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Estado de Minas

Sindicato denuncia falta de manutenção na Gerdau; explosão matou dois

Na terceira ocorrência em nove meses em Ouro Branco, outras 10 pessoas ficaram feridas durante manutenção em coqueria


postado em 16/08/2017 06:00 / atualizado em 16/08/2017 16:20

Imagem mostra trabalhadores em área da planta onde ocorreu a explosão: dois feridos foram levados para BH(foto: Sindob/Divulgação)
Imagem mostra trabalhadores em área da planta onde ocorreu a explosão: dois feridos foram levados para BH (foto: Sindob/Divulgação)
Pela terceira vez em nove meses, um acidente na usina da siderúrgica Gerdau provocou mortes de operários em Ouro Branco (Região Central de Minas), a 116 quilômetros de Belo Horizonte. No caso de ontem, uma explosão ocorreu quando um grupo trabalhava na manutenção da parte inferior da coqueria 2 da usina – um forno em que se produz o coque, derivado de carvão mineral essencial à fabricação do aço. Duas pessoas morreram e 10 ficaram feridas, duas em estado grave. No ano passado, acidentes na usina em novembro e em dezembro provocaram cinco mortes.

A Gerdau informou em nota que ainda trabalha para detectar as causas do acidente e que presta assistência às famílias das vítimas. A Polícia Civil abriu inquérito para investigar as causas da explosão. Já o Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Branco e Base (Sindob) cobrou melhorias na manutenção preventiva. “Ao que sabemos, ocorreu uma ignição na parte inferior, onde os operários realizavam a manutenção”, disse Carlos José Ribeiro Cavalcante, diretor administrativo do Sindob. “Nesta mesma coqueria houve uma explosão na chaminé, em 2015”, acrescentou.

Os 10 feridos na explosão de ontem foram encaminhados ao Hospital Fundação Ouro Branco (FOB) que, por orientação da Gerdau, não divulgou informações sobre o estado de saúde deles, segundo disse uma atendente por telefone. Dois dos operários seguiram de imediato para a Unidade de Tratamento Intensivo mas, devido à gravidade dos ferimentos, foram transferidos de helicóptero para o setor de queimados do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.

Os dois corpos, de um funcionário da empresa e de um integrante de uma empreiteira, foram levados no fim da tarde para o Instituto Médico Legal de Conselheiro Lafaiete em carros de funerárias locais, depois de encerrados os levantamentos dos peritos da delegacia de Polícia Civil de Congonhas. A corporação informou que iniciou as investigações das causas do acidente, mas que vai manter sigilo para não atrapalhar as apurações. A corporação também não deu informações sobre os inquéritos relativos às explosões anteriores. Em nota, a Gerdau confirmou a ocorrência em sua usina e afirmou que as pessoas feridas “foram socorridas imediatamente e encaminhadas ao FOB.”

MANUTENÇÃO O presidente do Sindob, Raimundo Nonato Roque de Carvalho, afirmou que o novo acidente aumenta a preocupação de trabalhadores. Segundo ele, operários temem pelas condições de segurança na usina desde novembro do ano passado, quando quatro pessoas morreram depois da explosão do gasômetro de um dos altos-fornos. No mês seguinte, outra morte foi registrada em ocorrência semelhante na aciaria – onde o ferro-gusa é transformado em aço.

“Agora, já são sete óbitos de trabalhadores nas instalações da empresa em Ouro Branco em nove meses”, ressalta Carvalho. “Estamos denunciando frequentemente a falta de manutenção preventiva na usina. Hoje mesmo (ontem) entregamos boletim pela manhã aos operários alertando para que tivessem cuidado na área e durante as manutenções, mas não foi o suficiente para evitar a tragédia”, acrescentou o sindicalista.

Sobre as críticas do Sindob, a Gerdau informou que “os equipamentos da usina Ouro Branco estão em condições adequadas, obedecendo aos padrões de segurança estabelecidos na legislação vigente.” A empresa ressaltou ainda que “a usina possui um estruturado programa de manutenção, que contempla atualização contínua das equipes, das práticas e dos procedimentos de manutenção.”

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