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Estado de Minas

Aberta temporada de doenças causadas pelo excesso de sol e baixa ingestão de líquidos

Forte calor e tempo seco dos últimos dias abrem temporada das doenças. Crianças e idosos são os mais suscetíveis


postado em 19/10/2015 06:00 / atualizado em 19/10/2015 10:29

Cleisson Peres oferece água para o filho Gabriel beber e refrescar a pele: adultos devem estar atentos às necessidades dos pequenos(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Cleisson Peres oferece água para o filho Gabriel beber e refrescar a pele: adultos devem estar atentos às necessidades dos pequenos (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)

Depois de dois dias de temperaturas acima dos 37°C em Belo Horizonte, o suficiente para bater o recorde de calor em 105 anos de medição na capital mineira, médicos alertam a população para os problemas que a combinação de altas temperaturas e tempo seco pode causar, principalmente em crianças e idosos. A previsão dos meteorologistas é que situações como a de sexta-feira, quando BH registrou 37,4°C, dia mais quente da história, podem se repetir ainda este ano, graças ao El Niño – fenômeno que aquece a temperatura da água no Oceano Pacífico, na costa do Peru e do Equador. Uma massa de ar seco estacionou sobre o Sudeste do país e, além de elevar os termômetros, derrubou a umidade relativa do ar. Por isso, é preciso ter bastante atenção com a hidratação e também com os efeitos do sol, já que os atendimentos por desidratação ou insolação aumentam bastante nesta época do ano, segundo os médicos. Ontem, o aumento da nebulosidade melhorou a qualidade do ar e fez com que a temperatura máxima ficasse em 31,2°C, aliviando um pouco a vida dos belo-horizontinos.

O coordenador médico do Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, Marcelo Lopes Ribeiro, diz que tanto crianças quanto idosos possuem a massa magra do corpo diferente da dos adultos. “Essa massa magra é uma forma de reservar água no organismo. As duas faixas etárias perdem líquido muito facilmente e também são as que menos ingerem líquidos. Por isso, é necessário aumentar a hidratação”, diz o médico. No caso dos idosos, o especialista lembra que a combinação de calor e tempo seco costuma as pessoas mais fadigadas, e, por isso, os mais velhos acabam ficando prostrados, esquecendo de beber água, por exemplo. Ribeiro alerta para a necessidade de redobrar a atenção para os idosos com algum tipo de demência, pois eles podem não se lembrar de tomar água ou não conseguem pedi-la, o que facilita a desidratação.

“O idoso tem outro ponto muito importante. Ele é o paciente que mais tem doenças crônicas. O asmático, por exemplo, sofre com o ressecamento das vias aéreas. Às vezes, a família entende que, por ser uma pessoa mais velha, o idoso já sabe o que fazer, mas é preciso ficar atento”, acrescenta o médico. Alternativas interessantes, segundo o especialista, principalmente para o caso daqueles com doenças crônicas que indicam algum tipo de restrição à hidratação, são medidas como deixar plantas em casa, colocar toalhas molhadas no quarto na hora de dormir ou também deixar uma garrafa de água congelada na frente do ventilador. Todas essas opções contribuem para aumentar a umidade dos ambientes e previnem os problemas que aumentam os atendimentos nesta época do ano.

A pediatra do HPS João XXIII Marislaine Lumena de Mendonça lembra também da importância de redobrar a atenção com as crianças neste período de calorão e tempo extremamente seco. A médica ressalta os mesmos cuidados na hidratação, principalmente porque as crianças mais novas ainda não têm autonomia para pegar água sozinhas, o que demanda atenção dos pais. Porém, ela lembra da necessidade de ingerir alimentos frescos, pois no calor aumenta a chance de comer algo estragado. “Nesse caso, aparecem mais facilmente as diarreias, e a hidratação, mais uma vez, se torna muito importante. Água, sucos e frutas como melancia, laranja e melão, que possuem grande quantidade de água, são boas opções”, afirma a médica.

Sob o sol, Maria Lúcia não se descuida: sombrinha aberta e óculos escuros para proteger os olhos(foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Sob o sol, Maria Lúcia não se descuida: sombrinha aberta e óculos escuros para proteger os olhos (foto: Paulo Filgueiras/EM/DA Press)
Ela também destaca a necessidade de evitar longas exposições ao sol, principalmente entre as 10h e as 16h. “Crianças de até seis meses devem evitar a exposição direta ao sol, usando chapéu, boné, roupas de algodão e sombrinhas. Acima dos seis meses, o ideal é usar os bloqueadores solares, passando sempre meia hora antes da exposição e renovando a cada duas horas”, afirma. Segundo a especialista, a insolação aparece após longos períodos sob o sol forte, pois o corpo perde a capacidade de controlar a temperatura e, consequentemente, pode acontecer a desidratação ou também as queimaduras.

Atento aos riscos, Cleisson Silva Peres não descuidou ontem da hidratação do filho Gabriel, durante passeio na Praça da Liberdade. Como as fontes e bebedouros não estavam funcionando, ele usou água mineral também para refrescar a pele da criança. Maria Lúcia Wanderley também não se descuidou e abriu uma sombrinha para se proteger do sol durante passeio na mesma praça.

RISCO NA ÁGUA
A pediatra Marislaine Lumena faz um alerta especial para o risco de afogamento de crianças no período de calor intenso, por conta do aumento, por exemplo, do uso das piscinas para aplacar as altas temperaturas. De acordo com ela, a segunda causa mais comum de morte de crianças de 1 a 14 anos por acidentes no Brasil é o afogamento. Segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), 53% dos casos ocorrem em piscinas. “Crianças até quatro anos de idade podem se afogar em superfícies com pouca água. Se ela cai de face, não consegue levantar e pode se afogar. Perto da água tem que haver sempre a supervisão de um adulto a uma distância de um braço. Outra dica é não confiar nas boias infláveis, pois elas não conferem total proteção. O ideal é usar colete salva-vidas”, completa a pediatra.


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