017, saindo de R$ 260 milhões para R$ 150 milhões, montante que será dividido entre a capital mineira, Natal, Maceió, João Pessoa e Recife. Somente em BH, o faturamento com a bilheteria por ano é de R$ 99,6 milhões, mas o valor é repassado para um caixa único e repartido com os outros municípios. O governador Fernando Pimentel (PT) prometeu ir à Brasília junto com o prefeito Alexandre Kalil (PHS) para tentar evitar a parada do metrô de Belo Horizonte. Até as 19h, entretanto, o prefeito informava que não havia recebido convite do governador para o encontro. Já a CBTU diz que necessita de uma recomposição na Lei Orçamentária Anual para não ter problemas na operação do sistema.


A divulgação do contingenciamento dos recursos ocorreu depois que começou a circular nas redes sociais, principalmente de pessoas ligadas ao metrô, uma ata da reunião entre todas as superintendências da CBTU. O encontro teria ocorrido em 31 de janeiro. No documento, consta a redução de 42% do orçamento em relação ao ano passado. Belo Horizonte vai receber, segundo o Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro-MG), aproximadamente R$ 54 milhões para o ano todo. “Por mês, dá uma média de R$ 4,3 milhões. Somente com energia de tração são gastos R$ 2 milhões por mês, ou seja, metade do valor. Com certeza vai faltar verba”, afirmou Robson Zeferino, diretor do Sindmetro-MG. Na ata também constam medidas de economia que seriam adotadas pela CBTU a partir de março, como operação comercial apenas em horários de pico, de segunda-feira a sexta-feira, além da notificação de empresas prestadoras de serviços para a suspensão parcial ou total de contratos. Os trabalhadores receberam a notícia com preocupação e questionaram a forma como são feitos os investimentos. “Somos a unidade que mais arrecada. Esse dinheiro vai para o caixa único e é distribuído para outras cidades da Federação. Arrecadamos mais e recebemos menos. É uma briga antiga”, explicou Zeferino.


A média de passageiros por dia em BH, segundo o Sindmetro, é de 220 mil pessoas. A arrecadação com a bilheteria é de aproximadamente R$ 99,6 milhões. Há ainda arrecadação com a publicidade nas estações e aluguéis de galpões da CBTU. Os trabalhadores acreditam que a falta de repasse pode influenciar no valor das passagens. “Nossa passagem é R$ 1,80 há 13 anos. Pode ser uma Justificativa para aumentar o valor”, disse o diretor do Sindmetro.

BRIGA DE GOVERNOS
A notícia de que o metrô de BH pode ter os serviços paralisados devido ao contingenciamento de recursos, escancarou uma crise entre os governos de Minas e o Federal. Por meio de um vídeo publicado em sua página no Facebook, o governador Fernando Pimentel fez críticas e aproveitou para reclamar da fala do ministro da Saúde, Ricardo Barros, que na sexta-feira acusou o estado de não repassar recursos da União para os municípios e hospitais no combate à febre amarela.


“Se não bastasse a inexistência de ministros mineiros no governo do presidente Temer, se não bastasse o descaso com que eles tratam Minas Gerais, as declarações infelizes que o ministro da Saúde há pouco tempo falou atribuindo a culpa da febre amarela ao estado de Minas Gerais quando na verdade a União é que é responsável, passa dinheiro direto para os municípios e não passou. É por isso que estamos com essa tragédia aí da febre amarela”, diz o governador. “Se não bastasse tudo isso, agora querem parar o metrô de Belo Horizonte. É impossível. Minas vai reagir. Eu já pedi audiência ao presidente Temer, vou falar com o prefeito Kalil, nós vamos juntos lá. É impraticável esse tipo de atitude com Minas Gerais. Nós não vamos aceitar”, enfatizou Pimentel.


O deputado federal Fábio Ramalho (MDB-MG), que é vice-presidente da Câmara dos Deputados e coordenador da bancada mineira na Câmara, se reuniu com o ministro de Planejamento Dyogo Oliveira para tratar do assunto. “Ele fez uma proposta de passar o metrô para o estado. Com isso, daria alguns terrenos da União, como o Aeroporto Carlos Prates. Amanhã (hoje), estou convocando uma reunião com a bancada de Minas sobre o assunto para buscar uma solução. Além disso, vou conversar com o ministro das Cidades, Alexandre Baldy”, destacou Ramalho.

PREFEITURA A Prefeitura de Belo Horizonte informou que o prefeito Alexandre Kalil ressalta que tem boas relações com o presidente Michel Temer e com o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, e está se informando oficialmente sobre a questão, para que possa intervir de maneira a garantir que o serviço continue e que a população de Belo Horizonte não seja prejudicada”. O prefeito esclareceu ainda que até aquele momento (19h de ontem) não havia recebido nenhum telefonema do governador sobre uma eventual ida a Brasília.

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