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Estado de Minas

Uso de faixas para ônibus confunde motoristas em Belo Horizonte

Com sinalização insuficiente e critérios confusos, permissão de tráfego de carros em pistas de coletivos nos fins de semana deixa condutores perdidos em BH. Há quem denuncie ter levado quase R$ 2 mil em multas em apenas dois dias ao passar pela Avenida Vilarinho


postado em 08/08/2017 06:00 / atualizado em 08/08/2017 12:00

Pode, mas não é usado: na Pedro II, faixas ficam vazias no fim de semana por falta de sinalização(foto: Jair Amaral/EM/DA Press)
Pode, mas não é usado: na Pedro II, faixas ficam vazias no fim de semana por falta de sinalização (foto: Jair Amaral/EM/DA Press)

Mais de um mês depois que a BHTrans liberou em fase de testes o trânsito de veículos de passeio na maioria das faixas exclusivas de ônibus em Belo Horizonte nos fins de semana, a população da capital mineira está confusa. Sem a devida clareza sobre os locais onde é permitido entrar na área do transporte coletivo na cidade, as reclamações não param. De um lado, motoristas que achavam que a liberação valia para toda a cidade estão sendo multados. Um único condutor denuncia ter tomado seis multas em dois dias na Avenida Vilarinho, o que significa que ele perderá a carteira caso as infrações sejam mantidas, além de ter de pagar R$ 1,7 mil. A própria BHTrans reforçou a sinalização na Vilarinho, esclarecendo a proibição após a confusão inicial, e já admite a possibilidade de rever as punições.

De outro lado, condutores que trafegam por avenidas onde o trânsito é livre nas faixas de ônibus aos sábados e domingos nem sequer sabem que têm essa possibilidade e, por isso, não se arriscam com medo de ser multados. Em todo o ano passado, mais de 105 mil motoristas foram flagrados pelos radares da capital por invadir a área exclusiva de coletivos, média de um a cada cinco minutos.


Para aumentar um pouco mais a confusão, o tráfego misto foi permitido apenas em parte do dia e em um trecho das faixas exclusivas da Avenida Nossa Senhora do Carmo, na semana passada, para tentar aliviar os transtornos e congestionamentos provocados por obras na via, no Bairro Sion, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Desde a última sexta-feira, a BHTrans liberou a entrada de veículos comuns na pista dos ônibus, das 15h às 21h, no sentido Belvedere/Avenida do Contorno. No sentido oposto, a proibição continua e a abertura dos caminhos dos ônibus para carros particulares ocorre apenas nos fins de semana.

Não pode, mas tem invasão: na Avenida Vilarinho, motoristas ainda se confundem(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Não pode, mas tem invasão: na Avenida Vilarinho, motoristas ainda se confundem (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
As mudanças nas pistas de ônibus em várias regiões da cidade começaram em 24 de junho, quando as faixas exclusivas foram liberadas, em fase de teste, para a passagem de veículos comuns aos sábados, a partir das 14h, e durante todo o domingo, até as 23h59. Porém, a confusão vem exatamente do fato de a liberação não valer para todas as vias. As pistas exclusivas de concreto do Move das avenidas Cristiano Machado, Antônio Carlos, Pedro I, Santos Dumont e Paraná, que normalmente são separadas do tráfego misto por barreiras de cimento e canteiros, continuam com trânsito de carros particulares e motos terminantemente proibido. A única exceção se dá na Santos Dumont e Paraná para aqueles motoristas que acessam suas garagens ou estacionamentos comerciais. Nesses casos, eles podem transitar apenas para fazer esse acesso. Porém, outros locais com características menos marcantes da exclusividade do transporte coletivo, comum na área do Move, também continuam com trânsito permitido só para ônibus, como a Avenida Vilarinho, na Região de Venda Nova, e o Viaduto Leste, que faz a ligação entre a Avenida Cristiano Machado e a Praça da Estação.

 

 

O que diz a lei


Invadir faixa exclusiva para o trânsito de ônibus é infração considerada gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), punida com a perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 293,47.

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